terça-feira, 6 de outubro de 2026

ANDERSON LUIZ ASSUME SECRETARIA DE GOVERNO E JÁ MEXE NO TABULEIRO POLÍTICO DE RODRIGO PINHEIRO NA CÂMARA

A mudança na Secretaria de Governo de Caruaru não ficou apenas na troca de cadeira. No primeiro dia de Anderson Luiz à frente da pasta, o prefeito Rodrigo Pinheiro já deu um recado claro de que a articulação política com a Câmara Municipal entra em uma nova fase.

Ex-candidato a deputado estadual e dono de uma votação expressiva de 31.962 votos nas últimas eleições, Anderson Luiz foi nomeado secretário de Governo nesta segunda-feira (5). O resultado das urnas também pesa no novo posto: ele foi o candidato a deputado estadual mais votado em Caruaru, demonstrando uma força política que agora será colocada à disposição da gestão municipal.

E Anderson não esperou nem esquentar a cadeira para começar a operar.

Logo no primeiro dia de trabalho, anunciou uma mudança estratégica na liderança do governo na Câmara de Vereadores. Wagner do Santa Rosa (PDT) passa a comandar a bancada governista no Legislativo, enquanto Hugo Chaves (Podemos) assume a vice-liderança.

A troca mexe diretamente na linha de frente da relação entre Prefeitura e Câmara. Na prática, Wagner passa a ser um dos principais responsáveis por defender as pautas do Executivo no plenário, conversar com os vereadores e ajudar a construir maioria para os projetos de interesse da administração.

Hugo Chaves, por sua vez, assume a vice-liderança em uma composição que busca dar mais musculatura à articulação governista dentro da Casa.

A escolha não acontece por acaso. Anderson Luiz chega à Secretaria de Governo com a missão de aproximar ainda mais o Executivo do Legislativo e transformar a articulação política em uma operação permanente, especialmente em um cenário no qual diálogo, negociação e capacidade de construir consenso fazem diferença na aprovação das matérias enviadas pela Prefeitura.

A decisão foi construída em conjunto com Rodrigo Pinheiro e representa uma aposta em nomes que, segundo o novo secretário, têm disposição para conversar e atuar na construção de entendimentos.

“Wagner e Hugo têm demonstrado disposição para o diálogo e para contribuir com a construção de uma Caruaru cada vez melhor. Essa é uma decisão construída junto ao prefeito Rodrigo Pinheiro, pensando no fortalecimento da nossa base e, principalmente, na continuidade de um diálogo responsável e produtivo com a Câmara Municipal”, afirmou Anderson.

A movimentação também coloca Anderson Luiz definitivamente no centro da articulação política da gestão Rodrigo Pinheiro. Com quase 32 mil votos obtidos em Caruaru na eleição para deputado estadual, o novo secretário chega ao governo municipal não apenas com uma função administrativa, mas carregando capital eleitoral e trânsito político.

Agora, caberá a ele fazer aquilo que nem sempre aparece nos discursos oficiais: conversar, aparar arestas, negociar e garantir que a relação entre Prefeitura e Câmara funcione sem solavancos.

Em Caruaru, o jogo político continua. E Anderson Luiz já entrou em campo mostrando que não pretende passar os primeiros dias apenas conhecendo os corredores da Prefeitura.

LIANA CIRNE VAI A BRASÍLIA E ENTRA NO JOGO NACIONAL DO PT PELA REELEIÇÃO DE LULA

A eleição acabou para as urnas, mas para o PT a disputa presidencial está apenas entrando em uma nova fase. Recém-eleita deputada federal por Pernambuco, Liana Cirne (PT) desembarca em Brasília nesta quarta-feira (7) para participar de uma articulação nacional do partido em defesa da reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno.

Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vereadora reeleita do Recife, Liana foi convocada para a reunião conjunta das bancadas do PT na Câmara e no Senado, que também contará com os novos parlamentares eleitos pela legenda. O encontro acontece às 9h, no Auditório do Diretório Nacional do PT, e terá como pauta central a organização política e eleitoral para a segunda etapa da disputa presidencial.

A movimentação mostra que Liana não pretende esperar 2027 para começar a atuar no novo espaço conquistado nas urnas. Mesmo com o mandato de deputada federal começando oficialmente no próximo ano, a petista já foi chamada para participar das decisões e estratégias nacionais do partido.

E ela chega com discurso de quem quer colocar o mandato recém-conquistado a serviço da campanha presidencial.

