Guardado por anos como uma verdadeira peça de coleção, o veículo permaneceu sob os cuidados de uma tradicional concessionária da Chevrolet em Pernambuco, longe das intempéries e da rotina comum dos automóveis. O carro carrega consigo o simbolismo de uma despedida: ele representa o último ano de produção da carroceria cupê do Opala, modelo que marcou gerações e consolidou-se como um dos mais emblemáticos da indústria nacional.
Equipado com o robusto motor 4.1 a álcool, de seis cilindros em linha — uma das configurações mais desejadas da época — o modelo também conta com câmbio manual, característica que reforça sua identidade clássica. A pintura vinho, mantida sem alterações, contrasta com o interior escuro, igualmente preservado, criando um conjunto que remete fielmente ao padrão de fábrica do fim dos anos 1980. Cada detalhe, do acabamento aos componentes mecânicos, permanece como saiu da linha de montagem, um feito raro mesmo entre colecionadores.
A origem dessa preservação meticulosa remonta à decisão de Severino Nunes, fundador da tradicional Caxangá Veículos, no Recife. Ao adquirir o automóvel zero quilômetro, ele tomou uma decisão incomum: não colocá-lo em circulação. O motivo foi carregado de significado — a confirmação de que aquela unidade seria a última versão cupê do Opala recebida pela concessionária. A partir daí, o carro deixou de ser apenas um produto e passou a ser tratado como um símbolo, um marco de encerramento de ciclo.
Durante anos, o Opala foi apresentado ao público apenas em ocasiões especiais, como aniversários da concessionária e eventos comemorativos, sempre despertando curiosidade e admiração. Não se tratava apenas de um automóvel antigo, mas de uma cápsula do tempo, capaz de transportar entusiastas e admiradores para uma era em que o Opala dominava as ruas e representava status, desempenho e sofisticação.
Mesmo após o falecimento de Severino Nunes, em 2012, aos 84 anos, a história do veículo continuou sendo cuidadosamente preservada por sua família. O automóvel passou a integrar o acervo mantido pelo grupo, atualmente localizado em Carpina, onde segue guardado com atenção quase museológica. Com pouco mais de 90 quilômetros rodados — número que reforça sua condição praticamente inédita — o carro deixa o repouso apenas para procedimentos básicos de conservação, garantindo o funcionamento mecânico e a integridade de seus componentes.
Mais do que um item raro, o Opala cupê 1988 preservado em Pernambuco se transformou em um verdadeiro patrimônio afetivo e histórico, refletindo uma relação singular entre o homem, a máquina e o tempo. Em um país onde poucos veículos conseguem escapar do uso cotidiano, sua existência intacta representa não apenas um feito extraordinário, mas também um testemunho vivo de uma das fases mais marcantes da indústria automobilística brasileira.