A anulação da Operação Barriga de Aluguel, que investigava um suposto esquema envolvendo empreiteiras ligadas à gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ganhou novos contornos com a revelação de informações adicionais sobre o magistrado responsável pela decisão. O juiz Rildo Vieira da Silva, que arquivou integralmente a investigação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), é pai de Lucas Vieira Silva, candidato nomeado procurador do município após mudança no resultado de um concurso público já homologado há dois anos.
Rildo Vieira da Silva havia sido promovido recentemente da Vara de Carpina para a Vara dos Crimes Contra o Patrimônio Público, promoção ocorrida cerca de um mês antes de assumir o caso de maior repercussão política envolvendo a Prefeitura do Recife. Foi já nessa nova função que ele recebeu, no dia 6 de novembro de 2025, a redistribuição do processo relacionado à Operação Barriga de Aluguel, deflagrada em 14 de agosto de 2025 para apurar suspeitas de corrupção em contratos com empreiteiras na gestão do PSB.
De acordo com seis fontes consultadas pelo Blog, que apresentaram provas documentais mantidas sob sigilo de Justiça, o processo chegou às mãos do magistrado por volta das 16h. Apenas três horas depois, às 19h do mesmo dia, o juiz proferiu decisão anulando toda a operação de busca e apreensão e determinando o arquivamento do caso. As fontes, que afirmam ter checado e rechecado todas as informações, sustentam que o volume do processo era composto por milhares de páginas, o que tornaria praticamente impossível uma análise técnica completa em um intervalo tão curto de tempo.
Mesmo diante desse cenário, a decisão foi tomada de forma definitiva, encerrando a investigação naquele momento. Todos os dados que embasam a apuração jornalística, segundo o autor da matéria, estão sob sua guarda, respeitando o direito constitucional ao sigilo da fonte.
O contexto se torna ainda mais sensível porque, paralelamente à anulação da operação, tramitava na Prefeitura do Recife um pedido administrativo de Lucas Vieira Silva, filho do magistrado, para ser enquadrado como pessoa com deficiência (PcD) no concurso da Procuradoria Municipal realizado em 2022 e homologado desde junho de 2023. A aceitação do pedido resultou na alteração do resultado final do certame, com a retirada de um candidato PcD que havia obtido legitimamente a vaga, abrindo caminho para a nomeação de Lucas como procurador judicial do município.
A combinação desses fatos — a promoção recente do juiz para a vara especializada, a rapidez inédita na anulação de uma operação de grande porte e o benefício direto a um familiar em decisão administrativa da gestão municipal investigada — alimenta questionamentos sobre possível conflito de interesses e tráfico de influência. Para críticos, o caso expõe fragilidades institucionais e lança dúvidas sobre a separação entre decisões judiciais, atos administrativos e interesses pessoais no âmbito do poder público.
Enquanto isso, a Operação Barriga de Aluguel permanece arquivada, e as investigações sobre contratos da Prefeitura do Recife seguem paralisadas, mantendo em aberto uma série de perguntas que continuam sem resposta e que repercutem fortemente no cenário político e jurídico de Pernambuco.
Informações do Blog Manuel Medeiros
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