sábado, 17 de outubro de 2026

PERNAMBUCO AMPLIA REDE DE ESCOLAS TÉCNICAS ESTADUAIS COM 15 NOVAS UNIDADES A PARTIR DE 2027

Expansão prevê 7.830 novas vagas em cursos técnicos, distribuídas em 13 municípios, e marca a primeira etapa da implantação de 30 novas ETEs
O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE), ampliará a oferta de Escolas Técnicas (ETEs) com a transformação de 15 Escolas de Referência em Ensino Médio (Erems) em unidades de educação profissional. A medida foi publicada neste sábado (17), no Diário Oficial do Estado, e integra a primeira etapa da implantação de 30 novas ETEs previstas para Pernambuco.

Para a governadora Raquel Lyra, “ampliar a oferta de Escolas Técnicas Estaduais é investir em uma educação pública que prepara os jovens pernambucanos para o futuro, unindo formação, qualificação profissional e novas oportunidades. É garantir, ainda, que mais jovens tenham condições de construir seus próprios projetos de vida e de trabalho”.

A partir de 2027, a rede passará de 58 para 73 escolas técnicas, com a oferta de 7.830 novas vagas em cursos de educação profissional. Desse total, 2.610 serão destinadas ao ensino médio integrado e 5.220 aos cursos subsequentes, voltados a quem já concluiu o ensino médio. 

No ensino médio integrado, as novas unidades iniciarão a oferta pelo 1ª ano, em 2027. As 2.610 vagas correspondem a 20,9% das 12.495 vagas previstas para essa modalidade no edital de 2027. Nos anos seguintes, a oferta avançará para as 2ª e 3ª séries, até alcançar 7.830 matrículas no ensino médio integrado em 2029.

As 15 novas ETEs estarão distribuídas em 13 municípios e 12 Gerências Regionais de Educação (GREs), contemplando diferentes regiões, do Litoral ao Sertão do São Francisco. Dez unidades ficarão no interior do estado. Oito municípios receberão uma ETE pela primeira vez: Afogados da Ingazeira, Feira Nova, Macaparana, Panelas, Parnamirim, Santa Maria da Boa Vista, São Caetano e Sirinhaém. Já Gravatá, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Palmares e Recife, que já contam com ETEs, serão contemplados com novas unidades.

O secretário de Educação de Pernambuco, Gilson Monteiro, destacou que a ampliação representa um novo avanço para a educação profissional no estado. Segundo ele, a conversão das escolas foi planejada ao longo de mais de um ano, considerando a estrutura e a capacidade das unidades de ensino. “É um novo salto de qualidade para o ensino técnico em Pernambuco, que vai ampliar as oportunidades de formação e qualificação profissional para os jovens pernambucanos”, ressaltou.

Cursos técnicos atendem às demandas locais
A definição dos cursos técnicos levou em consideração as vocações econômicas de cada território, buscando aproximar a formação dos estudantes das oportunidades de trabalho existentes e das demandas futuras de cada região.

Serão ofertados 14 cursos, abrangendo áreas, como Tecnologia da Informação e Comunicação; Gestão e Negócios; Infraestrutura, Indústria e Segurança; e Saúde, Meio Ambiente e Agronegócio. Entre as formações estão Desenvolvimento de Sistemas, Redes de Computadores, Multimídia, Administração, Logística, Comércio Exterior, Marketing, Segurança do Trabalho, Edificações, Eletrotécnica, Farmácia, Nutrição e Dietética, Meio Ambiente e Agronegócio.

Cada escola ofertará dois cursos técnicos, com exceção da ETE Poeta Manuel Bandeira, que contará com um curso. No ensino médio integrado, serão disponibilizadas 90 vagas por curso. As mesmas formações também serão ofertadas na modalidade subsequente, com duas entradas ao longo de 2027.

Confira a lista completa das novas ETEs:

ETE Professora Ione de Goes Barros — Afogados da Ingazeira
ETE Professora Marilene Chaves Santana — Feira Nova
ETE Professor Antônio Farias — Gravatá
ETE Augusto Severo — Jaboatão dos Guararapes
ETE Professora Benedita de Morais Guerra — Macaparana
ETE Guedes Alcoforado — Olinda
ETE da Fraternidade Palmarense — Palmares
ETE de Panelas — Panelas
ETE Odorico Melo — Parnamirim
ETE Dom Sebastião Leme — Recife
ETE Poeta Manuel Bandeira — Recife
ETE Senador Paulo Guerra — Recife
ETE Professora Edite Matos — Santa Maria da Boa Vista
ETE Agamenon Magalhães — São Caetano
ETE Doutor Eurico Chaves — Sirinhaém

CADÊ O DINHEIRO, FLÁVIO? LIQUIDANTE DO MASTER NÃO ENCONTRA RASTRO DE PATROCÍNIO PARA FILME DE BOLSONARO

A versão do patrocínio bancário tropeça na certidão oficial. Se o dinheiro não aparece nos registros do Master, quem bancaria o filme de Jair Bolsonaro? A pergunta está feita. Agora, falta a resposta.

