domingo, 18 de outubro de 2026

DIREITA MOBILIZA GARANHUNS EM CARREATA PRÓ-FLÁVIO BOLSONARO; ORGANIZAÇÃO REÚNE LIDERANÇAS E JUVENTUDE CONSERVADORA

Ato realizado neste sábado (17) foi organizado por Edu Cabral, com participação dos deputados eleitos Gilson Machado e Gilson Filho, além de nomes da direita local e da Juventude Conservadora de Garanhuns.

Garanhuns viveu um sábado de intensa movimentação política. A direita foi às ruas em uma carreata em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), mobilização que os organizadores classificaram como histórica e apontaram como a maior já realizada na cidade em apoio a um candidato político.

A articulação do evento teve à frente o suplente de vereador Edu Cabral, com a participação dos deputados eleitos Gilson Machado Neto e Gilson Filho, além de integrantes da Juventude Conservadora de Garanhuns e outras lideranças ligadas ao campo conservador no município.

Entre os nomes citados na organização e mobilização estão Danilo Cintra, João Paulo Vasconcelos, Edson Fárack, Edson Posto e Lulu Roldão, que, junto a outros participantes, contribuíram para a realização do ato.

A DIREITA NAS RUAS 

A carreata reuniu apoiadores do bolsonarismo em uma demonstração de mobilização política na reta final da disputa presidencial. O evento também reforçou a atuação de lideranças locais que trabalham para ampliar a presença do grupo conservador em Garanhuns e no Agreste Meridional.

Nas redes sociais, integrantes da organização celebraram a participação dos apoiadores e agradeceram a todos que colaboraram com o evento. A expectativa manifestada pelo grupo é de continuar a mobilização até o encerramento da campanha.

POLARIZAÇÃO TAMBÉM MARCA GARANHUNS

O sábado foi marcado por atos de campos políticos opostos em Garanhuns. Enquanto a direita promoveu a carreata em apoio a Flávio Bolsonaro, aliados do presidente Lula também realizaram uma mobilização na cidade.

A movimentação evidencia como a polarização nacional se reflete no interior de Pernambuco, onde lideranças políticas, grupos organizados e apoiadores buscam espaço na reta final da campanha.

Para os organizadores da carreata bolsonarista, o evento deixa uma mensagem de força e união entre os apoiadores locais. A promessa, nas palavras do grupo, é seguir mobilizado até a esperada festa da vitória.

Edney Souto | Blog do Edney — Você atualizado o tempo todo.

CAMINHADA HISTÓRICA EM GARANHUNS GANHA REPERCUSSÃO NACIONAL E VIRA SÍMBOLO DA CAMPANHA DE LULA

Com público estimado em mais de 25 mil pessoas, mobilização liderada por Sivaldo Albino e Cayo Albino tomou as ruas da Suíça Pernambucana. Imagem de trabalhador erguendo bandeira do presidente em uma igreja em reforma chamou a atenção nas redes sociais.

Garanhuns mostrou sua força política neste sábado (17). Uma multidão tomou as ruas da Suíça Pernambucana em uma grande caminhada em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa mobilização que ultrapassou as fronteiras do Agreste e ganhou repercussão nas redes sociais em todo o Brasil.

À frente do movimento estiveram o prefeito Sivaldo Albino e o deputado estadual Cayo Albino, que reuniram lideranças políticas, representantes de movimentos populares e apoiadores de Lula em um ato marcado pela participação popular e pelo clima de campanha na reta final do segundo turno presidencial.

Sivaldo estimou o público em mais de 25 mil pessoas. O número foi divulgado pelo próprio prefeito e repercutiu em publicações sobre as manifestações pró-Lula realizadas em diferentes cidades brasileiras. A mobilização também foi registrada por perfis de grande alcance nas redes sociais.

LULA ECOOU PELAS RUAS DA SUÍÇA PERNAMBUCANA

O nome do presidente foi entoado durante o percurso, enquanto a multidão ocupava ruas e avenidas de Garanhuns. Bandeiras, camisas e manifestações de apoio deram o tom da caminhada, transformando o centro da cidade em um dos principais cenários da mobilização política do sábado em Pernambuco.

O ato contou com a presença do senador Humberto Costa, da deputada federal eleita Rosa Amorim e do deputado federal Pedro Campos. Também participaram os prefeitos Nivaldo Tirri, de Caetés, e Caíque, de Angelim, além de outras lideranças e apoiadores da região.

A mobilização ocorreu em um momento decisivo da disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro na corrida pelo voto dos eleitores para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

A IMAGEM QUE FALOU MAIS ALTO

Entre tantas cenas registradas durante a caminhada, uma chamou atenção pelo simbolismo.

Em meio à movimentação de Garanhuns, um trabalhador, em cima de uma igreja que passa por reforma, ergueu uma bandeira com o nome de Lula. A imagem, simples e carregada de significado, destacou-se entre os registros compartilhados nas redes sociais.

