DÉBORA ALMEIDA SOBE O TOM NA ALEPE E DEFENDE A SOBERANIA DO PLENÁRIO CONTRA DECISÕES MONOCRÁTICAS
DEPUTADA ASSUME PROTAGONISMO NA DEFESA DO GOVERNO E EXPÕE CONTRADIÇÕES NA CONDUÇÃO DA CASA
A sessão desta sexta-feira (2) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) não foi apenas mais um rito formal do calendário parlamentar. Ela escancarou tensões políticas, revelou estratégias de bastidores e colocou no centro do debate um tema sensível ao funcionamento do Legislativo: quem, de fato, detém o poder de decisão dentro da Casa. Nesse cenário, a deputada Débora Almeida (PSDB) emergiu como uma das vozes mais firmes e articuladas na defesa do governo Raquel Lyra e, sobretudo, da soberania do plenário.
A aprovação da convocação extraordinária solicitada pela governadora, com o quórum mínimo de 25 deputados assegurado pela base governista, foi um movimento cirúrgico do Executivo para destravar matérias consideradas estratégicas, entre elas mudanças pontuais, mas relevantes, na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Não se trata apenas de números ou dispositivos técnicos: está em jogo a recomposição de trechos do orçamento originalmente propostos pelo governo e retirados por emendas parlamentares — uma disputa clássica entre Executivo e Legislativo, mas que ganhou contornos políticos mais profundos.
PRESIDÊNCIA ISOLADA, PLENÁRIO ESVAZIADO E O RECADO DA BASE
Chamou atenção o fato de, pela oposição, apenas o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), estar presente em plenário. Sua decisão de não votar acabou ampliando o isolamento político do campo oposicionista e reforçou a leitura de que a base governista conseguiu impor sua maioria de forma clara e objetiva. Mais do que uma derrota numérica, foi uma derrota simbólica da oposição, que optou por não enfrentar o debate no voto.
É justamente nesse ponto que a crítica ganha densidade política. Ao informar que os projetos seriam previamente submetidos à Procuradoria da Casa, sem prazo definido para os pareceres, a Presidência da Alepe reacendeu um embate antigo: até que ponto o setor jurídico pode ou deve interferir no ritmo e no mérito das decisões legislativas?
DÉBORA ALMEIDA: DISCURSO DURO, ARGUMENTO INSTITUCIONAL
Foi nesse contexto que Débora Almeida demonstrou desenvoltura, firmeza e clareza política. Sua declaração foi direta, sem rodeios, e carregada de significado institucional. Ao afirmar que o presidente “pode consultar quem quiser, mas não pode usurpar a competência e o poder do Plenário”, a deputada tocou no nervo exposto da crise: a tentativa de transferir decisões políticas para pareceres técnicos, como forma de diluir responsabilidades.
Débora foi além ao criticar o que classificou como decisões autoritárias disfarçadas de tecnicidade. Ao destacar que não se pode “não assumir o ônus das decisões”, ela aponta para um problema recorrente na política contemporânea: governar — ou presidir uma Casa Legislativa — exige assumir custos, enfrentar divergências e respeitar a regra básica da democracia representativa, que é a decisão colegiada.
Nesse ponto, a deputada tem razão. A Procuradoria é órgão de assessoramento, não de substituição da vontade soberana dos deputados. Quando pareceres passam a ser usados como escudo político, o debate deixa de ser jurídico e passa a ser essencialmente político — e é exatamente isso que Débora denunciou.
BASE GOVERNISTA ALINHADA E UM RECADO CLARO À PRESIDÊNCIA
A reação da bancada governista foi imediata e coesa. Ao rechaçar a interferência do órgão jurídico no processo legislativo, os deputados da base reforçaram que o período extraordinário existe justamente para permitir o rito regimental completo: comissões, debates e, por fim, decisão em plenário. Qualquer tentativa de travar esse fluxo soa menos como zelo institucional e mais como estratégia política.
Débora Almeida, ao se posicionar de forma clara, não apenas defendeu o governo Raquel Lyra, mas também se colocou como defensora de um Legislativo forte, que decide à luz do debate político e não sob a tutela excessiva de pareceres técnicos. É uma postura que agrada ao Palácio do Campo das Princesas e, ao mesmo tempo, dialoga com deputados que veem no plenário o espaço máximo de decisão.
NA LUPA: QUANDO A VOZ FIRME FAZ DIFERENÇA
No tabuleiro político da Alepe, a sessão desta sexta-feira deixou lições importantes. Uma delas é que o governo sabe jogar com o regimento e garantir maioria quando necessário. Outra, talvez mais relevante, é que vozes firmes como a de Débora Almeida fazem diferença num ambiente cada vez mais marcado por disputas de narrativa.
Ao defender a soberania do plenário e criticar decisões monocráticas, a deputada não apenas marcou posição — ela se consolidou como uma das principais articuladoras políticas na defesa do governo dentro da Casa. E, em tempos de tensão institucional, isso não é pouco. É política em estado puro, passada na lupa.
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