A história do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, ganhou um capítulo indigesto para quem precisa explicar a origem dos recursos da produção. O liquidante do Banco Master informou, em certidão datada de 13 de outubro, que não encontrou documentos, contratos ou registros contábeis que comprovem patrocínio, financiamento ou transferência de dinheiro do conglomerado bancário para o longa.

O documento foi obtido após requerimento do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e atinge em cheio a versão de que os recursos solicitados por Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro teriam relação com um patrocínio institucional do banco.

Traduzindo sem rodeios: o patrocínio foi apresentado como explicação, mas o rastro documental não apareceu nos registros examinados.

E dinheiro não costuma desaparecer por mágica. Quando alguém pede recursos, alguém precisa explicar de onde eles sairiam, por qual caminho passariam e quem assumiria a conta.

A certidão informa que não foram identificadas operações para financiar o filme, nem diretamente pelas instituições do conglomerado nem por meio de terceiros, dentro dos limites da análise. Também não foram localizadas operações relacionadas à produção envolvendo o Havengate Development Fund LP.

Sobre a Entre Investimentos e Participações, o liquidante alegou o sigilo bancário para não fornecer informações sobre operações financeiras. Portanto, a documentação apresentada não esclarece todos os possíveis caminhos do dinheiro.

É justamente aí que começa o problema político.

Se não há registro de patrocínio no Banco Master, de onde viriam os recursos que Flávio Bolsonaro teria pedido a Vorcaro? Quem colocaria o dinheiro? Qual empresa faria a operação? Quem receberia? Existe contrato? Há comprovantes de transferência? Quem financiaria a produção e com quais interesses?

Não adianta vender uma explicação e deixar a papelada falando outra língua. Em qualquer negócio sério, a origem dos recursos precisa ser demonstrável. Quando o assunto envolve um senador da República, um banqueiro e um filme sobre um ex-presidente, a cobrança por transparência é ainda maior.

É importante deixar claro: a certidão não prova, sozinha, que houve crime, nem revela definitivamente a origem dos recursos. Mas também não oferece o respaldo documental esperado para a versão de um patrocínio formal do conglomerado.

E aqui está o ponto: se o dinheiro não saiu oficialmente do Master para bancar o filme, quem pagaria essa conta?

A pergunta não é detalhe burocrático. É o centro da história. Se existem outros financiadores, que apareçam os documentos. Se houve intermediários, que se esclareça o papel de cada um. Se a explicação é outra, que seja apresentada com provas.

Na política brasileira, explicação nunca falta quando o dinheiro é dos outros. O problema começa quando chega a hora de mostrar os recibos.

O caso ainda exige respostas. E, até que elas apareçam, a pergunta continuará perseguindo os envolvidos: cadê o dinheiro, Flávio?

ARCOVERDE RECEBE CARRETA DA SAÚDE DA MULHER COM MAMOGRAFIAS, ULTRASSONOGRAFIAS E EXAMES DE COLOPOSCOPIA

Unidade ficará na Praça Winston Siqueira, no Centro, com início dos atendimentos nesta segunda-feira (19), feriado, priorizando mulheres que já aguardam na fila de regulação do município.

A saúde da mulher ganha um reforço importante em Arcoverde. A partir desta segunda-feira (19), a Carreta da Saúde da Mulher começa a realizar atendimentos no município, levando exames especializados para mais perto da população e ampliando o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças.

A unidade móvel é resultado de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Governo de Pernambuco e a Prefeitura de Arcoverde, por meio da Secretaria Municipal de Saúde. A carreta ficará instalada na Praça Winston Siqueira, no Centro da cidade, e a previsão é que permaneça no município até o final de outubro.

O início dos atendimentos está marcado para uma segunda-feira, mesmo sendo feriado, com prioridade para as pacientes que já estão na fila de regulação e entregaram seus encaminhamentos à Secretaria Municipal de Saúde.

ATÉ 70 MAMOGRAFIAS POR DIA

A estrutura chega com capacidade para realizar até 70 mamografias por dia. A programação também contempla 40 ultrassonografias transvaginais e pélvicas e outras 10 ultrassonografias de mama, conforme a oferta informada para a unidade.

