Ao falar em “território inimigo” e em impedir que “nasça outro Lula”, Renan abandona qualquer verniz democrático e assume um discurso que flerta com a eliminação simbólica do adversário. Não se trata de vencer ideias, disputar votos ou convencer a população. Trata-se de amaldiçoar origens, negar trajetórias e atacar símbolos que representam milhões de brasileiros pobres que ousaram ascender socialmente. O alvo não é apenas Lula. É tudo o que ele simboliza.
A encenação com referências ao Império Romano soa patética. Renan tenta vestir a fantasia de general histórico, mas não passa de um militante digital em busca de curtidas, reduzindo a política brasileira a um ritual místico de internet. A comparação com romanos salgando terras inimigas é tão rasa quanto o próprio ato. História mal contada não vira argumento, só vira vergonha alheia.
As acusações lançadas contra Lula e seus familiares seguem o roteiro conhecido do bolsonarismo tardio: frases graves, nenhuma prova, muito barulho. Chamar o presidente de “ladrão multimilionário” e espalhar suspeitas contra filhos e irmãos é o atalho preferido de quem não tem projeto, não tem números e não tem proposta concreta para o país. É grito para disfarçar o vazio.
O episódio escancara algo ainda mais incômodo: o desprezo explícito pela origem humilde do presidente. Atacar a casa de dona Lindu é atacar a memória da fome, da seca e da exclusão do Nordeste. É cuspir na história de quem saiu do chão batido para chegar ao poder pelo voto. Isso não é crítica política. É preconceito embalado como ativismo.
Renan Santos diz querer governar o Brasil, mas se comporta como alguém incapaz de conviver com a democracia. Em vez de ideias, superstição. Em vez de debate, encenação. Em vez de propostas, sal grosso. Se esse é o nível do “enfrentamento” que ele oferece, fica claro que o vídeo não diz nada sobre Lula. Diz tudo sobre Renan Santos e o projeto raso, agressivo e vazio que ele tenta empurrar ao país.
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