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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

MPPE COBRA EXPLICAÇÕES À SDS APÓS DENÚNCIA DE SUPOSTA ESPIONAGEM ENVOLVER SECRETÁRIO DA PREFEITURA DO RECIFE

Um dia depois de ganhar repercussão estadual, a denúncia de uma suposta ação de espionagem envolvendo um integrante do alto escalão da Prefeitura do Recife passou a ser oficialmente acompanhada pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O órgão informou que encaminhou ofício à Secretaria de Defesa Social (SDS) solicitando esclarecimentos sobre a apuração do caso, que veio à tona após reportagem exibida no último domingo pelo programa Domingo Espetacular, da TV Record.

Em nota, o MPPE afirmou que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e, diante da gravidade das informações divulgadas, decidiu formalizar o pedido de dados à pasta responsável pela segurança pública no Estado. O Ministério Público, no entanto, não detalhou qual Promotoria ficará responsável por analisar o material a ser encaminhado nem indicou quais medidas poderão ser adotadas a partir das conclusões obtidas.

A denúncia exibida na televisão aponta que policiais lotados na Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel) teriam utilizado métodos típicos de investigação sigilosa para monitorar o secretário de Articulação Política e Social da Prefeitura do Recife, Gustavo Queiroz Monteiro. Entre os recursos citados estaria a instalação de um rastreador em veículo, o que levantou suspeitas de possível uso indevido da estrutura policial para fins que estariam fora do interesse público.

Diante da repercussão, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, concedeu entrevista coletiva na segunda-feira e negou qualquer motivação de perseguição política. Segundo ele, a atuação da polícia teve origem em uma denúncia anônima que apontava o uso irregular de um veículo locado pela gestão municipal para supostos pagamentos de propina. Carvalho explicou que houve uma investigação preliminar, com monitoramento realizado entre os meses de agosto e outubro de 2025, mas que, por falta de provas, o procedimento foi arquivado.

O titular da SDS também afirmou que a prioridade, neste momento, é apurar como informações internas e consideradas sigilosas vieram a público. De acordo com ele, foi instaurado um inquérito para investigar o vazamento de dados da investigação, incluindo a divulgação de mensagens trocadas em um grupo de WhatsApp criado exclusivamente por policiais para tratar da denúncia anônima.

O caso coloca em evidência não apenas a possível utilização de ferramentas de inteligência policial, mas também o debate sobre limites legais, controle institucional e transparência nas ações de órgãos de segurança. Com a entrada do Ministério Público na apuração, a tendência é que o episódio ganhe novos desdobramentos nos próximos dias, tanto no campo jurídico quanto no político, ampliando a pressão por esclarecimentos sobre a condução da investigação e a origem das informações que vieram a público.

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