Sem discurso, palanque ou microfone, a cena acabou traduzindo uma das marcas das campanhas eleitorais: a participação de pessoas comuns, que encontram nas ruas uma maneira de expressar suas escolhas e esperanças.

GARANHUNS NO CENTRO DA MOBILIZAÇÃO POLÍTICA

A caminhada integrou uma série de atos realizados em Pernambuco no sábado, com manifestações, panfletagens, adesivaços e atividades de mobilização em diferentes regiões do estado. A imprensa pernambucana também registrou atos de apoio a Lula em Garanhuns e Caruaru.

A repercussão nacional deu ainda mais visibilidade à movimentação na cidade do Agreste Meridional, historicamente associada à trajetória de Lula por sua ligação com a região onde o presidente nasceu, o município vizinho de Caetés.

A dimensão política do evento, porém, vai além das imagens que circularam na internet. A caminhada demonstrou a capacidade de mobilização do grupo liderado por Sivaldo Albino e colocou Garanhuns em evidência na reta final da campanha presidencial.

Se a força vista nas ruas será convertida em votos, a resposta virá das urnas. Mas uma coisa ficou evidente neste sábado: Garanhuns entrou de vez no mapa das grandes mobilizações políticas desta reta final de campanha.

BLOG DO EDNEY — A notícia verdade.

Edney Souto | Equipe Blog do Edney


LULA VAI A PETROLINA NA TERÇA E PREPARA GRANDE MOBILIZAÇÃO NO SERTÃO DE PERNAMBUCO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem agenda prevista para a próxima terça-feira (20), em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, para participar de um ato político que promete movimentar a reta final da campanha eleitoral no estado.

O principal momento da mobilização será a travessia da ponte Presidente Dutra, que liga Petrolina, em Pernambuco, a Juazeiro, na Bahia. O gesto simbólico pretende reunir militantes, lideranças políticas e apoiadores em uma demonstração de força popular às margens do Rio São Francisco.

A estratégia é levar a campanha para além da Região Metropolitana do Recife e reforçar a presença política de Lula no interior pernambucano, especialmente no Sertão, onde a mobilização da militância pode ter peso importante nesta reta final da disputa.

A expectativa dos organizadores é transformar a passagem do presidente pela região em um grande ato de engajamento, reunindo apoiadores e lideranças em torno da candidatura petista.

A ida de Lula a Petrolina também coloca o Sertão no centro das atenções políticas de Pernambuco nos últimos dias da campanha. Com a travessia da ponte como símbolo, o evento pretende mostrar capacidade de mobilização e ampliar a pressão política na reta final das urnas.

No jogo eleitoral, a mensagem é clara: Lula quer fazer barulho no interior e mostrar que sua campanha segue mobilizada até o último momento.

VIROU - LULA APARECE COM 51% CONTRA 49% DE FLÁVIO BOLSONARO, MAS DISPUTA SEGUE EM EMPATE TÉCNICO, DIZ VOX BRASIL

Pesquisa divulgada neste domingo (18) mostra o presidente numericamente à frente, mas diferença está dentro da margem de erro. Levantamento ouviu 2.100 eleitores e está registrado no TSE sob o número BR-04332/2026.

A disputa presidencial entrou na reta decisiva com um cenário de equilíbrio entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Pesquisa do Instituto Vox Brasil, divulgada neste domingo (18), aponta Lula com 51% dos votos válidos, contra 49% do senador. Dois pontos separam os candidatos na conta dos votos válidos, mas a margem de erro impede qualquer leitura de vantagem consolidada.

No cenário estimulado, que considera todos os entrevistados, Lula registra 46,4% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 44,6%. Brancos, nulos e os que responderam nenhum somam 5%, enquanto 3,9% não souberam responder.

A diferença de 1,8 ponto percentual nas intenções de voto está dentro da margem de erro de 2,15 pontos, para mais ou para menos. Na prática, o levantamento configura empate técnico.

O QUE MUDOU NA CORRIDA PRESIDENCIAL

A comparação com a rodada anterior da Vox Brasil, realizada dez dias antes, mostra movimentação dos dois lados. Lula saiu de 44,2% para 46,4%, um crescimento de 2,2 pontos percentuais. Flávio Bolsonaro passou de 42,7% para 44,6%, avançando 1,9 ponto.

Outro dado chama atenção: o percentual de indecisos caiu de 9,7% para 3,9%. Ao mesmo tempo, brancos e nulos passaram de 3,4% para 5%.

É um movimento importante na reta final. Com menos eleitores indecisos, a disputa passa a depender cada vez mais da capacidade de cada campanha de consolidar seus apoiadores e conquistar quem ainda pode mudar de posição. Os números, porém, não permitem afirmar como esses eleitores vão se comportar na urna.

REJEIÇÃO ALTA DOS DOIS LADOS

A pesquisa também revela um obstáculo para os dois candidatos. Segundo o levantamento, Lula e Flávio Bolsonaro têm rejeição idêntica: 45,3% dos entrevistados afirmam que não votariam em nenhum dos dois de jeito nenhum.

