O Banco Central anunciou nesta quinta-feira (28) mudanças significativas no sistema de pagamentos instantâneos Pix, que prometem reforçar a segurança dos usuários e ampliar as chances de recuperação em casos de golpes. A partir de 1º de outubro, os clientes terão acesso a um novo recurso no Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permitirá contestar transações fraudulentas de forma automática, sem depender da intervenção de atendentes ou processos manuais. Essa inovação deve acelerar a resposta às vítimas, já que o tempo é considerado fator crucial para evitar que os criminosos esvaziem as contas utilizadas no esquema.
Com a atualização, bastará ao usuário acionar o sistema de autoatendimento para solicitar a devolução. O pedido, uma vez registrado, será processado de forma imediata, aumentando a probabilidade de os valores ainda estarem disponíveis na conta do fraudador. Até agora, o trâmite exigia maior interação humana, o que muitas vezes atrasava a ação e reduzia a eficácia do mecanismo.
Outra novidade está prevista para 23 de novembro, quando o MED passará a contar com um reforço ainda maior na sua capacidade de rastreamento. Embora inicialmente de caráter opcional, a funcionalidade permitirá que as instituições financeiras sigam o rastro do dinheiro para além da conta original do golpista, alcançando outras contas que possam ter recebido os valores transferidos em sequência. Essa evolução é considerada fundamental porque, em grande parte dos casos, os criminosos agem de forma ágil, movimentando os recursos para diferentes contas a fim de dificultar a recuperação.
Segundo o Banco Central, com o novo sistema, será possível efetuar devoluções em até 11 dias após a contestação, prazo que considera as etapas de verificação e o rastreio dos valores. Atualmente, a devolução se limita apenas à primeira conta envolvida na fraude, o que restringe a eficácia do processo e favorece a impunidade.
Embora a ferramenta de rastreamento adicional não seja obrigatória de imediato, o BC já definiu um cronograma: a partir de 2 de fevereiro de 2026, todos os participantes do Pix deverão implementar a atualização de forma integral. A expectativa é de que, com isso, o ambiente digital se torne mais seguro e menos atrativo para fraudadores.
Especialistas em segurança bancária destacam que a medida representa um avanço importante na proteção do consumidor, mas lembram que o cuidado individual segue indispensável. Golpes envolvendo Pix cresceram nos últimos anos, aproveitando-se da praticidade e rapidez da ferramenta. Agora, com a devolução automática e o rastreamento expandido, as vítimas terão uma rede de proteção mais robusta para reduzir os prejuízos e recuperar recursos de forma mais eficiente.
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