sexta-feira, 29 de agosto de 2025

DEPUTADO REIMONT PEDE INVESTIGAÇÃO CONTRA NIKOLAS FERREIRA E CITA POSSIBILIDADE DE PRISÃO PREVENTIVA EM OFÍCIO À PGR


A cena política em Brasília ganhou novos contornos após o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara, deputado Reimont (PT-RJ), protocolar um ofício nesta quinta-feira (28) ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedindo a abertura de uma investigação formal contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O documento, segundo o parlamentar petista, não se restringe apenas à análise de condutas do bolsonarista, mas também solicita que seja avaliada a possibilidade de decretação de prisão preventiva, caso as apurações revelem risco à ordem pública.

O pedido de Reimont surge no rastro da prisão de Glaycon Raniere de Oliveira Fernandes, primo de Nikolas, detido em Uberlândia (MG) transportando 30,2 quilos de maconha. Para o deputado do PT, o episódio acendeu um sinal de alerta sobre a necessidade de examinar possíveis relações familiares, políticas e financeiras entre o parlamentar mineiro e a estrutura criminosa que está sob investigação no Triângulo Mineiro.

O ofício também remete a uma polêmica ocorrida em janeiro, quando Nikolas Ferreira atuou de forma incisiva contra uma medida da Receita Federal que buscava mapear operações via Pix acima de R$ 5 mil. Na época, a campanha do deputado em suas redes sociais mobilizou milhares de apoiadores, pressionando pela revogação da regra. Segundo o texto enviado à PGR, esse episódio não pode ser visto de maneira isolada, uma vez que especialistas em combate à lavagem de dinheiro consideravam a norma um instrumento essencial para impedir que fintechs fossem utilizadas em esquemas ilícitos de movimentação financeira.

Reimont sustenta que a ação de Nikolas, ao atacar uma medida de fiscalização considerada estratégica, pode ter favorecido interesses de grupos criminosos que se beneficiam da ausência de mecanismos de controle mais rígidos. “O grande crime organizado mantém relações espúrias com uma parcela corrupta de agentes do Estado, praticando violações sistemáticas de direitos humanos”, destacou o petista em sua justificativa.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos afirma ainda que o país vive um momento de tensão institucional que exige firmeza das autoridades competentes. “Como presidente da Comissão, é meu dever zelar pela integridade democrática e pela proteção dos direitos humanos. O país precisa de respostas rápidas e firmes para proteger a sociedade e fortalecer as instituições democráticas”, declarou.

O ofício protocolado por Reimont deve agora ser analisado pelo procurador-geral Paulo Gonet, que terá a prerrogativa de decidir se abre ou não investigação formal contra Nikolas Ferreira. Nos bastidores da Câmara, a iniciativa repercutiu com intensidade, dividindo opiniões entre governistas e opositores. Enquanto aliados de Reimont defendem o rigor da apuração, parlamentares próximos de Nikolas classificam o pedido como perseguição política e reforçam a narrativa de que o jovem deputado é alvo de tentativas de silenciamento.

O episódio promete acirrar ainda mais os debates em torno da atuação de Nikolas Ferreira, que tem se consolidado como uma das vozes mais influentes da direita no Congresso Nacional, com forte presença nas redes sociais e mobilização constante de sua base eleitoral. A decisão da PGR, portanto, poderá ter efeitos não apenas jurídicos, mas também políticos, influenciando diretamente o clima do Legislativo em um ano de intensas disputas ideológicas no país.

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