A visita de Lula a Pernambuco entrou na reta final como uma cartada de peso para João Campos. Mas a nova Quaest não mostra uma virada provocada pelo palanque presidencial. Pelo contrário: Raquel Lyra e João Campos aparecem empatados em 42%
A política pernambucana chegou à última semana de campanha com uma imagem que ninguém imaginava algumas semanas atrás: Raquel Lyra e João Campos lado a lado na pesquisa Quaest, com 42% cada um.E o detalhe está justamente naquilo que aconteceu entre uma pesquisa e outra.
Lula esteve em Pernambuco. Participou de agenda política, subiu no palanque de João Campos e colocou seu peso político na disputa estadual. A expectativa natural do grupo oposicionista era de que a presença do presidente pudesse produzir um movimento mais forte a favor do candidato do PSB.
A nova Quaest, porém, mostra uma fotografia diferente.
João cresceu em relação à rodada anterior, passando de 39% para 42%. Raquel também avançou, de 41% para 42%. Ou seja: o candidato apoiado por Lula cresceu, mas não conseguiu transformar a presença do presidente em vantagem numérica sobre a governadora.
É aí que mora a principal leitura desta pesquisa.
A visita de Lula não foi inútil para João Campos — isso seria uma conclusão que os números não autorizam. Mas também não apareceu, até agora, o salto que uma presença presidencial desse tamanho poderia fazer esperar.
E Raquel chega ao momento decisivo sustentada por um dado que continua chamando atenção: a aprovação do seu governo.
Na rodada anterior da Quaest, 61% dos entrevistados aprovavam a administração da governadora, enquanto 27% desaprovavam. Mais importante ainda: 63% disseram que Raquel merecia um novo mandato.
É justamente essa avaliação que ajuda a explicar a resistência eleitoral da governadora.
O cenário das pesquisas também revela uma mudança importante. A Quaest chegou a mostrar Raquel com 44% contra 36% de João em agosto. Depois, 43% a 37%. Na pesquisa seguinte, 41% a 39%. Agora, 42% a 42%.
A diferença foi diminuindo, mas João não conseguiu ultrapassar Raquel. Chegou ao empate.
E empate, a poucos dias da votação, muda completamente o discurso das campanhas.
Para João Campos, significa que a presença de Lula ainda precisa se converter em voto suficiente para produzir uma separação clara. Para Raquel, significa chegar à reta final mantendo uma disputa que, durante boa parte da campanha, parecia mais confortável.
A fotografia também coloca uma questão sobre o comportamento do eleitor pernambucano: o voto em Lula não necessariamente está sendo transferido automaticamente para o candidato do PT e de seus aliados no Estado.
Isso não significa que Lula não tenha força política em Pernambuco. Tem. O ponto é outro: transformar popularidade presidencial em voto para uma candidatura estadual é uma operação muito mais complexa.
O eleitor pode aprovar Lula para presidente e, ao mesmo tempo, fazer uma escolha diferente para governador. E é exatamente esse fenômeno que precisa ser observado nesta reta final.
Raquel, por sua vez, tem um ativo próprio que não depende exclusivamente do palanque nacional: a avaliação de sua administração.
A disputa, portanto, chega aos últimos dias com duas forças diferentes se enfrentando. De um lado, João Campos tenta transformar o peso político de Lula em votos para o Governo de Pernambuco. Do outro, Raquel Lyra tenta converter a aprovação de sua gestão em votos suficientes para permanecer competitiva até a urna.
Lula entrou em campo. João cresceu. Mas Raquel também cresceu. E a Quaest terminou entregando o que ninguém queria na reta final: empate.
Agora não existe mais margem para erro, nem espaço para comemoração antecipada.
Na política pernambucana, a última semana começou com uma certeza: o jogo continua aberto — e o peso de Lula, sozinho, não resolveu a eleição para João Campos.