O dado indica uma disputa marcada não apenas pela busca de novos votos, mas também pela dificuldade de superar resistências já estabelecidas entre parcelas do eleitorado.

Na pergunta sobre quem acreditam que vencerá a eleição, independentemente da própria intenção de voto, 46,9% apontam Lula, enquanto 41,6% acreditam na vitória de Flávio Bolsonaro. Outros 11,5% não souberam responder.

A percepção sobre quem vencerá, no entanto, não deve ser confundida com intenção de voto ou previsão segura do resultado.

OS NÚMEROS DA PESQUISA

O Instituto Vox Brasil entrevistou presencialmente 2.100 eleitores em seus domicílios, entre os dias 15 e 17 de outubro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95%, margem de erro de 2,15 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04332/2026. O custo informado foi de R$ 50 mil, pagos com recursos próprios do instituto.

NA LUPA, POR EDNEY SOUTO

A pesquisa mostra uma eleição que continua aberta nos números. Lula aparece numericamente à frente na Vox Brasil, mas a diferença não ultrapassa a margem de erro. Flávio Bolsonaro permanece próximo, e a rejeição elevada dos dois candidatos revela o tamanho da polarização.

O dado político mais relevante não é transformar os 51% contra 49% em uma vitória antecipada. É observar a evolução dos números, a redução dos indecisos e o comportamento do eleitorado nos últimos dias antes da votação.

Em uma disputa tão apertada, cada levantamento funciona como uma fotografia de determinado momento. A urna, e não a pesquisa, é que dará a resposta definitiva.

Blog do Edney — A notícia verdade. Você atualizado o tempo todo.

sábado, 17 de outubro de 2026

2028 JÁ COMEÇOU? PRISCILA KRAUSE VOLTA AO RADAR DA DISPUTA PELA PREFEITURA DO RECIFE

A eleição de 2026 ainda está fresca na memória, mas os movimentos para 2028 já começaram a aparecer nos bastidores da política pernambucana. E um nome voltou a circular com força: o da vice-governadora Priscila Krause (PSD), apontada em eventos recentes como “a filha do Recife”. Coincidência ou recado político? Em ano de rearrumação dos grupos, ninguém costuma lançar uma frase dessas sem provocar alguma repercussão.

As referências à vice-governadora já renderam postagens nas redes sociais e alimentaram especulações sobre uma possível candidatura à Prefeitura do Recife. Oficialmente, porém, Priscila e pessoas próximas negam que exista uma pré-candidatura em andamento. O assunto, ainda assim, entrou no debate e promete render conversa nos próximos meses.

Priscila não é novata nessa disputa. Em 2016, quando era filiada ao DEM, concorreu à Prefeitura do Recife e terminou na quarta colocação, com 47.399 votos, o equivalente a 5,43% dos votos válidos. Naquele ano, Geraldo Julio (PSB) e João Paulo (PT) avançaram ao segundo turno, com vitória do socialista.

Dez anos depois, o cenário é outro. Priscila ocupa a vice-governadoria, integra o grupo político de Raquel Lyra e tem uma posição estratégica no tabuleiro estadual. Mas transformar esse espaço em força eleitoral na capital é outra história.

O desafio seria enfrentar o prefeito Victor Marques (PCdoB), que conta com o apoio do grupo do ex-prefeito João Campos (PSB). Depois da derrota de João na disputa pelo Governo de Pernambuco, a manutenção da influência política no Recife ganha ainda mais importância para o PSB. A capital continua sendo uma peça central na estratégia do partido, e a oposição não terá caminho fácil para tomar esse espaço.

O problema não é apenas disputar. É saber o que acontece depois.

Uma eventual candidatura de Priscila em 2028 teria consequências que ultrapassam os limites do Recife. Raquel Lyra poderá chegar a 2030 diante da possibilidade de renunciar ao Governo para disputar outro cargo, como o Senado. Nesse cenário, a vice-governadora seria uma peça decisiva na sucessão estadual.

Se Priscila vencer a eleição municipal, abrirá mão da vice-governadoria e deixará o caminho livre para que o próximo presidente da Assembleia Legislativa assuma o comando do Estado em caso de saída de Raquel. Uma mudança dessa dimensão pode provocar uma disputa intensa entre deputados e grupos políticos interessados no controle do Governo.

Se perder a eleição no Recife, por outro lado, Priscila poderá chegar a 2030 politicamente desgastada, justamente quando seu nome poderia ser considerado para uma disputa estadual.

É uma conta delicada. A governadora precisa pensar na própria sucessão, mas também terá de avaliar o impacto de uma eventual candidatura de sua vice à Prefeitura. O movimento pode fortalecer o grupo em uma frente e abrir um problema em outra.

Por enquanto, Priscila aparece como uma possibilidade, não como candidata confirmada. E, no campo governista, ainda é difícil enxergar outro nome com a mesma posição institucional para entrar nessa discussão.