“A campanha não acabou. Ela só está começando. Não tem descanso enquanto a gente não eleger Lula. Não tem folga. A gente precisa estar nas ruas, dialogando com as pessoas e defendendo o projeto que acreditamos para o Brasil. Agora é trabalhar ainda mais”, afirmou Liana.

A declaração deixa claro que a deputada eleita pretende manter presença ativa nas ruas durante o segundo turno. Para o PT, o desafio agora é transformar a votação obtida no primeiro turno em uma mobilização capaz de ampliar votos para Lula e garantir a permanência do partido no comando do Palácio do Planalto.

Liana também destacou o tamanho da responsabilidade que passa a carregar depois da votação que garantiu sua eleição para a Câmara dos Deputados.

“A responsabilidade aumenta. Recebi uma votação muito expressiva do povo de Pernambuco e agora quero colocar essa força à disposição de uma construção nacional. Vamos a Brasília para organizar, articular e ajudar nessa caminhada”, declarou.

A ida à capital federal acontece apenas três dias depois da eleição e representa também a primeira participação de Liana, já na condição de deputada federal eleita, em uma reunião nacional da bancada petista com os novos parlamentares.

Nos bastidores, a presença dos eleitos é estratégica. O PT quer transformar seus novos quadros em soldados eleitorais para o segundo turno, espalhando a mobilização para os estados e ampliando a pressão política nos últimos dias da campanha.

Em Pernambuco, Liana passa a integrar a nova bancada federal do Estado e chega ao Congresso com experiência acumulada na política municipal e na universidade. Agora, antes mesmo de assumir oficialmente a cadeira em Brasília, já começa a participar de uma disputa que pode definir não apenas quem comandará o país, mas também o tamanho do espaço político do PT na próxima legislatura.

Na política, quem chega depois da eleição também precisa mostrar serviço antes da posse. E Liana já recebeu a primeira convocação.

LIANA CIRNE VAI A BRASÍLIA E ENTRA NO JOGO NACIONAL DO PT PELA REELEIÇÃO DE LULA

A eleição acabou para as urnas, mas para o PT a disputa presidencial está apenas entrando em uma nova fase. Recém-eleita deputada federal por Pernambuco, Liana Cirne (PT) desembarca em Brasília nesta quarta-feira (7) para participar de uma articulação nacional do partido em defesa da reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno.

Professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vereadora reeleita do Recife, Liana foi convocada para a reunião conjunta das bancadas do PT na Câmara e no Senado, que também contará com os novos parlamentares eleitos pela legenda. O encontro acontece às 9h, no Auditório do Diretório Nacional do PT, e terá como pauta central a organização política e eleitoral para a segunda etapa da disputa presidencial.

A movimentação mostra que Liana não pretende esperar 2027 para começar a atuar no novo espaço conquistado nas urnas. Mesmo com o mandato de deputada federal começando oficialmente no próximo ano, a petista já foi chamada para participar das decisões e estratégias nacionais do partido.

E ela chega com discurso de quem quer colocar o mandato recém-conquistado a serviço da campanha presidencial.

“A campanha não acabou. Ela só está começando. Não tem descanso enquanto a gente não eleger Lula. Não tem folga. A gente precisa estar nas ruas, dialogando com as pessoas e defendendo o projeto que acreditamos para o Brasil. Agora é trabalhar ainda mais”, afirmou Liana.

A declaração deixa claro que a deputada eleita pretende manter presença ativa nas ruas durante o segundo turno. Para o PT, o desafio agora é transformar a votação obtida no primeiro turno em uma mobilização capaz de ampliar votos para Lula e garantir a permanência do partido no comando do Palácio do Planalto.

Liana também destacou o tamanho da responsabilidade que passa a carregar depois da votação que garantiu sua eleição para a Câmara dos Deputados.

“A responsabilidade aumenta. Recebi uma votação muito expressiva do povo de Pernambuco e agora quero colocar essa força à disposição de uma construção nacional. Vamos a Brasília para organizar, articular e ajudar nessa caminhada”, declarou.

A ida à capital federal acontece apenas três dias depois da eleição e representa também a primeira participação de Liana, já na condição de deputada federal eleita, em uma reunião nacional da bancada petista com os novos parlamentares.

Nos bastidores, a presença dos eleitos é estratégica. O PT quer transformar seus novos quadros em soldados eleitorais para o segundo turno, espalhando a mobilização para os estados e ampliando a pressão política nos últimos dias da campanha.

