segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

RAQUEL COLOCA O METRÔ NO CENTRO DO PODER E ASSUME PROTAGONISMO NA MAIOR TENTATIVA DE RECUPERAÇÃO DO SISTEMA EM DÉCADAS

Após anos de abandono, promessas vazias e um silêncio quase institucional em torno do colapso do transporte sobre trilhos da Região Metropolitana do Recife, o metrô volta a ocupar o centro do debate político. Desta vez, não como um problema empurrado para o governo federal ou tratado como herança insolúvel, mas como uma bandeira assumida publicamente pela governadora Raquel Lyra. A visita ao sistema metroviário, ao lado do ministro das Cidades, Jader Filho, marcou mais do que um gesto administrativo. Representou o início de uma estratégia política clara para reposicionar o Governo de Pernambuco como agente ativo na reconstrução de uma estrutura essencial para milhões de pessoas.

O anúncio de R$ 500 milhões em investimentos imediatos rompe um ciclo histórico de omissão do Estado em relação ao metrô. Mesmo sem deter o controle administrativo direto do sistema, Raquel decidiu ocupar o espaço deixado por gestões anteriores e se colocar como fiadora política da recuperação. Ao fazer isso, assume riscos, mas também inaugura uma nova lógica de enfrentamento: presença constante, cobrança pública e articulação direta com o governo federal.

A governadora percorreu o saguão principal e a plataforma da Estação Joana Bezerra, uma das mais movimentadas do Recife, símbolo tanto da importância quanto do desgaste do sistema. Em seguida, seguiu de trem até a Estação Central, ao lado do ministro, em um gesto que carrega forte simbolismo político. Não foi apenas uma visita técnica, mas uma demonstração de compromisso em um ambiente que há anos reflete o sucateamento do serviço público.

O Acordo de Cooperação Técnica firmado com a União abre caminho para uma nova modelagem de gestão, incluindo a possibilidade de uma Parceria Público-Privada. Com isso, Raquel se antecipa a um desgaste tradicionalmente atribuído apenas à esfera federal e passa a dividir responsabilidades, mas também protagonismo. A governadora transforma o metrô em pauta prioritária e imprime sua marca em um tema que sempre orbitou à margem das disputas políticas estaduais.

A estratégia vai além do transporte sobre trilhos. O metrô surge como peça central de uma agenda mais ampla de mobilidade, que inclui corredores exclusivos de ônibus e o Arco Metropolitano. Nesse contexto, o sistema metroviário passa a funcionar como vitrine de gestão, onde cada entrega, por menor que seja, poderá ser apresentada como sinal de virada após décadas de deterioração.

O alinhamento com o governo federal, reforçado pela presença do ministro Jader Filho, é tratado pelo Palácio como ativo político e administrativo. Em um cenário em que grandes obras dependem fortemente de recursos da União, Raquel utiliza essa parceria como escudo contra cobranças imediatas e como base para sustentar uma narrativa de reconstrução progressiva. A aposta é clara: transformar o desgaste acumulado em capital político a partir de resultados concretos.

Durante a visita, Raquel Lyra fez questão de reforçar esse discurso. Segundo ela, o Governo do Estado decidiu deixar de ser espectador para se tornar parte ativa da solução. A governadora destacou que os investimentos permitirão reduzir o tempo de espera, melhorar a qualidade dos vagões e devolver dignidade aos usuários que dependem diariamente do metrô para chegar ao trabalho e voltar para casa.

Ao assumir o metrô como prioridade, Raquel Lyra inaugura uma mudança de postura que pode redefinir o papel do Estado em um dos maiores gargalos urbanos de Pernambuco. Mais do que recursos, a governadora aposta em presença política, articulação institucional e narrativa de reconstrução. Em um sistema marcado por promessas não cumpridas, ela tenta se consolidar como a precursora de uma virada histórica, colocando o metrô, finalmente, no centro do poder e da agenda pública.



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