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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

EX-VEREADORA DE GARANHUNS QUEBRA O SILÊNCIO, PEDE PROTEÇÃO NA JUSTIÇA E EXPÕE DRAMA VIVIDO COM EX-COMPANHEIRO

Garanhuns voltou a ser palco de um assunto delicado que, infelizmente, ainda faz parte da realidade de muitas mulheres: o medo de quem um dia esteve dentro de casa. Ontem, uma ex-vereadora do município decidiu tornar pública nas redes sociais a informação de que precisou recorrer à Justiça para pedir uma medida protetiva contra o ex-companheiro. A revelação rapidamente se espalhou entre moradores, grupos de mensagens e perfis locais, gerando indignação, apoio e também um forte debate sobre violência contra a mulher.

Segundo o relato feito por ela própria, a decisão de buscar proteção não foi simples, mas necessária. A ex-parlamentar afirmou que procurou os meios legais após situações que a deixaram insegura e com receio pela própria integridade. A Justiça, de acordo com a publicação, concedeu a medida protetiva, instrumento que impede aproximação e qualquer tipo de contato do ex-companheiro. Mesmo sem detalhes oficiais divulgados pelas autoridades até o momento, o gesto de tornar o caso público mostra a gravidade do que ela diz ter enfrentado.

Em cidades do porte de Garanhuns, onde muita gente se conhece e a vida pessoal quase sempre vira assunto público, expor um problema desse tamanho exige coragem. E é justamente aí que o caso ganha ainda mais peso. Não se trata apenas de uma figura que já ocupou cargo político, mas de uma mulher que afirma ter se sentido ameaçada por alguém que já fez parte da sua vida íntima. Quando uma situação chega ao ponto de exigir proteção judicial, o que existe por trás não é “briga de casal”, como muitos ainda tentam minimizar, mas um cenário de medo, pressão e possível violência psicológica.

A atitude atribuída ao ex-companheiro, conforme o que foi relatado por ela, se encaixa num comportamento que a lei brasileira já reconhece como perigoso: insistência indesejada, intimidação, perseguição e tentativas de manter controle após o fim do relacionamento. Esse tipo de postura, além de abusiva, é vista como sinal de alerta para algo que pode evoluir de forma ainda mais grave. Nenhum homem tem o direito de transformar o fim de um relacionamento em um pesadelo para a mulher. Insistir, ameaçar ou tentar amedrontar não é prova de amor, é violência.

A medida protetiva, prevista na Lei Maria da Penha, existe exatamente para frear esse tipo de comportamento antes que ele se transforme em agressão física ou tragédia. Ela funciona como um limite imposto pela Justiça quando o respeito já foi ultrapassado. Ao que foi divulgado, o ex-companheiro não pode se aproximar nem manter contato, o que mostra que o Judiciário entendeu haver risco suficiente para agir com urgência.

O caso também escancara uma realidade dura: muitas mulheres só procuram ajuda quando a situação já está insuportável. O medo de não serem acreditadas, a vergonha da exposição e a pressão social ainda silenciam vítimas todos os dias. Quando alguém conhecido na cidade resolve falar, isso ajuda a jogar luz sobre um problema que costuma ficar escondido atrás de portas fechadas.

Em Garanhuns e em todo o Brasil, a violência contra a mulher não escolhe classe social, profissão nem visibilidade pública. Pode atingir qualquer uma. E quando um homem, inconformado com o fim de uma relação, passa a agir de forma agressiva ou intimidadora, ele deixa de ser “ex” e passa a ser um risco. A sociedade precisa parar de relativizar esse tipo de atitude e começar a chamar pelo nome certo: abuso.

Até que haja posicionamentos oficiais das autoridades, o que se tem de concreto é o relato da ex-vereadora e a confirmação de que ela buscou proteção judicial. Isso, por si só, já é um sinal de alerta. Mais do que curiosidade sobre o caso, o momento pede reflexão e responsabilidade. Toda mulher tem direito de terminar um relacionamento e seguir a vida em paz. Quem tenta transformar isso em medo precisa ser contido pela lei — e, acima de tudo, reprovado pela sociedade.

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