Além desses procedimentos, a carreta disponibiliza exames de colposcopia, ampliando a assistência especializada voltada à saúde feminina.

A iniciativa busca reduzir a demanda reprimida, diminuir o tempo de espera e facilitar o acesso das mulheres a exames fundamentais para a identificação precoce de alterações e doenças.

QUEM JÁ ESTÁ NA FILA DEVE AGUARDAR O CONTATO

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as mulheres que já entregaram seus encaminhamentos na regulação municipal serão chamadas para a realização dos exames. A orientação é aguardar o contato da equipe e as informações referentes ao agendamento.

Já as pacientes que precisam dos procedimentos, mas ainda não apresentaram seus encaminhamentos, poderão procurar a regulação municipal ou uma unidade de saúde a partir da terça-feira (20). No local, receberão orientações sobre a apresentação da solicitação e os procedimentos necessários para o atendimento.

A recomendação é que as mulheres observem as orientações da rede municipal, uma vez que os atendimentos seguirão a organização e a programação estabelecidas pela Secretaria de Saúde.

MARIA CLARA DESTACA IMPORTÂNCIA DA INICIATIVA

A secretária municipal de Saúde, Maria Clara, ressaltou que a chegada da unidade móvel representa um reforço para ampliar a assistência especializada e atender às mulheres que aguardam pelos procedimentos.

“A chegada da Carreta da Saúde da Mulher representa um reforço importante para a saúde de Arcoverde. Vamos priorizar as mulheres que já estão na fila de espera e orientar aquelas que ainda precisam deixar seus encaminhamentos na regulação. Nosso objetivo é ampliar o acesso aos exames, agilizar os atendimentos e cuidar cada vez melhor da saúde das mulheres do nosso município”, afirmou.

A ação também faz parte do trabalho da gestão do prefeito Zeca Cavalcanti para ampliar o acesso da população aos serviços de saúde, por meio da articulação com os governos estadual e federal.

Com a chegada da carreta, Arcoverde passa a contar temporariamente com uma estrutura móvel voltada à realização de exames especializados, aproximando os serviços das pacientes e fortalecendo as ações de prevenção e diagnóstico precoce.

SERVIÇO — CARRETA DA SAÚDE DA MULHER EM ARCOVERDE

📍 Local: Praça Winston Siqueira, Centro de Arcoverde.

📅 Início: segunda-feira (19), mesmo sendo feriado.

🩺 Mamografias: até 70 exames por dia.

🩺 Ultrassonografias transvaginais e pélvicas: 40 por dia, conforme a programação informada.

🩺 Ultrassonografias de mama: 10 por dia.

🩺 Outros exames: colposcopia.

👩 Prioridade: mulheres que já estão na fila de regulação e entregaram seus encaminhamentos.

📋 Novas solicitações: procurar a regulação municipal ou uma unidade de saúde a partir da terça-feira (20), para receber orientações.

A previsão é que a unidade permaneça em Arcoverde até o final de outubro.

Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade.

JESSICA BARBOSA É REELEITA PRESIDENTE DA CÂMARA DE BOM JARDIM E GRUPO DE JANJÃO MOSTRA UNIDADE E FORÇA

A política de Bom Jardim deu mais uma demonstração de articulação nos bastidores. Na noite desta sexta-feira (16), a vereadora Jessica Barbosa foi reeleita presidente da Câmara Municipal, a Casa Legislativa Desembargador Dirceu Borges, para o biênio 2027/2028. A eleição teve chapa única e terminou com oito votos favoráveis, entre os vereadores presentes.

A nova Mesa Diretora será composta por Jessica Barbosa na presidência, Alexandre Barbosa, conhecido como Alexandre de Biu de Laro, na primeira secretaria, e Alanny Cristini, a Lany do Hospital, na segunda secretaria.

ARTICULAÇÃO DE JANJÃO

A construção da chapa única passou pela articulação do ex-prefeito e deputado estadual eleito Janjão junto aos vereadores da situação. O trabalho de alinhamento garantiu que o grupo governista chegasse à votação com uma composição definida, sem disputa interna pela direção da Casa.

Nos bastidores, houve tentativa de articulação da oposição para viabilizar uma chapa alternativa, mas a iniciativa não avançou. Sem uma segunda chapa na disputa, os vereadores presentes aprovaram a composição por unanimidade.

SEGUNDO MANDATO, NOVOS DESAFIOS

Após o resultado, Jessica Barbosa agradeceu aos colegas pela confiança e destacou a responsabilidade de continuar à frente do Legislativo municipal. A presidente também defendeu a manutenção do diálogo entre os parlamentares e uma relação institucional harmoniosa com o Poder Executivo.

