A vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, ingressou com uma queixa-crime contra os deputados estaduais Romero Albuquerque e Rodrigo Farias, ambos do PSB, além do deputado federal Júnior Matuto (Republicanos). A ação acusa os parlamentares dos crimes de calúnia e difamação em razão de um vídeo publicado nas redes sociais no dia 13 de julho.
Segundo informações divulgadas pelo Diario de Pernambuco, a defesa de Priscila afirma que o material foi produzido com recursos profissionais de edição, montagens e ferramentas de inteligência artificial para construir uma narrativa considerada ofensiva e prejudicial à imagem da vice-governadora.
O vídeo questionava a destinação de recursos públicos da área da saúde e fazia acusações de suposto direcionamento de verbas para beneficiar uma unidade hospitalar ligada ao marido de Priscila Krause. A publicação também utilizava o termo “Pixcila”, numa referência pejorativa à vice-governadora e numa tentativa de associar sua imagem a possíveis esquemas de pagamentos ilícitos e favorecimento privado.
Para os advogados da vice-governadora, o episódio ultrapassou os limites da crítica política. A defesa sustenta que houve uma ação coordenada de disseminação de conteúdo manipulado, inserida no contexto da pré-campanha eleitoral.
Ainda de acordo com os autos obtidos pelo Diario de Pernambuco, o vídeo chegou a ser questionado na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) teria reconhecido a existência de conteúdo manipulado e determinado a retirada da publicação das redes sociais.
Na queixa-crime, a defesa de Priscila argumenta que as declarações atingiram diretamente a honra da vice-governadora em razão do exercício de sua função pública. Os advogados pedem o recebimento da ação, a citação dos três parlamentares, a condenação pelos crimes apontados, além da fixação de um valor mínimo para reparação pelos danos morais e à reputação.
A defesa também solicitou a preservação das provas digitais relacionadas à publicação junto às plataformas de redes sociais.
ROMERO REBATE E DIZ QUE ESTÁ APENAS FISCALIZANDO
Entre os três parlamentares citados na ação, Romero Albuquerque já apresentou sua versão. Em declaração ao Diario de Pernambuco, o deputado afirmou que suas manifestações foram baseadas em informações oficiais e dados públicos.
Romero questionou a diferença entre os valores destinados ao Hospital Regional Dom Moura, integrante da rede estadual, e uma unidade administrada por uma instituição ligada ao marido da vice-governadora.
Segundo o parlamentar, o Hospital Regional Dom Moura teria recebido pouco mais de R$ 11 milhões no período analisado, enquanto a outra unidade teria recebido aproximadamente R$ 108 milhões no mesmo município.
Romero também afirmou que existem apurações da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades envolvendo repasses e execução de contratos, ressaltando que, segundo ele, o procedimento teria sido instaurado por iniciativa independente de seu mandato.
Para o deputado, a discussão deveria permanecer concentrada na destinação dos recursos públicos e na necessidade de esclarecimentos.
“Fiscalizar é dever constitucional do mandato e nenhuma perseguição fará este gabinete recuar da cobrança por transparência”, afirmou Romero.
A disputa agora deixa o campo exclusivamente político e passa também para a esfera judicial, colocando frente a frente a vice-governadora e três parlamentares da oposição em um momento de forte movimentação política em Pernambuco.
A palavra final sobre a existência ou não de crime caberá à Justiça.