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domingo, 25 de janeiro de 2026

PT SINALIZA CAMINHO COM PSB, MAS LULA PODE VIRAR O FIEL DA BALANÇA NA DISPUTA PELO GOVERNO DE PERNAMBUCO

A movimentação do PT em Pernambuco voltou ao centro do debate político estadual após a entrevista do senador Humberto Costa ao Blog no último domingo. Pré-candidato à reeleição, o parlamentar adotou um tom cauteloso, mas deixou claro que a legenda ainda vai promover uma escuta popular antes de bater o martelo sobre os rumos eleitorais de 2026. Mesmo assim, apontou como “tendência natural” um alinhamento com o PSB, que deve lançar o prefeito do Recife, João Campos, como candidato ao Governo do Estado.

A fala não foi definitiva, mas teve peso político. Ela surge em meio a um ambiente de especulações sobre um possível rompimento histórico entre PT e PSB em Pernambuco — aliança que, entre idas e vindas, moldou boa parte do cenário político local nas últimas décadas. Nos bastidores, setores petistas defendem uma aproximação com a governadora Raquel Lyra, redesenhando o tabuleiro tradicional.

Humberto, no entanto, tratou de lembrar que a relação entre petistas e socialistas sempre foi marcada por convergências e disputas. Em diferentes momentos, ambos os lados colheram ganhos e prejuízos. Um marco dessa história foi 2012, quando um racha envolvendo o PT abriu espaço para o PSB conquistar a Prefeitura do Recife, iniciando um ciclo de poder que se mantém até hoje na capital.

Por outro lado, também houve episódios em que o PT saiu fortalecido após reveses do PSB. Em 2022, por exemplo, os petistas ampliaram presença no Senado, consolidando lideranças como o próprio Humberto Costa e Teresa Leitão no cenário nacional. Esse histórico de perdas e compensações ajuda a explicar por que a reaproximação agora é vista como estratégica por parte da legenda.

Outro fator que pesa é o posicionamento nacional. João Campos já declarou apoio ao presidente Lula desde 2024, e o PSB integra a base do governo federal. Isso reforça a leitura de que uma aliança estadual com o PT manteria coerência com o palanque presidencial.

Mas a grande incógnita não é apenas o palanque do PT — e sim o de Lula. A possibilidade de o presidente aparecer em mais de um palanque em Pernambuco deixou de ser apenas especulação e passou a ser tratada como cenário real. Segundo Humberto, se o PT estiver em um campo, defenderá que Lula também participe daquele espaço. O Planalto, porém, pode ter uma estratégia mais ampla.

Num estado que tende a viver uma eleição polarizada, Lula pode optar por somar apoios dos principais candidatos ao governo. Para o presidente, isso significaria ampliar a base eleitoral sem se prender a um único grupo. Para João Campos e o PSB, contudo, a exclusividade do apoio presidencial seria um ativo político valioso demais para abrir mão.

Já para o PT, um cenário com Lula em múltiplos palanques poderia representar vantagem direta. A legenda teria seus candidatos vinculados à imagem presidencial e ainda poderia contar com o empenho de aliados fortes na campanha ao Senado, especialmente na tentativa de reeleger Humberto Costa.

Esse debate também ecoa em outras forças da esquerda. O pré-candidato do PSOL ao Governo, Ivan Moraes, esteve com o presidente estadual do PT, Carlos Veras, e defendeu publicamente que Lula não fique restrito a um único palanque em Pernambuco. A sinalização reforça a tese de que a disputa estadual pode se transformar em um jogo de xadrez onde a peça mais cobiçada não é apenas o eleitor, mas a presença do presidente da República.

Assim, mais do que uma definição imediata de alianças, o que se desenha é uma complexa engenharia política, na qual cada gesto, cada declaração e cada silêncio passam a ter peso estratégico em uma eleição que promete ser uma das mais disputadas da história recente do estado.

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