Em Pernambuco, Liana passa a integrar a nova bancada federal do Estado e chega ao Congresso com experiência acumulada na política municipal e na universidade. Agora, antes mesmo de assumir oficialmente a cadeira em Brasília, já começa a participar de uma disputa que pode definir não apenas quem comandará o país, mas também o tamanho do espaço político do PT na próxima legislatura.

Na política, quem chega depois da eleição também precisa mostrar serviço antes da posse. E Liana já recebeu a primeira convocação.

PSD FICA NEUTRO ENTRE LULA E FLÁVIO E LIBERA BASES PARA ESCOLHER CAMINHO NO SEGUNDO TURNO

Decisão de Gilberto Kassab preserva alianças regionais e deixa governadores, parlamentares e diretórios livres para apoiar Lula ou Flávio Bolsonaro; em Pernambuco, posição de Raquel Lyra ganha ainda mais peso

O PSD decidiu não vestir a camisa de nenhum dos dois candidatos que sobreviveram à disputa presidencial de 2026. Depois de ver Ronaldo Caiado terminar o primeiro turno em quarto lugar, com 2,18% dos votos válidos, o partido comandado nacionalmente por Gilberto Kassab anunciou neutralidade no segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Na prática, o PSD não terá candidato oficial na disputa presidencial e também não vai impor uma orientação nacional aos seus filiados. Cada diretório estadual, parlamentar, governador, prefeito, liderança ou militante poderá escolher de que lado ficará na disputa marcada para 25 de outubro.

A decisão foi anunciada por Kassab na noite do domingo (4), poucas horas depois da confirmação do segundo turno. Em nota oficial, o presidente nacional da legenda argumentou que a posição é consequência da própria estratégia adotada pelo partido durante a eleição, já que as estruturas estaduais tiveram liberdade para construir alianças diferentes de acordo com a realidade política de cada região. 

A conta política é simples: o PSD não quer transformar uma eleição presidencial em uma camisa de força capaz de comprometer seus interesses nos estados.

E aí está a parte mais importante da decisão.

O PSD chega ao segundo turno dividido. Há setores da legenda mais próximos de Lula, especialmente em estados do Norte e Nordeste, enquanto grupos do Centro-Oeste, Sul e Sudeste possuem maior afinidade com a candidatura de Flávio Bolsonaro. Uma decisão nacional por um dos dois lados poderia criar problemas justamente onde o partido construiu alianças locais diferentes ao longo dos últimos anos. 

CAIADO SAI DA DISPUTA, MAS PSD SAI GRANDE DO PRIMEIRO TURNO

Ronaldo Caiado foi a aposta presidencial do PSD em sua primeira candidatura nacional. O resultado, porém, ficou muito abaixo do que o partido pretendia.

O ex-governador de Goiás terminou o primeiro turno com aproximadamente 2,18% dos votos válidos e não conseguiu entrar na briga pelo segundo turno. A candidatura também não conseguiu furar a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, que concentrou a maior parte do eleitorado.

Mesmo assim, Kassab tratou de separar o desempenho presidencial do resultado geral da legenda.

O PSD elegeu 43 deputados federais, dois senadores e quatro governadores no primeiro turno. Além disso, Omar Aziz disputa o segundo turno no Amazonas e Eduardo Paes está na disputa pelo Governo do Rio de Janeiro. Nas Assembleias Legislativas, a legenda elegeu 103 deputados estaduais. 

O partido também chega ao pós-eleição com uma estrutura municipal robusta. São cerca de 1.350 prefeitos e aproximadamente 7 mil vereadores espalhados pelo país, segundo o próprio PSD.

Ou seja: Caiado não conseguiu chegar ao segundo turno, mas Kassab continua sentado sobre uma máquina política considerável.

E é justamente essa estrutura que agora está sendo colocada à disposição das diferentes realidades estaduais.

KASSAB NÃO QUER PAGAR A CONTA DE UMA ESCOLHA NACIONAL

A neutralidade também pode ser lida como uma decisão pragmática de Gilberto Kassab.

Se o PSD escolhesse Lula, correria o risco de criar um problema com lideranças de direita que integram seus quadros. Se escolhesse Flávio, poderia provocar desconforto entre governadores, prefeitos e parlamentares que possuem relações políticas com o governo Lula.

Ao liberar todos, Kassab preserva a legenda para qualquer que seja o resultado de 25 de outubro.

É uma velha lógica da política brasileira: quando não é possível controlar o resultado, tenta-se preservar espaço com os dois lados.

