sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MORDIDA EM PARAÍSO: ADVOGADA É ATINGIDA POR TUBARÃO EM NORONHA E EPISÓDIO ACENDE ALERTA AMBIENTAL

O que deveria ser mais um mergulho de contemplação em um dos cenários mais preservados do Brasil terminou em susto e debate ambiental. Uma advogada de 36 anos, turista de São Paulo, foi mordida na perna direita por um tubarão-lixa enquanto praticava snorkel na manhã desta sexta-feira (9), na região do Porto de Santo Antônio, em Fernando de Noronha. Apesar do impacto da cena, o caso teve desfecho tranquilo do ponto de vista clínico, mas reacendeu discussões importantes sobre a relação entre turismo e vida marinha no arquipélago.

A vítima foi socorrida rapidamente e encaminhada ao Hospital São Lucas, onde deu entrada estável, consciente e orientada. O ferimento, segundo a unidade de saúde, era superficial e sem risco à vida. Após curativos, prescrição medicamentosa e orientações para cuidados locais, a turista recebeu alta médica ainda no mesmo dia. Nas redes sociais, ela fez questão de tranquilizar familiares e seguidores. Em tom leve, relatou ter sido mordida por um tubarão-lixa durante o mergulho e afirmou que estava bem. Em outra publicação, chegou a brincar com a situação, dizendo que o animal “deve estar sem dente”.

Embora o episódio não tenha resultado em consequências graves, o protocolo de segurança foi imediatamente acionado. O Hospital São Lucas comunicou o caso aos órgãos de Vigilância Ambiental, ao Corpo de Bombeiros, ao ICMBio e ao Comitê de Monitoramento de Incidentes com Tubarões. A área passou a ser monitorada e medidas preventivas começaram a ser discutidas junto ao setor de turismo, em uma tentativa de evitar novos registros semelhantes.

O caso, no entanto, não é isolado. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, este já é o segundo episódio de mordida de tubarão registrado nas últimas duas semanas em Fernando de Noronha. Em um recorte mais amplo, são quatro ocorrências em apenas três meses, um número que chama atenção em um território conhecido mundialmente pela convivência relativamente harmônica entre humanos e animais marinhos.

Entre as hipóteses levantadas por especialistas e autoridades ambientais está a alimentação irregular de tubarões, prática proibida, mas que ainda pode ocorrer de forma clandestina. A oferta de alimento próximo a embarcações teria o objetivo de atrair os animais para mais perto, permitindo que turistas observem e nadem ao lado deles. Essa interferência no comportamento natural dos tubarões pode alterar seus padrões de circulação e aumentar o risco de incidentes, especialmente em áreas de grande fluxo de visitantes.

Fernando de Noronha segue sendo um santuário ecológico e um dos destinos mais desejados do país, mas episódios como este reforçam a necessidade de equilíbrio entre exploração turística e preservação ambiental. O susto vivido pela advogada terminou sem maiores danos físicos, mas deixou um recado claro: em um ambiente selvagem, mesmo quando paradisíaco, o respeito às regras de conservação não é apenas uma formalidade — é uma questão de segurança para humanos e animais.

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