As atenções se voltaram, inicialmente, para o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que nos últimos dias fez críticas indiretas ao PSB ao mencionar um suposto “abandono do Sertão” e concedeu entrevista deixando em aberto o palanque que pretende integrar nas próximas eleições. As declarações acenderam o sinal de alerta no núcleo político do prefeito, já que Miguel é apontado como um dos principais nomes da Frente Popular para a disputa ao Senado.
Para tentar conter o desgaste, João Campos tratou de tornar pública uma agenda ao lado do ministro dos Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, outro personagem central desse tabuleiro. Logo cedo, o prefeito divulgou nas redes sociais uma visita técnica ao Aeroporto Internacional dos Guararapes, que passa por um amplo processo de modernização. Ao lado do ministro, João fez questão de elogiar o trabalho de Sílvio à frente da pasta, reforçando a parceria institucional e política.
O gesto foi correspondido. Sílvio Costa Filho afirmou que vinha sendo cobrado diretamente por João Campos sobre o andamento das obras e destacou os investimentos previstos: R$ 600 milhões ao longo de cinco anos, além de R$ 60 milhões já destinados à modernização e recuperação do antigo terminal. A sinalização pública foi lida como uma tentativa clara de afastar qualquer especulação sobre um eventual distanciamento entre os dois, especialmente após circular a informação de que o ministro chegou a cogitar permanecer exclusivamente no governo federal ao perceber que sua vaga ao Senado não estaria totalmente assegurada no palanque da Frente Popular.
Mais tarde, após a inauguração da Ponte do Arruda, João Campos voltou a tratar do tema político. Mesmo sem ser questionado, fez questão de mencionar uma conversa recente com Miguel Coelho. Em tom otimista, afirmou que ambos realizaram uma leitura conjunta do cenário e que o ex-prefeito de Petrolina estaria “muito animado”. “Nosso conjunto político está muito animado. Eu disse que 2026 seria um grande ano para nós e esta profecia está se realizando”, declarou o prefeito, numa tentativa evidente de transmitir tranquilidade e coesão.
As movimentações de João Campos ocorrem num momento em que, conforme já relatado pelo Blog Dellas no início da semana, começam a surgir dificuldades para acomodar todos os interesses dentro do grupo que se formou ao seu redor. O principal nó está na disputa pelas vagas ao Senado: há mais pré-candidatos do que espaços disponíveis. Além de Miguel Coelho e Sílvio Costa Filho, também aparece no radar a ex-deputada federal Marília Arraes, que corre por fora.
Uma das vagas é dada como praticamente certa para o senador Humberto Costa (PT). No entanto, nem mesmo o PT apresenta consenso interno em Pernambuco. Enquanto um segmento defende a manutenção da aliança com a governadora Raquel Lyra, outro prefere seguir com João Campos, o que adiciona mais um elemento de incerteza à equação.
No caso específico de Miguel Coelho, o cenário se torna ainda mais complexo. Ele integra a Federação União Progressista, que em Pernambuco é presidida pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP), também pré-candidato ao Senado, mas alinhado à chapa da governadora Raquel Lyra. O impasse partidário pode se transformar em mais um obstáculo para a consolidação de Miguel no palanque liderado pelo PSB.
Diante desse quadro, as recentes ações de João Campos revelam mais do que simples agendas administrativas. Elas expõem um líder atento, que busca demonstrar força, diálogo e controle, mas que também enfrenta o desafio de administrar vaidades, projetos pessoais e interesses cruzados. O recado está dado: o prefeito quer mostrar que segue no comando, mesmo sabendo que o caminho até 2026 promete ser bem mais turbulento do que aparenta.
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