A eleição reforça o alinhamento do grupo da situação em Bom Jardim e coloca Janjão no centro de mais uma articulação política no município. Com a Mesa Diretora definida para 2027 e 2028, o próximo desafio será manter a unidade do grupo e conduzir os trabalhos da Câmara em sintonia com as demandas da população.

Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade.

POLÍTICA NA LUPA | RAQUEL LYRA VAI ALÉM DA NEUTRALIDADE: O DIÁLOGO PODE SER SUA MAIOR ARMA POLÍTICA ATÉ 2030

Em um Brasil dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro, governadora pernambucana reúne lulistas e bolsonaristas na mesma mesa, aposta na convivência entre adversários e consolida um perfil político que não cabe facilmente nas trincheiras ideológicas.

Tem gente que precisa escolher um lado para existir politicamente. Raquel Lyra parece disposta a mostrar que existe outro caminho. Em um país onde a polarização transformou adversários em inimigos e qualquer gesto de aproximação vira motivo para ataques, a governadora reeleita de Pernambuco reuniu, na quarta-feira (14), representantes da esquerda e da direita em um almoço no restaurante Spettus, em Boa Viagem, no Recife. E o recado foi muito maior do que uma simples confraternização depois das urnas.

O encontro reuniu mais de 300 pessoas, entre prefeitos, deputados, vereadores e lideranças políticas de diferentes regiões do estado. Na mesma base governista estão nomes que defendem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros que trabalham pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. A cena, registrada em meio ao segundo turno nacional, expôs uma característica da articulação política de Raquel: a capacidade de manter diferentes correntes no mesmo ambiente sem exigir que todos pensem da mesma maneira. O encontro foi noticiado pelo Jornal do Commercio em 14 de outubro.

NÃO É APENAS NEUTRALIDADE. É CAPACIDADE DE DIÁLOGO.

A neutralidade presidencial de Raquel já era conhecida. Desde o início do segundo turno, a governadora sustenta que seu compromisso prioritário é com Pernambuco e que não pretende transformar a disputa nacional em uma obrigação para seus aliados. Em declarações públicas, reafirmou que, encerrada a eleição estadual, é hora de desarmar os palanques e continuar trabalhando.

Mas existe uma diferença importante entre não declarar apoio a nenhum candidato e conseguir manter, na mesma base política, pessoas que defendem projetos nacionais antagônicos.

No almoço, Túlio Gadelha apareceu associado à defesa de Lula, enquanto Gilson Machado e Gilson Filho representam o campo bolsonarista. Adesivos presidenciais de candidaturas opostas circularam entre os presentes, sem que a confraternização se transformasse em um confronto político.

É aí que a discussão ganha outra dimensão. Raquel não precisa convencer seus aliados a abandonar suas convicções para preservar uma relação administrativa e política com eles. O desafio é demonstrar que divergências nacionais não precisam inviabilizar o trabalho conjunto em Pernambuco.

Essa postura não elimina as diferenças ideológicas, tampouco significa que todos os conflitos serão resolvidos com uma fotografia e um almoço. Significa, porém, que o diálogo permanece possível mesmo quando o ambiente nacional estimula o confronto permanente.

UMA MULHER NORDESTINA FORA DAS CAIXINHAS

Raquel Lyra construiu uma trajetória que atravessa diferentes funções públicas. Advogada formada pela Universidade Federal de Pernambuco, com pós-graduação em Direito Econômico e de Empresas, atuou como delegada da Polícia Federal, exerceu funções jurídicas no serviço público e entrou na política eleitoral como deputada estadual em 2010, sendo reeleita em 2014.

Depois, venceu as eleições para a Prefeitura de Caruaru em 2016 e conquistou a reeleição em 2020. Em 2022, chegou ao Governo de Pernambuco. Agora, em outubro de 2026, acaba de conquistar um novo mandato estadual, com 53,27% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

A sequência de vitórias eleitorais é um dado concreto de sua biografia política. Ela também passou por funções profissionais que exigem preparo técnico, responsabilidade institucional e capacidade de decisão.

É nesse percurso que se apoia a imagem de uma mulher nordestina que construiu espaço próprio na política, sem ficar restrita a uma única função ou a uma única disputa eleitoral.

Dizer que Raquel não é simplesmente de esquerda ou de direita, entretanto, não significa afirmar que ela não tenha posições políticas. Filiada ao PSD, sua atuação deve ser examinada pelas decisões que toma, pelas alianças que constrói e pelos resultados que entrega. O diferencial está na disposição de conversar com atores de campos distintos, sem transformar a identidade partidária em uma barreira absoluta.

