quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

CHOQUE ELÉTRICO EM PISCINA DE COBERTURA PROVOCOU MORTE DE MÃE E FILHO EM POUSADA DE LUXO EM MARAGOGI

Uma tragédia ocorrida no último domingo (4) em uma pousada de alto padrão em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, ganhou novos e alarmantes contornos após a divulgação do laudo do Instituto Médico Legal (IML). Diferente da hipótese inicial de afogamento, exames periciais confirmaram que mãe e filho morreram vítimas de choque elétrico, enquanto estavam na piscina localizada na cobertura da Almaré Pousada Exclusiva, empreendimento inaugurado recentemente e situado à beira-mar.

As vítimas, a empresária Luciana Klein Helfstein, de 39 anos, e o filho Arthur Klein Helfstein Alves, de apenas 11 anos, eram turistas de São Paulo e passavam o fim de semana no local. De acordo com o IML, ambos apresentavam “sinais claros da passagem de corrente elétrica pelos corpos”, o que afastou definitivamente a possibilidade de morte por afogamento.

Segundo informações apuradas, mãe e filho foram encontrados desacordados dentro da piscina pelo pai da criança e marido de Luciana. No momento do ocorrido, ele estava fora do quarto tentando resolver um problema no chuveiro elétrico do apartamento, que já apresentava falhas. As vítimas ainda chegaram a ser socorridas e levadas para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi, mas não resistiram.

A conclusão do IML reforça a avaliação preliminar feita ainda no dia da tragédia por um perito criminal que esteve na pousada. Com a confirmação da causa das mortes, a investigação entra agora em uma fase mais técnica e sensível: identificar onde e como ocorreu a falha elétrica que teria energizado a piscina da cobertura.

Peritos da Polícia Científica de Alagoas devem retornar ao local para uma nova e minuciosa vistoria, desta vez com o apoio de um especialista em engenharia elétrica. A análise incluirá as condições das instalações, possíveis irregularidades no sistema elétrico, fiações expostas, aterramento inadequado e a integração da piscina com outros equipamentos elétricos da pousada.

Além disso, imagens das câmeras de segurança estão sendo examinadas para ajudar a reconstituir a dinâmica do acidente e os momentos que antecederam a morte das vítimas. Todo o material técnico e pericial será anexado ao inquérito conduzido pela Polícia Civil, que irá apurar se houve negligência, imperícia ou responsabilidade criminal por parte dos responsáveis pelo empreendimento.

O caso causa ainda mais perplexidade pelo fato de a pousada ser recém-inaugurada, tendo iniciado suas atividades no segundo semestre do ano passado. Mesmo assim, apresentou problemas elétricos tanto no apartamento ocupado pela família quanto, agora, na área comum da piscina. Com diárias que variam entre R$ 740 e R$ 1.300 durante a alta temporada de janeiro, o estabelecimento se define, em seu material promocional, como “sofisticado, acolhedor e pensado nos mínimos detalhes para oferecer conforto, exclusividade e uma experiência memorável”.

Em nota divulgada nas redes sociais na segunda-feira (5), antes da confirmação oficial da causa das mortes, a Almaré Pousada Exclusiva afirmou sentir “profundo pesar pelo trágico incidente” e se solidarizou com familiares e amigos das vítimas. O comunicado, assinado por três advogados pernambucanos, também garantiu que a pousada irá colaborar integralmente com as investigações, colocando-se à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Enquanto a investigação avança, o caso reacende o alerta sobre segurança elétrica em áreas molhadas, especialmente em empreendimentos turísticos de alto padrão, onde a expectativa de segurança é proporcional ao valor cobrado. A tragédia, que chocou moradores e turistas da região, pode resultar em responsabilizações criminais e civis, além de aprofundar o debate sobre fiscalização e manutenção em estabelecimentos de hospedagem no litoral nordestino.

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