Na nota divulgada após o primeiro turno, Kassab lamentou a derrota de Caiado e afirmou que o país perdeu uma oportunidade ao não escolher o candidato do PSD. Ao mesmo tempo, deixou claro que a legenda continuará trabalhando independentemente de quem vencer a eleição presidencial. 

O partido, portanto, abandona a disputa presidencial como legenda organizada e entra no segundo turno como uma espécie de federação informal de interesses regionais.

Cada estado seguirá seu próprio caminho.

EM PERNAMBUCO, RAQUEL LYRA GANHA AINDA MAIS LIBERDADE

É justamente nesse ponto que Pernambuco entra no radar.

Reeleita governadora pelo PSD, Raquel Lyra tem sinalizado que não pretende simplesmente seguir uma orientação nacional para declarar apoio no segundo turno. A governadora vem resistindo a assumir uma posição automática entre Lula e Flávio Bolsonaro, o que agora se torna mais confortável diante da decisão tomada por Kassab. 

A situação é politicamente delicada.

Raquel manteve relação institucional com Lula durante o primeiro mandato e recebeu investimentos e ações federais em Pernambuco. Ao mesmo tempo, construiu uma trajetória política própria e, depois da reeleição, não demonstrou disposição para transformar o PSD pernambucano em uma extensão da campanha presidencial petista.

Com a neutralidade nacional do PSD, a governadora ganha margem para decidir o próprio posicionamento sem precisar enfrentar uma determinação formal da direção nacional.

E isso vale não apenas para Raquel.

Deputados estaduais e federais, prefeitos, lideranças e demais integrantes do partido também estão liberados para tomar suas próprias decisões.

Em Pernambuco, portanto, o PSD poderá ter integrantes defendendo Lula, outros apoiando Flávio e alguns preferindo ficar neutros.

Tudo dentro da regra estabelecida pelo próprio partido.

UMA ELEIÇÃO DENTRO DA ELEIÇÃO

O segundo turno começa, assim, com uma disputa que não será apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Será também uma corrida pelos apoios daqueles que ficaram pelo caminho.

Os votos de Caiado, somados aos de outros candidatos que não chegaram à segunda etapa, passaram a ser cobiçados pelas duas campanhas. O PSD, entretanto, decidiu não entregar esse patrimônio eleitoral em um pacote fechado.

Cada liderança terá sua própria negociação.

A estratégia evita que Kassab tenha de escolher um lado nacionalmente e, ao mesmo tempo, permite que seus quadros regionais negociem de acordo com seus interesses políticos.

Não por acaso, a decisão foi tomada logo após a consolidação do primeiro turno.

A diferença entre Lula e Flávio é suficientemente apertada para transformar qualquer apoio relevante em ativo eleitoral. Segundo dados divulgados após a apuração, os dois chegaram ao segundo turno separados por pouco mais de dois milhões de votos. Somados, os votos recebidos por Caiado e Renan Santos ultrapassaram essa diferença. 

Isso explica por que as próximas semanas serão marcadas por uma verdadeira corrida aos partidos e lideranças que ficaram fora da disputa presidencial.

O PSD PODE SER NEUTRO, MAS SEUS POLÍTICOS NÃO PRECISAM SER

A decisão de Kassab não significa que o PSD ficará completamente distante da campanha.

Significa que o partido, enquanto direção nacional, não vai pedir voto oficialmente para Lula ou Flávio.

Os seus políticos, porém, podem fazer exatamente o contrário.

Governadores poderão declarar apoio. Prefeitos poderão participar de atos. Parlamentares poderão subir em palanques. Diretórios estaduais poderão construir alianças. Filiados poderão fazer campanha.

Tudo está liberado.

Um exemplo já aparece no Rio Grande do Sul. O governador Eduardo Leite, também do PSD, afirmou que tende à neutralidade pessoal no segundo turno, embora ainda fosse discutir a questão com o partido. Em Pernambuco, Raquel Lyra também aparece entre as principais lideranças do PSD que não demonstraram disposição de embarcar automaticamente em uma das candidaturas presidenciais. 

Isso mostra como a neutralidade de Kassab não é apenas uma decisão burocrática.

Ela reflete a própria diversidade interna do partido.

UM PSD MAIS FORTE NO CONGRESSO E NOS ESTADOS

Apesar do tropeço de Caiado, o PSD termina o primeiro turno com motivos para comemorar.

A legenda recebeu 9,39 milhões de votos para deputado federal e cresceu 13% em relação a 2022. Passou a ocupar a terceira posição entre os partidos mais votados para a Câmara e elegeu representantes em 17 estados. 

