PESQUISA DATATRENDS ACENDE ALERTA NO PSB E MOSTRA QUE RAQUEL ESTÁ EM CRESCIMENTO ENCURTANDO DISTÂNCIA DE JOÃO CAMPOS
A nova pesquisa do Instituto DataTrends para o Governo de Pernambuco caiu como uma bomba silenciosa no ambiente político do estado. Embora o ex-prefeito do Recife, João Campos, continue liderando os cenários apresentados, os números revelam um detalhe que começa a mexer nos bastidores da sucessão estadual: a governadora Raquel Lyra não apenas mantém musculatura eleitoral como demonstra sinais claros de crescimento político e administrativo.
O levantamento, realizado entre os dias 30 de abril e 3 de maio, ouvindo 4 mil eleitores em 75 municípios pernambucanos, traz um retrato importante do momento político. A fotografia de hoje ainda aponta vantagem para João Campos, mas o filme da eleição começa a mostrar movimentações diferentes daquelas vistas meses atrás. E é justamente aí que mora o verdadeiro peso desta pesquisa.
A ESPONTÂNEA REVELA O DADO MAIS PREOCUPANTE PARA O PSB
Na política, pesquisa espontânea costuma ser tratada como ouro puro. É nela que o eleitor responde sem receber lista de nomes. É memória, presença política, lembrança popular e conexão direta com o sentimento das ruas. E foi justamente nesse cenário que a pesquisa trouxe um dado de enorme impacto.
João Campos aparece com 19%, enquanto Raquel Lyra surge logo atrás, com 18%. Um empate técnico praticamente absoluto.
O detalhe é que João está há muito mais tempo em evidência dentro do debate sucessório. Tem forte presença digital, exposição diária na capital e carrega o peso político do sobrenome Campos-Arraes, historicamente consolidado em Pernambuco. Mesmo assim, Raquel conseguiu colar no principal adversário dentro do cenário espontâneo.
Nos bastidores, muita gente enxergou esse dado como o mais simbólico de toda a pesquisa. Porque espontânea não mede apenas intenção de voto. Mede lembrança consolidada. Mede força orgânica. Mede capacidade de ocupação política no imaginário popular.
E quando a governadora aparece praticamente empatada nesse quesito, o recado é claro: o governo estadual começa a ganhar mais presença na cabeça do eleitor pernambucano.
OS 56% DE APROVAÇÃO MUDAM O CLIMA POLÍTICO DO ESTADO
Outro dado que chamou atenção foi a aprovação da gestão Raquel Lyra. Segundo o DataTrends, 56% dos entrevistados aprovam a administração estadual, contra 37% que desaprovam.
Na prática política, aprovação acima dos 50% é combustível eleitoral. Principalmente para quem ocupa o governo e possui a máquina administrativa funcionando diariamente no interior e na Região Metropolitana.
O dado ganha ainda mais peso porque Raquel enfrentou, desde o início do mandato, um ambiente extremamente hostil. Herdou problemas estruturais, enfrentou críticas pesadas na comunicação do governo, sofreu desgaste político inicial e viu adversários ocuparem o debate público com intensidade.
Mesmo assim, chega em 2026 apresentando uma aprovação robusta.
No interior do estado, aliados da governadora afirmam que obras de infraestrutura, estradas, abastecimento d’água, escolas, hospitais e investimentos em mobilidade começaram a surtir efeito político. A percepção é que parte da população passou a enxergar entregas concretas após um início de gestão marcado por reorganização administrativa.
A oposição ainda mantém forte discurso contra o governo, principalmente na Região Metropolitana do Recife. Mas o dado de aprovação mostra que Raquel conseguiu consolidar um colchão político importante fora da bolha das redes sociais.
JOÃO SEGUE FORTE, MAS JÁ NÃO DISPARA COMO ANTES
João Campos continua sendo um fenômeno eleitoral em Pernambuco. Isso é fato. Lidera os cenários estimulados e segue extremamente competitivo. No principal cenário, aparece com 42%, enquanto Raquel marca 36%.
Mas existe um detalhe importante nessa nova rodada: a diferença caiu.
Levantamentos anteriores mostravam distância mais confortável para o socialista. Em fevereiro, por exemplo, o DataTrends apontava João com 48% contra 35% de Raquel. Agora, a diferença caiu praticamente pela metade.
Isso acendeu o sinal amarelo dentro do PSB.
Porque eleição para governador não se ganha apenas na capital. Pernambuco possui uma dinâmica estadual complexa, fortemente influenciada pelo interior, pela capacidade de alianças e pela força administrativa de quem ocupa o Palácio do Campo das Princesas.
João continua favorito neste momento. Mas já não aparece isolado nem inalcançável como alguns aliados tentavam vender meses atrás.
O INTERIOR COMEÇA A TER PESO DECISIVO NO JOGO
Um dos pontos mais comentados nos bastidores políticos é justamente o crescimento da governadora fora da Região Metropolitana.
Analistas políticos observam que Raquel Lyra vem ampliando presença em cidades médias e pequenas através de agendas administrativas, entregas regionais e fortalecimento de prefeitos aliados.
Enquanto João Campos domina a comunicação digital e mantém forte apelo popular no Recife, Raquel parece apostar em algo mais tradicional: construção territorial e presença administrativa.
E isso historicamente sempre teve peso enorme em Pernambuco.
Prefeitos começam a observar os números com mais atenção. Lideranças que antes tratavam João como franco favorito já começam a admitir reservadamente que a eleição pode entrar num cenário muito mais competitivo do que se imaginava.
A AUSÊNCIA DE EDUARDO MOURA TAMBÉM AJUDOU RAQUEL
Outro fator importante destacado nos bastidores foi a ausência do nome de Eduardo Moura no levantamento atual.
Na pesquisa Quaest divulgada anteriormente, o nome ligado ao Novo aparecia pontuando entre o eleitorado mais conservador. Agora, sem ele no cenário, parte desse eleitor pode ter migrado naturalmente para Raquel Lyra.
Essa movimentação ajuda a explicar parte do crescimento da governadora.
Existe uma percepção crescente de que o eleitor mais ao centro e mais conservador tende a enxergar Raquel como opção natural numa disputa polarizada contra o PSB.
E isso pode provocar uma reorganização importante do jogo político até 2026.
A ELEIÇÃO AINDA ESTÁ LONGE, MAS O JOGO MUDOU
A grande verdade é que a nova pesquisa DataTrends desmonta duas narrativas que circulavam na política pernambucana.
A primeira era a de que João Campos caminhava para uma vitória praticamente inevitável. A segunda era a de que Raquel Lyra chegaria enfraquecida eleitoralmente ao debate de 2026.
Nenhuma das duas teses parece mais sólida agora.
João continua líder e mantém favoritismo no momento. Mas Raquel demonstra capacidade de recuperação política, crescimento gradual e fortalecimento administrativo. A aprovação acima dos 50% e o empate técnico na espontânea mostram que ela entrou definitivamente no jogo.
E em eleição estadual, entrar competitivo na reta decisiva muda absolutamente tudo.
A disputa pelo Palácio do Campo das Princesas começa a ganhar contornos de uma batalha longa, pesada e imprevisível. Pernambuco, ao que tudo indica, terá uma das eleições mais acirradas de sua história recente. É isso!