sábado, 10 de janeiro de 2026

DECISÃO JUDICIAL FREIA CASSAÇÃO EM BUÍQUE E ACENDE ALERTA SOBRE SEGURANÇA JURÍDICA NO LEGISLATIVO PERNAMBUCANO

A suspensão da cassação dos vereadores do MDB de Buíque, determinada por decisão judicial, provocou um abalo imediato no cenário político local e reacendeu um debate mais amplo sobre os limites da Justiça Eleitoral e o respeito ao devido processo legal em Pernambuco. Ao interromper os efeitos do acórdão que afastava os parlamentares, a magistrada responsável pelo caso sinalizou, de forma clara, que a execução de uma cassação antes do esgotamento de todos os recursos pode contrariar entendimentos mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A decisão assegura que os vereadores permaneçam no exercício pleno de seus mandatos até que a instância ordinária seja definitivamente encerrada, ou seja, até que todos os recursos cabíveis sejam analisados. Na prática, o despacho não absolve nem condena os parlamentares, mas estabelece um freio à execução imediata da punição, reforçando o princípio da ampla defesa e do contraditório, pilares do Estado Democrático de Direito.

Nos bastidores da política de Buíque, a medida foi recebida como uma reviravolta. Aliados dos vereadores do MDB comemoraram o que classificam como uma “correção de rumo”, enquanto adversários passaram a adotar um discurso mais cauteloso, evitando cravar qualquer desfecho. A suspensão é temporária, mas suficiente para alterar o tabuleiro político do município, especialmente em um contexto em que a composição da Câmara Municipal tem peso direto nas articulações locais e nas decisões administrativas.

O impacto da decisão, no entanto, ultrapassa as fronteiras de Buíque. Juristas e observadores da cena política pernambucana passaram a questionar a legitimidade de outras cassações recentes no estado, em que vereadores foram afastados dos cargos mesmo com recursos ainda pendentes de julgamento. O entendimento reforçado pela magistrada dialoga com posicionamentos recentes do TSE, que têm apontado a necessidade de cautela na execução imediata de decisões que resultem na perda de mandato eletivo.

Esse novo cenário gera um ambiente de incerteza jurídica. De um lado, há a cobrança por rigor no combate a irregularidades eleitorais; de outro, cresce a preocupação com decisões precipitadas que possam ser revistas posteriormente, causando instabilidade institucional e prejuízos à vontade do eleitor. A permanência provisória dos vereadores do MDB no cargo evidencia esse dilema e coloca em xeque práticas adotadas em outros municípios pernambucanos.

Enquanto o processo segue seu curso normal nos tribunais, Buíque vive um momento de expectativa. A decisão judicial não encerra o caso, mas impõe um compasso de espera que mantém o debate aceso tanto no meio jurídico quanto no político. Mais do que um episódio isolado, a suspensão da cassação passa a ser vista como um precedente relevante, capaz de influenciar julgamentos futuros e redefinir a forma como a Justiça Eleitoral lida com a execução de decisões antes do trânsito em julgado.

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