Nas Assembleias Legislativas, o crescimento foi ainda mais expressivo: foram 11,48 milhões de votos e 103 deputados eleitos, 24 a mais que em 2022.

Nos governos estaduais, o PSD também ampliou sua presença.

Em Pernambuco, Raquel Lyra foi reeleita com 53,27% dos votos válidos. Fábio Mitidieri venceu novamente em Sergipe, enquanto Eduardo Braide conquistou o Maranhão e Antônio Furlan venceu no Amapá. Omar Aziz e Eduardo Paes continuam na disputa pelo segundo turno no Amazonas e no Rio de Janeiro. 

Portanto, o partido perdeu a eleição presidencial, mas ganhou musculatura regional.

E essa musculatura será importante para o próximo governo, seja ele comandado por Lula ou por Flávio Bolsonaro.

A CARTA DE KASSAB PARA 2027

Por trás da neutralidade existe também uma aposta para o futuro.

O PSD não sabe quem ocupará o Palácio do Planalto a partir de 1º de janeiro de 2027. Mas sabe que terá uma bancada relevante no Congresso, governadores, deputados estaduais, prefeitos e uma estrutura municipal espalhada pelo país.

Manter as portas abertas para os dois lados pode ser mais interessante do que escolher antecipadamente um vencedor.

Se Lula ganhar, o PSD poderá apresentar seus governadores e parlamentares como aliados disponíveis para uma composição institucional.

Se Flávio Bolsonaro vencer, a mesma legenda poderá argumentar que não fez oposição ao novo governo e que seus quadros estavam livres para apoiar o candidato eleito.

É o velho centro político fazendo aquilo que sabe fazer melhor: sobreviver às mudanças de vento.

E AGORA?

A decisão do PSD coloca seus principais líderes estaduais diante de uma escolha individual.

Em Pernambuco, a atenção se volta especialmente para Raquel Lyra. Reeleita com uma votação expressiva, dona de uma estrutura política ampliada e agora respaldada pela neutralidade nacional do próprio partido, a governadora terá liberdade para decidir se entra na campanha de Lula, se se aproxima de Flávio Bolsonaro ou se permanece fora da disputa presidencial.

E qualquer uma das três opções terá consequência política.

A neutralidade de Kassab, portanto, não encerra a discussão.

Pelo contrário.

Ela abre espaço para uma nova rodada de negociações nos estados.

O PSD não escolheu Lula.

Também não escolheu Flávio.

Escolheu deixar cada pedaço do partido escolher o seu próprio caminho.

E, no segundo turno mais polarizado da eleição, essa liberdade pode valer tanto quanto um apoio formal.

A decisão oficial do PSD e a repercussão nacional confirmam esse desenho: neutralidade nacional, liberdade estadual e forte preservação da autonomia política das lideranças. 

JOEL DA HARPA SE DESPEDE DA ALEPE E AGRADECE OS VOTOS RECEBIDOS POR TRÊS MANDATOS

Depois de três mandatos na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), Joel da Harpa está deixando o Parlamento estadual, mas sinaliza que não pretende abandonar a política. Sem conseguir a reeleição, o deputado usou as redes sociais para agradecer aos eleitores e fazer um balanço da trajetória construída desde os tempos em que era soldado da Polícia Militar, em Jaboatão dos Guararapes, até chegar ao plenário da Alepe.

A segurança pública foi, sem dúvida, a principal marca dos mandatos de Joel. O parlamentar transformou a defesa dos policiais e bombeiros militares em uma das suas bandeiras permanentes, cobrando mudanças nas faixas salariais, aumento de efetivo, criação de novas unidades e medidas de valorização das categorias.

Ao longo desse período, também destinou recursos para estruturas ligadas à segurança. Entre as ações estão R$ 108,2 mil para a reforma do Hospital da Polícia Militar de Pernambuco e, em outro exercício, R$ 1 milhão em emendas para a mesma unidade. Mais recentemente, uma emenda de sua autoria garantiu equipamentos para o Centro Odontológico do Hospital da PMPE.

Joel também levou suas cobranças para dentro das instituições ligadas à própria Polícia Militar. No Colégio da Polícia Militar de Pernambuco, defendeu que os profissionais da unidade fossem contemplados com o reajuste concedido aos demais professores da rede estadual.