OUTROS NOMES ENTRAM NO RADAR

Priscila não está sozinha nas especulações sobre a disputa municipal. Pelo campo da direita, aparecem os nomes de Anderson Ferreira (PL) e Eduardo Moura (Novo), ambos eleitos deputados federais. São alternativas que podem tentar ocupar o espaço de oposição ao grupo que comanda a capital pernambucana.

Na esquerda, Marília Arraes (PDT), mesmo sendo aliada em determinados campos políticos, também é citada como uma possibilidade. Sua eventual entrada na disputa dependeria, naturalmente, de uma série de acordos e interesses que ainda estão longe de ser definidos.

A deputada estadual Dani Portela (PT) também já se colocou à disposição. A possibilidade chama atenção porque PT e PCdoB integram a mesma federação partidária, o que torna uma candidatura contra o atual prefeito um assunto politicamente delicado.

A eleição de 2028 ainda está distante no calendário, mas os primeiros movimentos mostram que os grupos já começam a calcular riscos, medir forças e testar nomes.

No Recife, a pergunta já não é apenas quem poderá enfrentar Victor Marques. É também quem estará disposto a entrar numa disputa que pode mexer diretamente com o futuro político de Pernambuco em 2030.

Priscila Krause está no centro dessa conversa. Mas, entre ser lembrada em eventos e efetivamente entrar na corrida eleitoral, existe uma distância que só o tempo e as articulações políticas poderão encurtar.

Na política pernambucana, 2028 já começou nos bastidores. E a disputa pelo Recife pode ser apenas o primeiro capítulo de uma batalha muito maior.

FLÁVIO BOLSONARO É DESMENTIDO EM SÉRIE DE ALEGAÇÕES NO JORNAL NACIONAL; CASO VORCARO E FILME DO PAI VIRAM O PONTO MAIS INCÔMODO DA ENTREVISTA

Checagens identificaram declarações falsas, informações imprecisas e omissões sobre economia, segurança pública, armas, petróleo e o financiamento de Dark Horse. Senador citou Lula repetidamente, mas deixou perguntas importantes sem respostas.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) entrou no Jornal Nacional com a missão de convencer o eleitor de que está preparado para governar o Brasil. Saiu da entrevista com uma coleção de declarações contestadas por checadores independentes e uma pergunta que continua incomodando: se está tudo certo com o dinheiro usado para produzir o filme sobre Jair Bolsonaro, por que a prestação de contas completa não foi apresentada publicamente?

Na noite da sexta-feira (16), diante da jornalista Renata Lo Prete, o candidato à Presidência tentou defender suas propostas, atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou a TV Globo e o Supremo Tribunal Federal (STF) e precisou explicar o financiamento de Dark Horse, produção sobre seu pai que recebeu recursos associados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O levantamento do Ranking dos Políticos sobre 26 declarações verificáveis feitas durante a entrevista encontrou cinco afirmações falsas, 12 imprecisas e nove verdadeiras. Ou seja, 17 das 26 declarações analisadas apresentaram algum problema de precisão. A Agência Lupa e o UOL Confere também contestaram afirmações importantes feitas pelo senador. Os resultados não significam que todas as respostas foram mentirosas, mas revelam que uma parcela expressiva do discurso não correspondeu integralmente aos fatos disponíveis.

O DINHEIRO DE VORCARO E O FILME QUE FLÁVIO NÃO CONSEGUIU EXPLICAR POR COMPLETO

O momento mais delicado da entrevista envolveu o financiamento de Dark Horse. Flávio confirmou ter solicitado aproximadamente R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para viabilizar o projeto. Segundo os valores apresentados durante a sabatina, cerca de R$ 70 milhões teriam sido repassados à produção.

O senador sustentou que se tratava de um pedido de patrocínio privado para um filme privado, sem contrapartida. A explicação, porém, não encerra as dúvidas sobre a origem e o destino dos recursos.

Quando afirmou que a produtora brasileira já havia prestado contas de tudo, Flávio foi confrontado por um fato objetivo: até a publicação das checagens, não havia sido divulgada publicamente uma prestação de contas integral da produção. As informações apresentadas pela defesa incluíam uma perícia particular, mas esse trabalho não esclarecia completamente a origem dos recursos repassados por meio do fundo Havengate nem rastreava todos os caminhos do dinheiro.

Há investigações em andamento sobre possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento. Uma apuração da Polícia Civil de São Paulo examina se recursos destinados a um contrato da prefeitura paulistana com o Instituto Conhecer Brasil teriam sido desviados para o filme. A Polícia Federal também investiga a hipótese de utilização de emendas parlamentares para custear a produção.

É fundamental registrar que investigação não é condenação e que suspeita não equivale a prova de culpa. Mas também é verdade que uma declaração do próprio interessado não substitui documentos que permitam conferir as despesas.

