Ao ser questionado sobre declarações do presidente colombiano Gustavo Petro a respeito da operação que resultou na prisão de Maduro, Trump adotou um discurso duro e sem rodeios. O presidente dos EUA acusou o governo colombiano de permitir a existência de “laboratórios de cocaína” em seu território e afirmou que grande parte da droga produzida no país estaria sendo enviada ao mercado norte-americano. Segundo Trump, a situação exige atenção imediata por parte de Bogotá. “Eles têm fábricas onde produzem cocaína. Estão mandando para os Estados Unidos. Então, sim, ele tem que ficar esperto”, declarou, em tom de advertência, deixando implícito que a Colômbia pode entrar no radar de medidas mais severas caso Washington avalie falta de cooperação no combate ao narcotráfico.
As declarações reacendem tensões históricas entre os dois países, tradicionalmente aliados na chamada “guerra às drogas”, mas que vêm passando por atritos desde a posse de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da Colômbia, crítico de políticas repressivas e defensor de uma abordagem mais social para o problema do tráfico.
Paralelamente, Marco Rubio concentrou sua fala no papel de Cuba dentro do regime venezuelano, classificando a captura de Maduro como um golpe estratégico contra a influência cubana em Caracas. De acordo com o secretário de Estado, a estrutura de segurança da Venezuela estaria profundamente infiltrada por agentes do regime de Havana, incluindo setores responsáveis pela proteção pessoal de Maduro e órgãos centrais de inteligência. “Basicamente, a segurança venezuelana havia sido colonizada por Cuba”, afirmou Rubio, ao sustentar que a operação expôs o grau de dependência do governo venezuelano em relação ao apoio cubano.
Rubio foi além e sugeriu que, com a queda de Maduro, a Venezuela teria agora a oportunidade de romper definitivamente com essa influência externa. Para ele, um dos primeiros passos de um eventual novo governo deveria ser “declarar sua independência de Cuba”, num gesto simbólico e prático de ruptura com o modelo político que, segundo Washington, sustenta regimes autoritários na região.
O secretário ainda lançou um aviso indireto ao governo cubano, ao afirmar que, se estivesse em Havana, “estaria preocupado, nem que fosse um pouco”, sinalizando que os desdobramentos da operação podem ultrapassar as fronteiras venezuelanas e afetar o equilíbrio político no Caribe.
Trump também comentou diretamente a situação de Cuba, traçando um paralelo entre os dois países. Para o presidente americano, o regime cubano representa um “caso muito similar” ao da Venezuela, marcado por décadas de autoritarismo e dificuldades econômicas. Em tom que misturou crítica e promessa, Trump afirmou que agora pensa em formas de ajudar o povo cubano, que, segundo ele, sofre há gerações sob o sistema implantado pela Revolução de 1959.
Encerrando a coletiva, o presidente reforçou que a prioridade dos Estados Unidos é promover estabilidade regional e manter relações com o que classificou como “bons vizinhos”. No entanto, deixou claro que Washington não pretende ser complacente com governos que, na avaliação americana, alimentam o narcotráfico, violam direitos humanos ou sustentam alianças consideradas hostis.
A captura de Maduro, portanto, não apenas encerra um capítulo decisivo da crise venezuelana, como também inaugura uma nova fase de pressão política dos Estados Unidos sobre a América Latina, com possíveis impactos diretos nas relações diplomáticas, na segurança regional e no futuro de regimes historicamente alinhados entre si.
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