O RECADO PARA LULA, FLÁVIO E OS BASTIDORES DE BRASÍLIA

O almoço também tem uma leitura nacional. Lula e Flávio Bolsonaro disputam um eleitorado em um ambiente de forte polarização, enquanto Raquel preserva relações políticas com representantes dos dois campos.

Essa posição tem valor institucional para Pernambuco. O estado depende de articulação com o Governo Federal, de acesso a investimentos, de diálogo com o Congresso e de relações permanentes com prefeitos e parlamentares. Uma governadora que mantém canais abertos com diferentes grupos tem condições de negociar pautas estaduais sem fazer de cada conversa uma declaração de alinhamento presidencial.

Isso não significa que a neutralidade garanta recursos, influência ou resultados. Essas conquistas dependem de negociações concretas, projetos, prioridades e capacidade administrativa. Mas preservar interlocução com diferentes forças amplia o espaço disponível para a construção de acordos.

O almoço ainda teve um componente estadual imediato. A governadora precisa consolidar sua relação com a Assembleia Legislativa de Pernambuco, discutir o orçamento e organizar a sustentação política para o segundo mandato. Nesse cenário, reunir a base e demonstrar que pretende manter contato direto com prefeitos e parlamentares faz parte de uma estratégia de governabilidade.

Durante o encontro, Raquel afirmou que pretende procurar pessoalmente os aliados para ouvir as demandas dos municípios. “Não são vocês que vão precisar me procurar, eu é que vou procurar cada um”, declarou, segundo o relato do evento.

A frase resume uma mensagem política: a governadora quer que a relação com sua base seja de proximidade e articulação, e não apenas de cobrança por apoio nos momentos de votação.

2030 JÁ ENTROU NO RADAR?

Ainda é cedo para transformar o almoço em anúncio de projeto presidencial ou em confirmação de qualquer candidatura nacional. Mas também seria um erro ignorar o potencial político de uma governadora reeleita que consegue preservar relações com setores diferentes em um ambiente de forte divisão.

Raquel tem quatro anos de novo mandato pela frente. O caminho até 2030 dependerá, sobretudo, da avaliação de seu governo, dos resultados econômicos e sociais de Pernambuco, da capacidade de executar obras e políticas públicas e da manutenção de uma base política funcional.

Se conseguir transformar o diálogo em resultados, poderá ampliar sua presença no debate nacional. Uma liderança que conversa com diferentes correntes, sem precisar reproduzir integralmente a linguagem de nenhuma delas, pode ocupar espaço em discussões sobre alianças, articulações partidárias e alternativas à polarização.

Isso não significa que o eleitorado esteja necessariamente procurando uma terceira via, nem que o perfil de Raquel garanta um futuro nacional. Significa que existe um caminho político a ser construído, e a capacidade de conversar com diferentes setores pode fazer parte dele.

O Brasil tem lideranças que mobilizam pela confrontação. Outras apostam na identidade ideológica como principal instrumento de organização política. Raquel, por sua vez, tenta preservar uma posição em que a defesa dos interesses estaduais esteja acima da obrigação de aderir a uma das duas grandes trincheiras presidenciais.

O teste será saber se essa postura resistirá às pressões políticas e produzirá entregas concretas para a população.

A LUPA SOBRE O FUTURO

O almoço do Spettus não encerra a disputa nacional, não apaga as diferenças entre lulistas e bolsonaristas e não resolve, por si só, os desafios de Pernambuco. Mas oferece uma imagem relevante da estratégia adotada por Raquel Lyra neste momento: manter a própria posição, reunir aliados diferentes e evitar que a eleição presidencial determine todas as relações políticas do estado.

Sua trajetória reúne experiência profissional, vitórias eleitorais e a conquista de um segundo mandato como governadora. O próximo capítulo será medido menos pela capacidade de reunir pessoas em torno de uma mesa e mais pela capacidade de governar, negociar e entregar resultados.

Na política, o diálogo não é sinônimo de ausência de convicções. Pode ser, justamente, a maneira de defender prioridades sem fechar as portas para quem pensa diferente.

Se Raquel conseguir sustentar essa postura durante o segundo mandato, o debate sobre seu espaço para além de Pernambuco ganhará novos elementos. E 2030, sem deixar de ser uma hipótese, poderá se tornar uma discussão política mais concreta.

Em tempos de muros cada vez mais altos, a capacidade de conversar com quem pensa diferente pode ser um ativo político. Para Raquel Lyra, o desafio agora é transformar essa característica em governabilidade e resultados para Pernambuco.