Flávio ainda tentou comparar o financiamento de Dark Horse com contratos publicitários da Globo relacionados ao Banco Master. A jornalista explicou que a compra de publicidade e o financiamento de uma produção cinematográfica são operações distintas, com finalidades e condições próprias. Receber por publicidade não demonstra irregularidade, assim como citar contratos de terceiros não esclarece automaticamente a origem dos recursos destinados ao filme.

A pergunta permanece: quanto foi efetivamente recebido, de onde veio cada parcela e onde cada real foi aplicado?

O ÁUDIO SOBRE UM DOCUMENTÁRIO DE LULA

Outro episódio relevante ocorreu quando Flávio afirmou que a Polícia Federal teria confirmado a veracidade de um suposto áudio no qual Vorcaro falaria sobre o financiamento de um documentário relacionado a Lula, com recursos que teriam sido pagos “por fora”.

A afirmação foi contestada pela checagem do UOL Confere. Segundo o levantamento, não procede dizer que a Polícia Federal confirmou a autenticidade da gravação nos termos alegados pelo senador.

A diferença não é detalhe técnico. Uma gravação precisa ter autenticidade e contexto verificados antes de ser apresentada como prova. Não basta atribuir uma frase a alguém e usar essa suposta declaração para insinuar que um adversário recebeu dinheiro irregularmente.

Flávio tentou deslocar o centro da discussão para Lula, mas a pergunta que estava diante dele era outra: explicar os recursos solicitados para o filme sobre Jair Bolsonaro.

Na política, atacar o adversário pode render manchetes. Não resolve, porém, a falta de documentação sobre a própria operação.

LULA VIROU PERSONAGEM RECORRENTE DA ENTREVISTA

O levantamento divulgado após a sabatina contabilizou 45 referências a Lula, entre menções nominais e referências indiretas, durante aproximadamente 43 minutos de entrevista. Isso representa uma tentativa recorrente de deslocar o debate para o atual presidente.

O expediente apareceu quando Flávio foi questionado sobre economia, segurança pública, os atos de 8 de janeiro e o financiamento do filme. Em vez de concentrar as respostas nos detalhes das próprias propostas, o senador frequentemente recorreu a críticas ao governo petista.

A estratégia pode funcionar diante de uma plateia já convencida, mas encontra limites quando a entrevista exige números, documentos e respostas objetivas.

Quem pretende ocupar o Palácio do Planalto precisa apresentar o que fará, como pretende fazer e quanto isso custará. Criticar Lula não explica a origem do dinheiro de Vorcaro nem demonstra que as contas de uma produção cinematográfica foram integralmente esclarecidas.

ECONOMIA: PETRÓLEO, DÍVIDA PÚBLICA E EMPRESAS

Na área econômica, Flávio fez afirmações sobre a dívida pública, a exploração de petróleo na Margem Equatorial, falências e empresas que supostamente estariam deixando o Brasil rumo ao Paraguai.

Um dos pontos que exigem correção é a dívida pública. O senador afirmou que o valor está na casa dos R$ 11 trilhões. Nesse caso, a declaração foi considerada verdadeira pelo Ranking dos Políticos, que apontou uma dívida de aproximadamente R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026. Portanto, esse dado não deve ser incluído entre as mentiras.

O problema apareceu em outras afirmações. Flávio tratou a exploração da Margem Equatorial como se o governo Lula não tivesse iniciado atividades na região e associou a possível exploração a receitas superiores a R$ 100 bilhões praticamente de imediato.

A checagem apontou que a Petrobras iniciou a perfuração do poço Morpho após receber licença em outubro de 2025. Isso não significa que a região já produza petróleo comercialmente em escala capaz de garantir a arrecadação anunciada. Exploração, descoberta, viabilidade comercial e produção são etapas diferentes.

Também é necessário distinguir receitas potenciais de dinheiro efetivamente arrecadado. Os valores dependem dos resultados da exploração, dos investimentos necessários, dos preços internacionais, da produção e dos tributos incidentes. Prometer bilhões sem explicar essas condições é transformar uma possibilidade em certeza eleitoral.

O senador também afirmou que o governo Lula teria atingido recordes de falências e de fechamento de empresas. A checagem contestou a forma como essas informações foram apresentadas.

Fechar uma empresa não é a mesma coisa que decretar falência. Pedidos de recuperação judicial também não significam que todas as empresas envolvidas encerraram suas atividades. Para demonstrar um recorde, é necessário apresentar a série estatística correta, indicar o período e comparar dados equivalentes.

A mesma exigência vale para a alegação de que empresas brasileiras estariam fugindo em massa para o Paraguai. É necessário distinguir encerramento de atividades no Brasil, abertura de filiais no exterior, transferência de parte da produção e simples intenção de investir fora do país. A afirmação de que o Brasil seria recordista nesse movimento não foi sustentada pelos dados apresentados na checagem.

O discurso alarmista pode ser politicamente conveniente, mas não substitui estatísticas verificáveis.

