quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

NOVAS BAIXAS E INCERTEZAS AMPLIAM RECONFIGURAÇÃO DO PL EM PERNAMBUCO E REDESENHAM CENÁRIO PARA 2026

O Partido Liberal em Pernambuco atravessa um processo acelerado de reorganização que vai muito além de ajustes pontuais. As saídas já consumadas do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros, do ex-ministro do Turismo Gilson Machado e de seu filho, o vereador do Recife Gilson Filho, ganharam um novo capítulo com a confirmação de que o deputado estadual Renato Antunes deixará a legenda no dia 12 de março para se filiar ao Partido Novo, onde disputará a reeleição. E o cenário pode se tornar ainda mais delicado: nos bastidores, cresce a possibilidade de o deputado federal Fernando Rodolfo também deixar o PL, o que aprofundaria o esvaziamento do partido no Estado.

Com a saída de Renato Antunes, o PL já perde um dos cinco deputados estaduais que possui atualmente, reduzindo sua força na Assembleia Legislativa e seu poder de articulação institucional. A eventual saída de Fernando Rodolfo, parlamentar com base eleitoral consolidada no Agreste, representaria um golpe ainda mais sensível, sobretudo na montagem da chapa federal, que vinha sendo pensada como uma das mais competitivas da legenda para 2026.

Esse movimento de enxugamento tem dois efeitos claros. De um lado, diminui significativamente os conflitos internos que marcaram o partido nos últimos anos, especialmente as disputas por protagonismo e espaço eleitoral. De outro, impõe dificuldades reais para a formação de chapas proporcionais fortes, capazes de sustentar projetos majoritários e garantir desempenho expressivo nas urnas.

Nesse ambiente menos conflagrado, o ex-prefeito de Jaboatão e presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, passa a ter mais margem para definir seu futuro político. A disputa pelo Senado Federal, antes cercada de disputas internas e sobreposições de interesses, surge agora como uma possibilidade mais tranquila. Ainda assim, interlocutores avaliam que Anderson pode optar por uma estratégia alternativa: concorrer a deputado federal, deslocando o irmão, André Ferreira, para a disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa, movimento que já vinha sendo ventilado nos bastidores políticos.

Paralelamente, Gilson Machado também recalibra sua estratégia eleitoral. A hipótese de disputar o Senado praticamente sai de cena. Pessoas próximas ao ex-ministro relatam que ele está convencido de que não pode correr o risco de ficar sem mandato, o que o levou a abandonar a corrida majoritária e concentrar esforços na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Caso confirme essa decisão, Gilson tende a “engordar” significativamente a chapa federal do partido que escolher para se filiar.

Além disso, Gilson Machado deve atuar diretamente no fortalecimento das chapas proporcionais ao lado do filho, Gilson Filho. O vereador do Recife chega forte para 2026 após ter sido o segundo mais votado da capital na eleição municipal de 2024, credencial que o coloca como um nome altamente competitivo para a Assembleia Legislativa. A possibilidade de uma dobradinha entre pai e filho — Gilson para deputado federal e Gilsinho para deputado estadual — já foi admitida pelo próprio ex-ministro em conversas políticas recentes.

Um dirigente de um dos partidos com os quais Gilson Machado mantém diálogo confirmou ao blog que o ex-ministro tem sido enfático ao afirmar que a prioridade absoluta é garantir mandato. Essa convicção teria sido determinante para o abandono definitivo da candidatura ao Senado, vista como uma disputa longa e arriscada, em favor de um caminho considerado mais curto e seguro.

Com a possibilidade adicional da saída de Fernando Rodolfo, o PL pernambucano entra em um momento decisivo. Menos inchado e com menos conflitos, o partido precisará, ainda assim, enfrentar o desafio de reconstruir sua musculatura eleitoral e redefinir estratégias para não perder relevância em 2026. As próximas semanas prometem ser de intensa movimentação política, com impactos diretos no desenho das chapas e no equilíbrio de forças no Estado.

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