No interior, outra frente de atuação apareceu na destinação de recursos para a tropa. Em 2026, foram destinados R$ 380 mil para a compra de uma van para o transporte dos policiais da 7ª Companhia Independente da Polícia Militar (7ª CIPM), em Santa Maria da Boa Vista. A emenda está vinculada à área de Segurança Pública e à Secretaria de Defesa Social.

Em Petrolina, Joel também destinou R$ 100 mil para a reforma e ampliação do Grêmio do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco.

Mas a atuação do deputado não ficou restrita à pauta da segurança. Na reta final do mandato, Joel relembrou outras bandeiras que marcaram sua passagem pela Alepe, entre elas a defesa da família, políticas voltadas às crianças atípicas e a discussão em torno da regulamentação e organização da atividade dos flanelinhas.

Agora, fora da Assembleia, Joel da Harpa diz que pretende continuar participando do debate político pernambucano. A diferença é que, a partir de agora, será sem mandato.

“Não como mandato, mas agora como cidadão, continuarei defendendo, sobretudo, a política de Pernambuco”, afirmou.

A derrota eleitoral encerra um ciclo de três mandatos, mas não necessariamente a trajetória política de Joel da Harpa. Pelo discurso de despedida, ele pretende continuar ocupando espaço e defendendo suas bandeiras, mesmo sem uma cadeira no plenário da Alepe.

PEDRO CAMPOS TURBINA VOTAÇÃO E ANUNCIA CORPO A CORPO POR LULA EM PERNAMBUCO

Reeleito com uma votação expressiva de 261.555 votos, o deputado federal Pedro Campos (PSB) já definiu sua primeira missão depois das urnas: entrar de cabeça na campanha do presidente Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial.

O parlamentar, que foi o deputado federal mais votado de Pernambuco e também alcançou a maior votação entre os deputados do campo progressista nas regiões Norte e Nordeste, pretende percorrer diferentes regiões do Estado para pedir votos e mobilizar eleitores em favor da candidatura de Lula.

Pedro Campos afirmou que encara o resultado eleitoral não apenas como uma demonstração de força política, mas também como uma responsabilidade para os próximos anos.

“Recebo essa votação com muita gratidão, mas, sobretudo, com muita responsabilidade. O povo de Pernambuco me deu a missão de continuar trabalhando e, agora, temos uma tarefa ainda maior: estar ao lado do presidente Lula, correndo Pernambuco inteiro”, afirmou.

A movimentação coloca Pedro em uma posição estratégica dentro do PSB pernambucano. Com mais de 261 mil votos, o deputado sai das urnas fortalecido e pretende transformar o tamanho da votação em presença política durante a reta decisiva da eleição presidencial.

A estratégia será levar a campanha para as ruas, especialmente em um momento em que Pernambuco e o Nordeste continuam sendo considerados territórios fundamentais para a disputa nacional.

Durante o primeiro mandato, Pedro Campos ganhou espaço na Câmara dos Deputados e passou a ocupar posições de destaque na articulação política. Como líder do PSB e vice-líder do governo na Câmara, participou das discussões de projetos ligados ao governo Lula e a pautas sociais, como o Pé-de-Meia, o Gás do Povo, a reforma tributária e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Também teve atuação na defesa da Tarifa Social de Água e Esgoto e da redução da jornada de trabalho, incluindo o debate sobre o fim da escala 6x1.

VOTAÇÃO QUE ACENDE O SINAL DE FORÇA

O resultado de 2026 representa um salto considerável em relação à primeira eleição de Pedro Campos para a Câmara.

Em 2022, ele recebeu 172.526 votos. Agora, chegou a 261.555, um crescimento superior a 50%.

A votação consolida o nome do deputado como uma das principais forças eleitorais do PSB pernambucano e amplia seu espaço dentro do campo político ligado ao presidente Lula.

Pedro também destacou resultados de seu primeiro mandato, entre eles a atuação como relator da Tarifa Social de Água e Esgoto, que estabeleceu desconto superior a 50% para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico.

Na área social, o deputado ainda participou das discussões envolvendo a ampliação da licença-paternidade e a criação do salário-paternidade.

Agora, porém, a prioridade mudou de pauta. Com o mandato renovado e uma votação que chamou atenção, Pedro Campos quer colocar a máquina política para funcionar no segundo turno.

“Vamos colocar toda nossa energia na caminhada ao lado de Lula. Temos uma eleição pela frente e uma tarefa importante para o Brasil”, afirmou.

Na política, o recado das urnas foi claro: Pedro Campos saiu maior da eleição. Agora, quer usar esse tamanho para ajudar Lula a vencer a disputa presidencial em Pernambuco.

