domingo, 24 de maio de 2026

ANDERSON DESISTE DO SENADO E MIGRA PARA A DISPUTA POR UMA VAGA NA CÂMARA FEDERAL

O ex-prefeito de Jaboatão e presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, comunicou a dirigentes nacionais da legenda que não pretende concorrer ao Senado nas próximas eleições e sinalizou que será candidato a deputado federal, abrindo espaço para que seu irmão, o atual deputado André Ferreira, dispute uma vaga na Assembleia Legislativa. A decisão, ainda não anunciada publicamente, já circula entre lideranças do partido em Brasília e foi confirmada por interlocutores próximos ao presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, e ao senador Rogério Marinho. Fontes do partido afirmam que a opção de Anderson pela Câmara Federal ganhou força mesmo após incentivo do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro para que buscasse a vaga majoritária; a sinalização de recuo teria sido tomada antes dos episódios envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, que abalaram posições nas pesquisas, e, segundo aliados, visa evitar que sua desistência seja interpretada como um afastamento do projeto presidencial. Antes de oficializar o movimento, Anderson planeja rodadas de conversa com quadros liberais pernambucanos para costurar apoios e evitar rachas internos — alguns líderes locais já foram convidados para essas tratativas.

A expectativa inicial do ex-prefeito era integrar a chapa da governadora Raquel Lyra, mas integrantes do PL afirmam que ele perdeu espaço depois que a governadora abriu canal com o deputado Túlio Gadelha, estreitando laços com o campo ligado ao presidente Lula, o que teria reduzido as chances de Anderson na majoritária e influenciado sua escolha por disputar mandato federal. A desistência de Anderson ao Senado tende a favorecer o palanque da governadora, sobretudo no espaço de centro e centro-direita, onde nomes como o deputado federal Eduardo da Fonte, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o senador Fernando Dueire despontam como possíveis opções. Para a cientista política Priscila Lapa, a ausência de Anderson amplia a vantagem da base de Raquel, pois o voto para o Senado costuma refletir a escolha para governador e, sem Anderson, o eleitorado de direita tem menos opção dentro do palanque alternativo.

A reconfiguração interna também altera o tabuleiro do PL em Pernambuco: a saída de Anderson do páreo majoritário abre caminho para uma estratégia mais focada em cadeiras na Câmara dos Deputados, com expectativa de Anderson e do ex-deputado federal Mendonça Filho liderando as chapas. André Ferreira, atualmente o deputado federal mais votado do estado em 2022, pode tornar-se peça-chave na composição da bancada estadual. Movimentos de filiação complicaram alternativas para o Senado: o ex-ministro Gilson Machado deixou o PL e migrou para o Podemos após desentendimentos internos, reduzindo possibilidades de candidaturas avulsas, e o PL tentou atrair Mendonça Filho para a corrida ao Senado, sem sucesso, já que ele condicionou sua participação a uma coligação com a chapa de Raquel.

A indefinição sobre quem será a referência do campo de direita em Pernambuco também impacta a estratégia do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Tanto Anderson quanto Gilson têm previsão de receber o pré-candidato em visitas ao estado, mas a saída de Anderson da disputa majoritária pode levar ao surgimento de outros nomes para representar o espectro conservador local ou ao fortalecimento de candidaturas federais do PL que foquem na base regional. O debate ganhou espaço quando o vereador do Partido Novo, Eduardo Moura, questionou a ausência de uma candidatura da direita ao governo caso Raquel Lyra passe a acolher o presidente Lula em seu palanque, defendendo que, nessa hipótese, a direita deveria lançar candidato próprio ao governo.

Com a decisão ainda não formalizada, Anderson segue em tratativas internas e avalia o momento mais oportuno para tornar pública sua candidatura à Câmara Federal. A movimentação promete redistribuir forças no eleitorado pernambucano, com possíveis ganhos do PL em cadeiras federais e reconfiguração das alianças estaduais; as conversas com lideranças liberais e a definição de candidaturas em cada escalão serão determinantes para medir o real impacto de sua saída da disputa ao Senado, que deve ser anunciada oficialmente após a conclusão da rodada de encontros com políticos locais.

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