PRIVATIZAÇÕES: O QUE O ELEITOR PRECISA SABER

Na discussão sobre privatizações, Flávio negou que pretendesse vender empresas como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras, enquanto acusava Lula de espalhar informações falsas sobre suas propostas.

A checagem apontou omissões sobre sinais de privatização no campo político do candidato. O tema exige atenção porque uma coisa é negar a venda de determinadas empresas e outra é esclarecer toda a política de participação do Estado na economia.

Quais estatais permaneceriam públicas? Quais poderiam ser vendidas? Haveria concessões, abertura de capital ou transferência de serviços para a iniciativa privada? São questões que precisam ser respondidas de maneira clara, sem deixar que o eleitor descubra as intenções somente depois da eleição.

O 8 DE JANEIRO NÃO FOI APENAS UMA INVASÃO

Quando questionado sobre os atos de 8 de janeiro de 2023, Flávio minimizou a dimensão dos acontecimentos e contestou a interpretação de que houve uma tentativa de golpe.

Os ataques às sedes dos Três Poderes não se resumiram à depredação de prédios públicos. As investigações e os processos relacionados aos atos examinaram articulações para impedir a posse do presidente eleito e planos para romper a ordem democrática.

Reduzir o episódio a uma invasão de edifícios significa ignorar o contexto político e as apurações sobre os objetivos dos envolvidos.

O debate sobre responsabilidades individuais, provas e decisões judiciais pode e deve existir. O que não se pode fazer é apagar a dimensão dos acontecimentos por meio de uma descrição incompleta.

CRIMINALIDADE: NÃO EXISTE UM ÚNICO NÚMERO QUE RESUMA TUDO

Flávio afirmou que o governo Lula seria recordista em criminalidade. A checagem contestou a alegação porque os indicadores de segurança pública precisam ser examinados separadamente.

Homicídios, roubos, feminicídios, estupros e outros delitos possuem séries estatísticas diferentes. Cada indicador tem metodologia, período de referência e condições próprias de comparação. Não basta juntar números distintos para declarar que um governo bateu recordes em toda a área da segurança.

O senador também relacionou a queda dos homicídios em 2019 ao aumento da emissão de certificados para Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores, os chamados CACs.

A relação de causa e efeito não pode ser estabelecida apenas porque dois fenômenos ocorreram no mesmo período. Para demonstrar que o aumento dos certificados provocou a queda dos homicídios, seria necessário apresentar evidências capazes de sustentar essa conclusão e afastar outros fatores.

A segurança pública é um assunto sério demais para ser reduzido a slogans sobre armas.

FLÁVIO DINO E A HISTÓRIA DA FAVELA

Outro ponto contestado foi a afirmação de que o ministro Flávio Dino teria entrado em uma favela do Rio de Janeiro sem escolta.

A Agência Lupa apontou que o senador repetiu uma informação falsa sobre o episódio. A história foi utilizada como argumento político, mas a versão apresentada não correspondeu aos fatos verificados.

Quando uma informação é usada para desqualificar um adversário, a obrigação de comprovar o que se diz continua existindo. O debate público não pode transformar uma história sem sustentação em verdade apenas porque ela rende uma boa frase de efeito.

ARMAS: LEGÍTIMA DEFESA E ESTATUTO DO DESARMAMENTO

Flávio também fez afirmações sobre o direito à legítima defesa e a possibilidade de criminosos comprarem armas de guerra.

No caso da legítima defesa, a precisão jurídica é essencial. O artigo 25 do Código Penal define a legítima defesa como a reação moderada, com os meios necessários, a uma agressão injusta, atual ou iminente. Portanto, a existência desse direito não depende de a expressão aparecer literalmente na Constituição.

Já o Estatuto do Desarmamento não concede autorização geral para que criminosos comprem armamentos de uso restrito. A legislação estabelece requisitos e controles para aquisição, posse e porte de armas, com regras específicas para armamentos restritos.

Misturar categorias jurídicas diferentes produz uma conclusão enganosa e confunde o eleitor sobre o que a lei realmente permite.

PRONTUÁRIO ELETRÔNICO: UMA PROMESSA QUE PRECISA EXPLICAR O QUE TEM DE NOVO

Na saúde, Flávio prometeu criar um prontuário eletrônico único para integrar o histórico dos pacientes.

A proposta toca em um problema real: a dificuldade de compartilhar informações clínicas entre diferentes unidades e redes de atendimento. Entretanto, iniciativas de prontuário eletrônico e integração de dados já existem no Sistema Único de Saúde.

O que falta esclarecer é o que seria efetivamente novo no plano do senador, como funcionaria a integração entre municípios, estados e União, qual seria o custo de implantação e como seriam protegidos os dados dos pacientes.

Prometer uma ferramenta já existente sem explicar como ela será ampliada pode produzir a impressão de que o problema começaria a ser resolvido apenas com uma eventual mudança de governo.