COM MAIS DE 71 MIL VOTOS, EDILSON TAVARES SE CONSOLIDA COMO LIDERANÇA NO POLO DAS CONFECÇÕES

Ex-prefeito de Toritama amplia presença política em Pernambuco e conquista votação expressiva em municípios do Agreste
Edilson Tavares (PP) encerrou a disputa para deputado federal com mais de 71 mil votos e uma presença política que ultrapassa os limites de Toritama, município que governou por dois mandatos. O resultado fortalece sua projeção no Agreste, especialmente nas cidades que integram o Polo das Confecções de Pernambuco.

Durante a campanha, Edilson apresentou os resultados de sua experiência à frente da Prefeitura de Toritama, e a defesa do Polo de Confecções, como principais credenciais para conquistar a confiança dos pernambucanos. No município, recebeu mais de 19 mil votos, o que totaliza 68,72% dos votos válidos na Capital do Jeans, reafirmando a força política construída ao longo de suas duas gestões.

Em Caruaru, foram mais de 9 mil votos, além de ótimos desempenhos em Santa Cruz do Capibaribe, Brejo da Madre de Deus, Taquaritinga do Norte e Vertentes, municípios que ampliaram a base de apoio do ex-prefeito na região. Edilson recebeu votos em todos os municípios pernambucanos, com exceção de Brejinho. A distribuição aponta para a ampliação do alcance de seu nome no estado.

“Fizemos uma campanha limpa, com propostas claras, e só tenho a agradecer pela expressiva votação que tivemos no Agreste, em especial no Polo das Confecções. Nossa luta continua”, finalizou Edilson.

PREFEITOS MEDIRAM FORÇA NAS URNAS E TRANSFORMARAM PODER MUNICIPAL EM MANDATOS

As urnas de 2026 deixaram uma mensagem bem clara em Pernambuco: prefeito que tem grupo político forte não se limita a administrar prefeitura. Também quer mandar na Assembleia Legislativa, em Brasília e, quando possível, colocar a própria família no jogo.

A eleição para deputado estadual e federal virou uma espécie de teste de musculatura para prefeitos de várias regiões do Estado. Alguns provaram que conseguem transferir votos e eleger aliados, filhos, esposas, maridos e irmãos. Outros descobriram, da forma mais dura possível, que o eleitorado municipal não é propriedade particular de ninguém.

Em Jaboatão dos Guararapes, o prefeito Mano Medeiros (PSD) saiu das urnas com um resultado expressivo. A esposa, Andréa Medeiros, estreou na política eleitoral e conquistou uma cadeira na Alepe com 49.263 votos. Só no município administrado pelo marido foram cerca de 33 mil votos. Um recado direto de que o grupo Medeiros tem força eleitoral no segundo maior colégio eleitoral de Pernambuco.

No Cabo de Santo Agostinho, a força familiar também funcionou. Batista Cabral (PSB), irmão do prefeito Lula Cabral (SD), garantiu uma vaga na Assembleia com cerca de 73 mil votos. A votação colocou o nome do grupo entre os vencedores da disputa estadual.

Em Ipojuca, a operação eleitoral foi ainda mais robusta. O prefeito Carlos Santana (Republicanos) conseguiu eleger a filha, Lara Santana (PV), para a Alepe. E não foi com votação apertada. Lara recebeu 104.652 votos, uma das maiores marcas da eleição para deputado estadual. A cidade administrada pelo pai foi o principal motor da candidatura.

Lara, aliás, chega à Assembleia para ocupar o espaço político que já pertenceu à mãe, Simone Santana (PSB). Na política pernambucana, a cadeira muda de ocupante, mas continua dentro de casa.

No Litoral Norte, Júnior de Irmã Teca (PSD), prefeito de Itapissuma, também mostrou que o sobrenome continua sendo patrimônio eleitoral. O gestor apoiou o irmão e ex-prefeito Zé de Irmã Teca (PSD), que foi eleito deputado estadual com mais de 43 mil votos.

Em Serra Talhada, a prefeita Márcia Conrado (PT) também conseguiu levar o projeto familiar para a Alepe. O marido, Breno Araújo (PT), recebeu 47.722 votos e conquistou uma das 49 cadeiras do Legislativo estadual. Cerca de 15 mil votos vieram justamente do município administrado pela prefeita.

No Sertão de Itaparica, Petrolândia também entrou nessa conta. O prefeito Fabiano Marques (Republicanos) conseguiu eleger o filho, Bruno Marques (PSB), para deputado estadual.

