A saúde mental desponta como um dos maiores desafios da saúde pública global, refletindo um crescente reconhecimento das necessidades emocionais da população. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que mais de 300 milhões de indivíduos no mundo enfrentam a depressão, enquanto aproximadamente 260 milhões lidam com transtornos de ansiedade. O Brasil, por sua vez, observa um aumento contínuo na demanda por serviços de atendimento psicológico e psiquiátrico no Sistema Único de Saúde (SUS). Essa realidade destaca a urgência de abordar a saúde mental de maneira integral e eficaz, visto que o Janeiro Branco se estabelece como um momento de conscientização e combate ao estigma relacionado ao cuidado emocional.
A relevância do Janeiro Branco não se limita à conscientização; também está intrinsecamente ligada à produção científica que busca transformar dados em estratégias de prevenção e cuidados. Universidades brasileiras, como a Universidade Santo Amaro (Unisa), estão na vanguarda desse movimento, expandindo suas pesquisas para abranger a saúde mental sob diversas perspectivas. Desde a análise de esportistas de alto desempenho até a consideração das vulnerabilidades sociais e os mecanismos biológicos por trás dos transtornos psiquiátricos, as investigações são essenciais para a formulação de abordagens mais eficazes.
Um estudo em curso na Unisa, por exemplo, investiga a prevalência de ansiedade e depressão entre atletas de alto desempenho. Embora a prática esportiva seja amplamente reconhecida por seus benefícios, a competição intensa também acarreta riscos significativos para a saúde mental. Kalil Duailibi, médico psiquiatra e professor da Unisa, ressalta que a pressão por resultados e a instabilidade da carreira podem levar os atletas a enfrentarem um sofrimento psíquico que muitas vezes permanece oculto. Com dados que abrangem mais de 136 mil atletas de várias modalidades, a pesquisa indica que 21% dos participantes apresentam transtornos de ansiedade e 6% sofrem de transtornos depressivos. Quando se consideram apenas os sintomas elevadas, os números sobem para 15% e 18%, respectivamente, com destaque para os atletas amadores, jovens e praticantes de esportes individuais.
Além da pesquisa com atletas, outro foco na Unisa abrange populações em situação de vulnerabilidade social. Um estudo que envolveu cerca de 300 participantes revelou que 8% apresentavam sintomas moderados ou graves de depressão, enquanto 7% mostraram sinais de ansiedade. Alarmantemente, metade dos participantes estava em risco elevado de desenvolver doenças cardiometabólicas, como diabetes e hipertensão. Duailibi enfatiza que a saúde mental e a saúde física estão interligadas; o estresse crônico combinado com condições socioeconômicas desafiadoras pode aumentar significativamente o risco de doenças cardiovasculares.
No campo da pesquisa básica, cientistas do Programa de Mestrado em Ciências da Saúde da Unisa investigam a conexão entre retrovírus endógenos humanos (HERVs) - microrganismos ancestrais inseridos no genoma humano - e transtornos mentais graves como esquizofrenia e transtorno bipolar. Os dados preliminares sugerem uma associação entre o aumento da atividade desses vírus e processos inflamatórios intensificados em indivíduos diagnosticados com essas condições.
Diante desse cenário preocupante, é fundamental que as pessoas tenham acesso a recursos de apoio. O SUS disponibiliza serviços gratuitos através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e do Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento 24 horas pelo telefone 188 e também por chat online. A Unisa, por sua parte, propõe um atendimento à população por meio do Serviço-Escola de Psicologia, agendado pelo telefone (11) 2174-3340 ou pelo e-mail centraldeagendamento@unisa.br. Além disso, a instituição implementa programas de apoio psicológico voltados para seus estudantes.
Com uma trajetória de 60 anos, a Universidade Santo Amaro se consolidou como uma das principais instituições de ensino superior privado no Brasil, reconhecida com o conceito máximo pelo Ministério da Educação (MEC). A universidade oferece mais de 600 cursos, tanto presenciais quanto a distância (EAD), abrangendo graduações, especializações, MBAs, mestrados e doutorados. Com um compromisso em transformar e contribuir para uma sociedade mais justa e sustentável, a Unisa investe continuamente em pesquisas e projetos de responsabilidade social, realizando anualmente mais de 500 mil atendimentos à comunidade.
Neste contexto desafiador, é evidente que a saúde mental merece atenção prioritária. A combinação de estudos científicos bem fundamentados, a conscientização pública e o aumento do acesso a serviços de saúde mental são passos cruciais para enfrentar o crescente problema da ansiedade e da depressão em nosso mundo.
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