AS DECLARAÇÕES VERDADEIRAS TAMBÉM PRECISAM SER REGISTRADAS

Uma checagem séria não pode selecionar apenas os erros de um candidato. O levantamento do Ranking dos Políticos identificou nove declarações verdadeiras entre as 26 analisadas, além das cinco falsas e das 12 imprecisas.

A dívida pública na casa dos R$ 11 trilhões é um exemplo de afirmação considerada correta. Esse registro é importante porque a finalidade da checagem não é fabricar uma lista de acusações, mas separar aquilo que corresponde aos dados daquilo que foi distorcido ou não comprovado.

Também é necessário distinguir uma declaração falsa de uma informação imprecisa, de uma omissão e de uma promessa ainda não executada. São situações diferentes e precisam ser tratadas como tal.

NA LUPA: MUITO ATAQUE A LULA, MUITA PERGUNTA SEM RESPOSTA

A entrevista de Flávio Bolsonaro deixou uma lição para o eleitor: discurso forte não é sinônimo de informação correta.

Na economia, números sobre petróleo e empresas exigem contexto. Na segurança pública, não basta generalizar estatísticas ou atribuir resultados a uma única política sem demonstrar causalidade. No caso do 8 de Janeiro, é preciso considerar as investigações sobre a tentativa de ruptura democrática. E, no financiamento de Dark Horse, a resposta mais convincente seria apresentar a documentação completa.

O senador foi à televisão para defender sua candidatura, mas também precisou responder sobre um pedido de aproximadamente R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o próprio pai. A prestação de contas integral não estava publicamente disponível conforme as checagens divulgadas, e a origem e o destino dos recursos seguem sob questionamento.

Não é possível afirmar, apenas com esses elementos, que houve crime comprovado. Mas também não é razoável tratar todas as dúvidas como resolvidas porque o candidato declarou que está tudo certo.

A política exige confronto de ideias, mas exige sobretudo compromisso com os fatos. Quem quer governar o Brasil precisa aceitar que suas afirmações sejam verificadas, que suas contas sejam examinadas e que suas promessas sejam cobradas.

No fim das contas, a pergunta que fica é simples: se o discurso é de transparência, por que não colocar todos os documentos na mesa?

Edney Souto
Blog do Edney — A notícia verdade.

PERNAMBUCO AMPLIA REDE DE ESCOLAS TÉCNICAS ESTADUAIS COM 15 NOVAS UNIDADES A PARTIR DE 2027

Expansão prevê 7.830 novas vagas em cursos técnicos, distribuídas em 13 municípios, e marca a primeira etapa da implantação de 30 novas ETEs
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE), ampliará a oferta de Escolas Técnicas (ETEs) com a transformação de 15 Escolas de Referência em Ensino Médio (Erems) em unidades de educação profissional. A medida foi publicada neste sábado (17), no Diário Oficial do Estado, e integra a primeira etapa da implantação de 30 novas ETEs previstas para Pernambuco.

Para a governadora Raquel Lyra, “ampliar a oferta de Escolas Técnicas Estaduais é investir em uma educação pública que prepara os jovens pernambucanos para o futuro, unindo formação, qualificação profissional e novas oportunidades. É garantir, ainda, que mais jovens tenham condições de construir seus próprios projetos de vida e de trabalho”.

A partir de 2027, a rede passará de 58 para 73 escolas técnicas, com a oferta de 7.830 novas vagas em cursos de educação profissional. Desse total, 2.610 serão destinadas ao ensino médio integrado e 5.220 aos cursos subsequentes, voltados a quem já concluiu o ensino médio. 

No ensino médio integrado, as novas unidades iniciarão a oferta pelo 1ª ano, em 2027. As 2.610 vagas correspondem a 20,9% das 12.495 vagas previstas para essa modalidade no edital de 2027. Nos anos seguintes, a oferta avançará para as 2ª e 3ª séries, até alcançar 7.830 matrículas no ensino médio integrado em 2029.

As 15 novas ETEs estarão distribuídas em 13 municípios e 12 Gerências Regionais de Educação (GREs), contemplando diferentes regiões, do Litoral ao Sertão do São Francisco. Dez unidades ficarão no interior do estado. Oito municípios receberão uma ETE pela primeira vez: Afogados da Ingazeira, Feira Nova, Macaparana, Panelas, Parnamirim, Santa Maria da Boa Vista, São Caetano e Sirinhaém. Já Gravatá, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Palmares e Recife, que já contam com ETEs, serão contemplados com novas unidades.

O secretário de Educação de Pernambuco, Gilson Monteiro, destacou que a ampliação representa um novo avanço para a educação profissional no estado. Segundo ele, a conversão das escolas foi planejada ao longo de mais de um ano, considerando a estrutura e a capacidade das unidades de ensino. “É um novo salto de qualidade para o ensino técnico em Pernambuco, que vai ampliar as oportunidades de formação e qualificação profissional para os jovens pernambucanos”, ressaltou.