Em Floresta, a família Maniçoba manteve seu espaço. Kaio Maniçoba (PP), filho da prefeita Rorró Maniçoba (PP), foi reeleito para a Assembleia. O resultado preserva a presença do grupo político na Alepe.

Garanhuns também confirmou a força do grupo comandado pelo prefeito Sivaldo Albino (PSB). Cayo Albino (PSB), filho do gestor, conquistou definitivamente uma cadeira na Alepe com 60.753 votos. Ele já havia exercido o mandato duas vezes como suplente durante a atual legislatura e agora chega ao cargo de titular eleito pelas urnas.

O mapa mostra que, em diferentes regiões de Pernambuco, a eleição serviu para consolidar verdadeiros núcleos familiares de poder. São prefeitos que não apenas disputaram a própria influência, mas utilizaram a estrutura política construída nos municípios para projetar parentes para o Legislativo.

E quando a conta chega a Brasília, a história não é muito diferente.

Em Surubim, o prefeito Cléber Chaparral (União Brasil) viu a esposa, Juliana de Chaparral (União Brasil), conquistar uma das maiores votações de Pernambuco para a Câmara dos Deputados. Foram impressionantes 183.089 votos.

Em Vitória de Santo Antão, Paulo Roberto (MDB) conseguiu reelegar a filha, Iza Arruda (MDB), para a Câmara Federal. Iza já havia conquistado o mandato em 2022 e agora garantiu mais quatro anos em Brasília. O outro filho do prefeito, Túlio Arruda, entretanto, tentou uma vaga na Alepe e acabou ficando pelo caminho.

Petrolina apresentou um cenário ainda mais emblemático. O grupo político ligado ao prefeito Simão Durando (União Brasil) conseguiu garantir Fernando Filho (União Brasil) novamente na Câmara dos Deputados e Antonio Coelho (União Brasil) na Assembleia Legislativa.

Mas nem todo mundo da família passou pelo crivo das urnas. Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina e irmão dos dois eleitos, tentou chegar à Câmara Federal, mas não conseguiu.

E é justamente aí que está o detalhe mais importante dessa eleição: sobrenome ajuda, estrutura ajuda, prefeitura ajuda, grupo político ajuda. Mas nada disso garante mandato.

Em Olinda, a prefeita Mirella Almeida (PSD) não conseguiu transformar seu apoio em uma vaga para o ex-prefeito Professor Lupércio (PSD). Depois de dois mandatos à frente da Prefeitura, Lupércio tentou retornar à política pela porta da Alepe, mas ficou fora da lista dos eleitos.

Em Abreu e Lima, o prefeito Flávio Gadelha (PSB) também não conseguiu eleger o filho, Flávio Gadelha Filho (MDB), para a Assembleia.

O mesmo aconteceu em Moreno. Edmilson Cupertino (PP) apoiou o filho, Tierry Cupertino (PP), mas o projeto familiar não alcançou votos suficientes para garantir uma cadeira na Alepe.

Na Zona da Mata, Henrique Queiroz (PP) também sofreu um revés. O prefeito de Buenos Aires não conseguiu manter o filho, Henrique Queiroz Filho (PP), na Assembleia. O deputado estadual buscava a reeleição, mas ficou fora da nova composição da Casa.

Em Caruaru, outro exemplo de que prefeitura não é urna particular. O prefeito Rodrigo Pinheiro (PSDB) apoiou o secretário municipal de Articulação Social, Anderson Luiz (PSD), na corrida pela Alepe. O candidato, porém, não conseguiu se eleger.

No fim das contas, a eleição de 2026 deixou duas lições políticas bem claras.

A primeira é que prefeitos continuam sendo peças fundamentais na montagem das chapas e na transferência de votos. Quem controla uma máquina municipal organizada, tem grupo, lideranças e presença nos bairros e comunidades pode fazer a diferença numa eleição proporcional.

A segunda é que o eleitor também sabe dizer não. Em vários municípios, estruturas poderosas foram colocadas à prova e não conseguiram produzir o resultado esperado.

Pernambuco sai das urnas com uma nova fotografia do poder. Famílias tradicionais ampliaram espaços, novos sobrenomes chegaram à Alepe e Brasília e alguns grupos conseguiram transformar prefeitura em trampolim eleitoral.

Mas também houve prefeito que descobriu que apoio político tem limite.

Porque, no final, quem aperta o botão é o eleitor. E sobrenome nenhum vota sozinho.