De forma dura e sem rodeios, Neném afirma que jamais disse que não existia oposição no município. Pelo contrário: reforça que sempre deixou claro que existem, sim, correntes oposicionistas organizadas e atuantes. Para ilustrar o argumento, usou uma comparação forte e simbólica: “ninguém foi unanimidade em lugar nenhum, nem Jesus Cristo”. A frase, segundo ele, foi retirada do contexto para beneficiar o discurso do atual prefeito e de aliados que insistem em vender a ideia de hegemonia política absoluta.
O ex-prefeito também atacou frontalmente a suposta existência de pesquisas eleitorais atribuídas a ele. Neném foi categórico ao afirmar que nunca se apresentou levantamento algum com números eleitorais de unanimidade. “Essa pesquisa não existe”, cravou, sugerindo que os números foram fabricados para tentar intimidar adversários e criar um ambiente artificial de superioridade política.
No entendimento de Neném, esse tipo de discurso revela mais insegurança do que força. Ele afirma que há uma tentativa clara de subestimar quem diverge, intimidar opositores e desqualificar trajetórias políticas que não se alinham ao grupo do prefeito. Para o ex-gestor, a verdadeira pesquisa acontece no dia da eleição, quando o eleitor se manifesta livremente e a urna revela não apenas números, mas caráter, coerência e história de cada personagem envolvido no jogo político.
Neném foi ainda mais incisivo ao mencionar episódios recentes que, segundo ele, desmontam de vez a tese de unanimidade. Citou o atual presidente da Câmara, Tonho Crioulo, como exemplo de alguém que hoje ocupa posição de destaque, mas carrega um histórico político que será julgado pelo eleitor. Lembrou também que a mais recente “vítima” do prefeito, antes aliada, agora integra o campo da oposição, evidenciando que o grupo governista enfrenta fissuras internas e perdas políticas relevantes.
Ao ampliar o cenário, o ex-prefeito destacou que a oposição em Capoeiras não é isolada nem improvisada. Segundo ele, existe um grupo consistente formado por ex-prefeitos como Neide, Dudu, o próprio Neném e Nathália. Mesmo reconhecendo que nem todos compartilham atualmente a mesma visão sobre deputados ou governadores, ele reforça que há um ponto de convergência claro: todos fazem oposição ao modelo de gestão do atual prefeito, que, nas palavras de Neném, “se comporta como dono de Capoeiras”.
A declaração do ex-prefeito escancara um ambiente político longe da calmaria que o discurso oficial tenta vender. O que se vê, segundo Neném, é uma cidade politicamente viva, marcada por disputas, divergências e um eleitorado que não aceita ser tratado como massa de manobra. Para ele, a narrativa de unanimidade é frágil, artificial e não resiste ao confronto com a realidade das ruas, das alianças desfeitas e das oposições que seguem ativas, organizadas e dispostas a disputar o futuro político do município.
Nenhum comentário:
Postar um comentário