Cursos técnicos atendem às demandas locais
A definição dos cursos técnicos levou em consideração as vocações econômicas de cada território, buscando aproximar a formação dos estudantes das oportunidades de trabalho existentes e das demandas futuras de cada região.

Serão ofertados 14 cursos, abrangendo áreas, como Tecnologia da Informação e Comunicação; Gestão e Negócios; Infraestrutura, Indústria e Segurança; e Saúde, Meio Ambiente e Agronegócio. Entre as formações estão Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores, Multimídia, Administração, Logística, Comércio Exterior, Marketing, Segurança do Trabalho, Edificações, Eletrotécnica, Farmácia, Nutrição e Dietética, Meio Ambiente e Agronegócio.

Cada escola ofertará dois cursos técnicos, com exceção da ETE Poeta Manuel Bandeira, que contará com um curso. No ensino médio integrado, serão disponibilizadas 90 vagas por curso. As mesmas formações também serão ofertadas na modalidade subsequente, com duas entradas ao longo de 2027.

Confira a lista completa das novas ETEs:

ETE Professora Ione de Goes Barros — Afogados da Ingazeira
ETE Professora Marilene Chaves Santana — Feira Nova
ETE Professor Antônio Farias — Gravatá
ETE Augusto Severo — Jaboatão dos Guararapes
ETE Professora Benedita de Morais Guerra — Macaparana
ETE Guedes Alcoforado — Olinda
ETE da Fraternidade Palmarense — Palmares
ETE de Panelas — Panelas
ETE Odorico Melo — Parnamirim
ETE Dom Sebastião Leme — Recife
ETE Poeta Manuel Bandeira — Recife
ETE Senador Paulo Guerra — Recife
ETE Professora Edite Matos — Santa Maria da Boa Vista
ETE Agamenon Magalhães — São Caetano
ETE Doutor Eurico Chaves — Sirinhaém

CADÊ O DINHEIRO, FLÁVIO? LIQUIDANTE DO MASTER NÃO ENCONTRA RASTRO DE PATROCÍNIO PARA FILME DE BOLSONARO

A versão do patrocínio bancário tropeça na certidão oficial. Se o dinheiro não aparece nos registros do Master, quem bancaria o filme de Jair Bolsonaro? A pergunta está feita. Agora, falta a resposta.

A história do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, ganhou um capítulo indigesto para quem precisa explicar a origem dos recursos da produção. O liquidante do Banco Master informou, em certidão datada de 13 de outubro, que não encontrou documentos, contratos ou registros contábeis que comprovem patrocínio, financiamento ou transferência de dinheiro do conglomerado bancário para o longa.

O documento foi obtido após requerimento do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e atinge em cheio a versão de que os recursos solicitados por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro teriam relação com um patrocínio institucional do banco.

Traduzindo sem rodeios: o patrocínio foi apresentado como explicação, mas o rastro documental não apareceu nos registros examinados.

E dinheiro não costuma desaparecer por mágica. Quando alguém pede recursos, alguém precisa explicar de onde eles sairiam, por qual caminho passariam e quem assumiria a conta.

A certidão informa que não foram identificadas operações para financiar o filme, nem diretamente pelas instituições do conglomerado nem por meio de terceiros, dentro dos limites da análise. Também não foram localizadas operações relacionadas à produção envolvendo o Havengate Development Fund LP.

Sobre a Entre Investimentos e Participações, o liquidante alegou o sigilo bancário para não fornecer informações sobre operações financeiras. Portanto, a documentação apresentada não esclarece todos os possíveis caminhos do dinheiro.

É justamente aí que começa o problema político.

Se não há registro de patrocínio no Banco Master, de onde viriam os recursos que Flávio Bolsonaro teria pedido a Vorcaro? Quem colocaria o dinheiro? Qual empresa faria a operação? Quem receberia? Existe contrato? Há comprovantes de transferência? Quem financiaria a produção e com quais interesses?

Não adianta vender uma explicação e deixar a papelada falando outra língua. Em qualquer negócio sério, a origem dos recursos precisa ser demonstrável. Quando o assunto envolve um senador da República, um banqueiro e um filme sobre um ex-presidente, a cobrança por transparência é ainda maior.

É importante deixar claro: a certidão não prova, sozinha, que houve crime, nem revela definitivamente a origem dos recursos. Mas também não oferece o respaldo documental esperado para a versão de um patrocínio formal do conglomerado.

E aqui está o ponto: se o dinheiro não saiu oficialmente do Master para bancar o filme, quem pagaria essa conta?

A pergunta não é detalhe burocrático. É o centro da história. Se existem outros financiadores, que apareçam os documentos. Se houve intermediários, que se esclareça o papel de cada um. Se a explicação é outra, que seja apresentada com provas.

Na política brasileira, explicação nunca falta quando o dinheiro é dos outros. O problema começa quando chega a hora de mostrar os recibos.

O caso ainda exige respostas. E, até que elas apareçam, a pergunta continuará perseguindo os envolvidos: cadê o dinheiro, Flávio?