quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

GRANIZO SURPREENDE O SERTÃO: ARARIPINA E EXU REGISTRAM FENÔMENO RARO E IMPACTANTE

Moradores de Araripina e Exu, no Sertão do Araripe, viveram momentos de surpresa e apreensão na tarde desta segunda-feira (6), quando uma forte chuva atingiu os municípios acompanhada por queda de granizo. O fenômeno, pouco comum no imaginário de quem vive em uma das regiões mais quentes e secas de Pernambuco, chamou a atenção pela intensidade e rapidamente tomou conta das redes sociais, com vídeos e relatos de moradores impressionados com o cenário incomum.

De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), apesar de não ser frequente, a ocorrência de granizo no Sertão está longe de ser um evento extraordinário. A explicação está ligada à formação de nuvens do tipo Cumulonimbus, conhecidas pela grande verticalização e pela capacidade de gerar tempestades severas. Esse tipo de nuvem é relativamente mais comum no Sertão pernambucano do que em outras regiões do Estado, o que cria condições favoráveis para fenômenos como ventos fortes, descargas elétricas e, eventualmente, o granizo.

A Apac esclarece que o granizo se forma a partir de fortes correntes ascendentes de ar quente, que elevam gotas de água para regiões mais altas e frias da atmosfera. Nesse ambiente, as gotas congelam e, ao ganharem peso, caem em forma de pequenas pedras de gelo. Esse processo costuma ocorrer em dias de temperaturas elevadas, especialmente quando há a influência de sistemas meteorológicos que provocam contrastes térmicos significativos.

No caso específico do Sertão do Araripe, a atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (Vcan) sobre o Nordeste tem sido determinante para o cenário observado. Esse sistema atmosférico tem favorecido a ocorrência de pancadas de chuvas isoladas no Sertão, principalmente no extremo oeste da região, ao mesmo tempo em que dificulta a formação de chuvas mais consistentes no Litoral e no Agreste pernambucano.

Embora não haja registro de danos graves até o momento, o episódio reforça a importância do monitoramento climático e da atenção da população a mudanças bruscas no tempo, mesmo em regiões tradicionalmente marcadas pelo clima seco. A Apac segue acompanhando as condições atmosféricas e alerta que eventos pontuais como esse podem voltar a ocorrer, especialmente durante períodos de instabilidade associados a sistemas de grande escala que atuam sobre o Nordeste.

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