GIL GOMES: A VOZ QUE MARCOU O JORNALISMO POLICIAL E TRANSFORMOU CRIMES EM HISTÓRIAS QUE PRENDERAM O BRASIL

Com estilo inconfundível, bordões marcantes e uma maneira dramática de narrar os acontecimentos, jornalista deixou sua marca no rádio e na televisão brasileira
Algumas vozes atravessam gerações. Outras se tornam parte da própria história da comunicação brasileira. Gil Gomes foi uma delas. Com voz grave, pausas calculadas, gestos característicos e uma narrativa carregada de suspense, o jornalista conquistou milhões de brasileiros e se transformou em um dos nomes mais conhecidos do jornalismo policial no país.

Dono do inesquecível bordão “Aqui, agora!”, Gil ganhou projeção nacional ao integrar o programa *Aqui Agora*, do SBT, nos anos 1990. Sua maneira de contar histórias, reconstituir crimes e apresentar personagens transformava cada reportagem em uma narrativa que prendia a atenção do público do começo ao fim.

Cândido Gil Gomes Júnior morreu em 16 de outubro de 2018, aos 78 anos, no Hospital São Paulo, na capital paulista, em decorrência de complicações de um câncer. Oito anos depois, sua trajetória continua sendo lembrada como um capítulo marcante da história do rádio e da televisão no Brasil.

UMA INFÂNCIA DE DESAFIOS E UMA VOZ QUE SE TORNOU MARCA REGISTRADA

Nascido em 1940, em Sorocaba, no interior de São Paulo, Gil Gomes enfrentou dificuldades na infância e na adolescência por causa de uma forte gagueira. Para superar o problema, começou a imitar a fala acelerada dos locutores esportivos que acompanhava pelo rádio.

O que começou como uma tentativa de vencer uma dificuldade acabou ajudando a desenvolver uma das características mais marcantes de sua carreira: o domínio da voz e do ritmo da narrativa.

Aos 18 anos, depois de realizar locuções em quermesses de igreja, conseguiu seu primeiro emprego profissional na Rádio Progresso, trabalhando como locutor esportivo. A experiência abriu as portas para uma trajetória que passaria por diferentes emissoras e formatos de comunicação.

A entrada definitiva no jornalismo policial aconteceu em 1968, na Rádio Marconi. Na ocasião, Gil trabalhava com reportagens variadas quando soube de um caso de violência sexual nas dependências do prédio da emissora. Interrompeu a atividade que realizava e foi acompanhar o episódio.

A repercussão surpreendeu. Os ouvintes começaram a telefonar para a rádio em busca de mais informações, e aquela cobertura acabou mudando os rumos de sua vida profissional. Gil, que inicialmente não desejava seguir pelo caminho das notícias policiais, encontrou nesse segmento o espaço em que construiria sua identidade.

NO RÁDIO, ELE FAZIA O OUVINTE IMAGINAR CADA CENA

Nas décadas de 1970 e 1980, Gil Gomes se consolidou como um dos grandes nomes da crônica policial radiofônica, especialmente na Rádio Record.

Seu programa alcançava uma audiência expressiva em São Paulo. Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 1983, o jornalista relatou que sua atração começava às 8h, logo depois do programa de Zé Bettio, e chegava a pouco mais de um milhão de ouvintes na cidade.

A abertura era um espetáculo à parte. Antes de pronunciar o tradicional “Bom dia!”, Gil fazia uma pausa que criava expectativa e preparava o público para a história que viria a seguir.

Sua técnica misturava frases curtas, repetições, mudanças de entonação e silêncios prolongados. Ele não apenas relatava os acontecimentos: reconstruía as cenas com a voz, apresentava os personagens e conduzia o ouvinte por uma narrativa cheia de tensão.

Também recebia denúncias e cartas de pessoas que procuravam o comunicador para expor situações de violência e injustiça. Dessa forma, sua atuação ultrapassava o relato dos crimes e estabelecia uma relação direta com o público.

Uma de suas características mais conhecidas era o encerramento de suas participações com uma frase que resumia sua indignação diante das injustiças: “Se você agir com dignidade, pode não consertar o mundo, mas tenha certeza de uma coisa: na Terra haverá sempre um canalha a menos!”

DO BANDIDO DA LUZ VERMELHA AO CARANDIRU

Ao longo da carreira, Gil Gomes esteve diante de personagens e acontecimentos que marcaram o noticiário policial brasileiro.

Em 1997, entrevistou João Acácio Pereira da Costa, conhecido nacionalmente como Bandido da Luz Vermelha, depois que ele deixou a prisão, onde havia passado cerca de três décadas. O criminoso carregava uma história que havia provocado enorme repercussão no país desde os anos 1960.

