A mobilização teve como principal motivação a falta de repasses financeiros por parte do Governo Federal, responsável pela execução da Operação Carro-Pipa. Segundo os manifestantes, há pipeiros que não recebem desde outubro de 2025, enquanto outros ainda aguardam pagamentos referentes ao mês de novembro do mesmo ano. A situação tem gerado um efeito em cadeia que ameaça a continuidade do abastecimento de água em diversos municípios do Sertão e do Agreste.
Antes de iniciar o bloqueio da rodovia, os trabalhadores realizaram o abastecimento de seus caminhões com água potável, reforçando o caráter essencial do serviço que prestam. Em seguida, posicionaram os veículos na pista de forma ordenada, interrompendo parcialmente o tráfego e chamando a atenção de motoristas, moradores e autoridades para a gravidade do problema. Apesar do transtorno momentâneo, o protesto ocorreu de forma tranquila, sem registro de conflitos ou incidentes.
De acordo com os pipeiros, o atraso nos pagamentos inviabiliza a manutenção da operação. Os custos com combustível, manutenção dos caminhões, compra de peças e despesas em postos e oficinas estão se acumulando, sem qualquer garantia de quando os valores devidos serão regularizados. Muitos relatam dificuldades financeiras severas e afirmam que não têm mais condições de manter os veículos rodando sem o recebimento pelos serviços já executados.
A categoria alerta que, caso a situação persista, o abastecimento poderá ser suspenso, afetando diretamente milhares de famílias que dependem exclusivamente da Operação Carro-Pipa para ter acesso à água potável. Entre os municípios que podem ser impactados estão Buíque, Arcoverde, Pedra, Venturosa, Alagoinha e Pesqueira, localidades onde a escassez hídrica ainda é uma realidade constante, especialmente nas comunidades rurais.
Considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento à seca no semiárido, a Operação Carro-Pipa é responsável por garantir água para consumo humano em regiões castigadas pela estiagem prolongada. Para os pipeiros, a falta de regularidade nos pagamentos compromete não apenas a dignidade dos trabalhadores, mas também a segurança hídrica de milhares de pessoas que dependem diariamente do serviço para sobreviver.
Ao final do protesto, os manifestantes liberaram a rodovia, mas deixaram um recado claro: sem a regularização imediata dos repasses, novas mobilizações não estão descartadas. A categoria cobra sensibilidade e agilidade do Governo Federal para evitar que o problema se agrave e resulte em uma crise ainda maior no abastecimento de água no interior de Pernambuco.
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