A entrega inaugura uma nova lógica de atuação do Executivo estadual. Ao anunciar a meta de 250 creches em funcionamento até o fim de 2026, com investimento estimado em R$ 1,96 bilhão e a criação de 60 mil vagas, a gestão de Raquel Lyra constrói uma narrativa ancorada em planejamento, escala e execução. O diferencial não está apenas no volume de recursos, mas no compromisso assumido pelo Estado com a obra, a equipagem e o custeio inicial das unidades, reforçando um modelo de colaboração efetiva com os municípios, e não apenas de transferência financeira.
A escolha de Igarassu como ponto de partida carrega forte simbolismo político e social. Localizado na Região Metropolitana do Recife, o município reúne áreas de elevada vulnerabilidade e déficit histórico de vagas em creches. O bairro contemplado pela Creche Tia Nicinha não contava com nenhuma cobertura de educação infantil, o que transforma a inauguração em resposta concreta a uma demanda antiga. Ao evidenciar esse cenário, o governo reforça o discurso de combate às desigualdades e se conecta diretamente com famílias que sentem o impacto da política pública no dia a dia.
A agenda também dialoga com um debate contemporâneo central: a autonomia das mulheres. Ao classificar as creches como instrumento de emancipação feminina, a vice-governadora Priscila Krause amplia o alcance da política. O acesso à educação infantil deixa de ser apenas um serviço educacional e passa a ser reconhecido como condição para que mães possam trabalhar, estudar e reorganizar suas rotinas com segurança. Trata-se de uma política pública que cruza educação, assistência social e desenvolvimento econômico, com impacto direto na renda familiar.
Do ponto de vista administrativo, o programa revela uma engrenagem robusta. A participação da Secretaria de Projetos Estratégicos, da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab) e a divisão das licitações em blocos regionais indicam planejamento técnico e capacidade de execução. Ao espalhar as obras por todas as regiões do Estado, o governo amplia sua presença política no interior, descentraliza investimentos e rompe com a histórica concentração de obras na capital e no litoral.
No campo político, a presença de deputados federais e estaduais na inauguração evidencia outro movimento estratégico. A educação infantil se apresenta como uma pauta de alto retorno social e baixo desgaste político. Ao ocupar esse espaço, o governo constrói consensos, amplia alianças e fortalece sua imagem institucional. Em um ambiente político marcado por disputas constantes, poucas agendas conseguem gerar apoio transversal — e a primeira infância é uma delas.
A Creche Tia Nicinha, em termos físicos, é apenas uma entre centenas previstas. Em termos simbólicos, representa o ponto de partida de uma política que pretende se consolidar até o fim de 2026 como uma das marcas centrais da gestão Raquel Lyra. Se o cronograma for cumprido, o governo não apenas ampliará o acesso à educação infantil, mas deixará um legado estrutural com efeitos duradouros na redução das desigualdades e no desenvolvimento social do Estado.
Na política, promessas mobilizam, mas entregas constroem reputações. Ao escolher a infância como primeiro capítulo de uma avalanche de obras e ações, Raquel Lyra sinaliza que pretende escrever sua marca administrativa a partir da base da sociedade — onde o futuro começa a ser formado.
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