Gil também acompanhou episódios relacionados à violência urbana. Na televisão, esteve no complexo penitenciário do Carandiru cerca de um mês depois do massacre de 1992, registrando vestígios do que havia acontecido naquele local.

Essas coberturas ajudaram a consolidar sua imagem como um repórter que buscava os cenários dos acontecimentos e apresentava ao público histórias que provocavam indignação, curiosidade e debate.

O SUCESSO NACIONAL NO “AQUI AGORA”

Em 1991, Gil Gomes chegou ao *Aqui Agora*, do SBT, programa que revolucionou a maneira de apresentar o noticiário popular na televisão brasileira.

A atração apostava em reportagens de rua, denúncias, flagrantes e histórias do cotidiano, com uma linguagem direta e próxima da população. Ao lado de profissionais como Sônia Abrão, Celso Russomanno, Wagner Montes e Jacinto Figueira Júnior, Gil participou de uma fase que marcou época na televisão.

Foi diante das câmeras que suas características ganharam ainda mais força. As camisas de estampas coloridas, a voz inconfundível e o movimento circular da mão enquanto segurava o microfone se tornaram marcas registradas.

O público reconhecia o jornalista não apenas pelo rosto, mas pelo jeito de andar, gesticular e narrar. Seu estilo passou a ser imitado por humoristas e entrou definitivamente no repertório da cultura popular brasileira.

O *Aqui Agora* chegou a ter duas edições diárias e permaneceu no ar até 1997. Para Gil Gomes, a passagem pelo programa representou o auge da popularidade nacional.

Depois do SBT, o jornalista também participou do programa *Mulheres*, da TV Gazeta, em 1998, e da *Escolinha do Barulho*, da Record, em 1999, mostrando um lado humorístico diferente daquele pelo qual havia conquistado fama.

Entre 2004 e 2005, voltou ao formato policial ao apresentar o *Repórter Cidadão*, na RedeTV!. Mesmo com as mudanças de emissora, o rádio continuou sendo uma parte importante de sua identidade profissional.

UM ESTILO QUE FEZ HISTÓRIA, MAS TAMBÉM PROVOCOU DEBATES

A trajetória de Gil Gomes não pode ser contada sem mencionar as discussões sobre o sensacionalismo no jornalismo policial.

Sua maneira dramática de narrar crimes, explorar o suspense e destacar detalhes das ocorrências conquistava audiência, mas também levantava questionamentos sobre os limites entre informar a população e transformar a violência em espetáculo.

O debate permanece atual: até que ponto a dramatização ajuda a chamar atenção para problemas sociais e em que momento pode ultrapassar os limites da informação responsável?

Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 1983, Gil falou sobre ameaças relacionadas ao trabalho jornalístico e manifestou oposição à pena de morte e à atuação de grupos de extermínio.

As declarações revelavam posicionamentos sobre segurança pública e violência em um período no qual o Brasil enfrentava discussões intensas sobre criminalidade, punição e direitos humanos.

Seu legado, portanto, também convida a refletir sobre a responsabilidade de quem transforma acontecimentos reais em notícia.

A DOENÇA, O AFASTAMENTO E A DESPEDIDA

Em 2005, Gil Gomes foi diagnosticado com doença de Parkinson. Com o avanço das limitações provocadas pela enfermidade, precisou reduzir suas atividades e permaneceu afastado da televisão por um longo período.

Em 2014, participou do *Domingo Show*, da Record, apresentado por Geraldo Luís. Durante a atração, emocionou-se ao recordar momentos importantes de sua trajetória e reencontrar parte de sua história diante das câmeras.

Dois anos depois, voltou a trabalhar como comentarista em um programa ligado à TV Ultrafarma. Na ocasião, demonstrou satisfação por recuperar parte do entusiasmo e da vontade de trabalhar.

Na noite de 15 de outubro de 2018, Gil passou mal em casa, na Zona Sul de São Paulo, e foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Levado ao Hospital São Paulo, morreu na madrugada do dia seguinte, aos 78 anos.

Ele deixou quatro filhos e nove netos.

Ao recordar o pai, Vilma Gil Gomes destacou a indignação do jornalista diante das desigualdades e injustiças sociais. “É uma pessoa única para a comunicação. Sempre muito indignado com as injustiças sociais”, afirmou

O LEGADO DE UMA VOZ QUE O BRASIL NÃO ESQUECEU

Gil Gomes pertence a uma geração de comunicadores que compreendeu a força da linguagem popular e a capacidade do rádio e da televisão de estabelecer uma ligação direta com milhões de pessoas.

Sua voz, suas pausas, seus gestos e sua maneira peculiar de narrar acontecimentos fizeram dele muito mais do que um repórter policial. Gil se tornou um personagem da história da comunicação brasileira, reconhecido por uma identidade profissional que dificilmente se confundia com a de qualquer outro jornalista.

Entre aplausos, críticas e debates sobre os rumos do jornalismo policial, uma coisa permanece incontestável: Gil Gomes construiu um estilo próprio, conquistou o público e deixou uma marca que atravessou gerações.

E, para quem acompanhou suas reportagens, basta lembrar a voz grave, o microfone na mão e aquele jeito inconfundível de começar uma história para trazer de volta a memória de um dos comunicadores mais emblemáticos da televisão brasileira.

POLÍCIA CIVIL DESMONTA ROTA AÉREA DO TRÁFICO NO CEARÁ E APREENDE DOIS AVIÕES

Investigação começou após a abordagem de uma caminhonete carregada de drogas em Fortaleza e levou os policiais a uma pista clandestina na zona rural de Ibaretama. Um homem de 42 anos foi preso.
Uma operação da Polícia Civil do Ceará revelou uma estrutura utilizada pelo tráfico de drogas no interior do estado, com direito a pista de pouso clandestina e duas aeronaves de pequeno porte. A ação terminou com a apreensão de 25 quilos de crack e a prisão de um homem de 42 anos, apontado como suspeito de envolvimento no esquema.

A investigação teve início na zona sul de Fortaleza, após policiais interceptarem uma Fiat Strada carregada de entorpecentes no bairro Sapiranga. A partir dessa ocorrência, os agentes aprofundaram as diligências e chegaram a uma propriedade rural no distrito de Oiticica, em Ibaretama, a cerca de 130 quilômetros da capital cearense.

No local, os policiais encontraram uma pista de pouso clandestina e duas aeronaves de pequeno porte que, segundo a investigação, estariam ligadas à logística do tráfico. Dentro de um dos aviões, foram localizados 20 tabletes de crack. Somada à droga apreendida durante a operação, a quantidade total chegou a 25 quilos.

SUSPEITO JÁ HAVIA SIDO PRESO POR TRÁFICO AÉREO

O homem preso na propriedade teve a identidade preservada pelas autoridades. Segundo as informações divulgadas sobre o caso, ele já havia sido detido em outubro de 2019, no Pará, quando transportava 179 quilos de pasta-base de cocaína em uma ocorrência semelhante, envolvendo o transporte de drogas por via aérea.

A operação contou com o apoio do Núcleo de Operações do Departamento de Proteção ao Patrimônio, reforçando o trabalho integrado das forças de segurança no combate ao narcotráfico.

INVESTIGAÇÃO BUSCA IDENTIFICAR OS RESPONSÁVEIS

Com a apreensão das aeronaves e a descoberta da estrutura clandestina, os investigadores agora trabalham para esclarecer quem são os proprietários dos aviões, a quem pertence a fazenda e qual era a origem e o destino dos voos.

A Polícia Civil também busca identificar possíveis financiadores e outros integrantes da organização criminosa. A suspeita é de que a estrutura localizada no interior cearense fosse utilizada como ponto estratégico para o transporte e a distribuição de entorpecentes.

O caso expõe mais uma frente de atuação do tráfico de drogas, que pode recorrer a estruturas clandestinas e ao transporte aéreo para movimentar cargas ilícitas longe dos principais centros urbanos. As investigações continuam para esclarecer toda a dimensão do esquema e identificar os demais envolvidos.


NOVA PESQUISA APONTA DISPUTA ACIRRADA ENTRE FLÁVIO E LULA

Pesquisa Futura/100% Cidades, divulgada nesta sexta-feira (16), revela uma disputa acirrada entre o atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O senador aparece com 50,8% das intenções de voto, enquanto o petista soma 49,2%.

O levantamento do segundo turno das eleições presidenciais considera os votos válidos e descarta brancos e nulos. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Na pesquisa divulgada na última terça-feira (13), Flávio tinha 51,8% contra 48,2% de Lula.

A pesquisa entrevistou por telefone 2.000 eleitores em todo o país, entre os dias 14 e 15 de outubro. O índice de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Futura e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03764/2026.

Rejeição
No critério de rejeição, 47,2% declaram não votar em Lula de jeito nenhum e 46,1%, disseram o mesmo sobre Flávio. No mesmo critério, 2,3% responderam que rejeitam os dois concorrentes à Presidência da República e outros 3,2% não rejeitam nenhum. Aqueles que não sabem ou não responderam ao questionamento representam 1,3% dos entrevistados