sábado, 10 de janeiro de 2026

RECADO QUE VIROU ALVO DE CHACOTA: GRUPO DE JOÃO CAMPOS REAGE COM IRONIA E MINIMIZA PESO ELEITORAL DE MIGUEL COELHO

O que era para soar como um gesto político calculado acabou sendo recebido com sarcasmo e ironia nos bastidores do PSB. A declaração do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), ao blog Cenário, de Caruaru, foi interpretada por aliados do prefeito do Recife, João Campos, menos como uma sinalização estratégica e mais como um episódio de ansiedade política mal disfarçada. No campo socialista, o chamado “recadinho de Miguel” virou motivo de comentários ácidos e leituras pouco generosas sobre sua real capacidade de influência no tabuleiro estadual.

Ao afirmar que o União Brasil estará no palanque de quem “acreditar no projeto do partido” e defender espaço na majoritária, especialmente na disputa por uma vaga ao Senado, Miguel tentou marcar posição num cenário ainda em construção. A fala, no entanto, foi recebida por aliados de João Campos como uma tentativa pública de pressão, interpretada quase como um aviso: ou há espaço para o UB, ou alianças podem ser revistas. O efeito foi o oposto do desejado. Em vez de preocupação, gerou ironia.

Nos bastidores do PSB, a leitura predominante é a de que Miguel Coelho demonstra, mais uma vez, dificuldade em compreender o tempo da política e a lógica das grandes articulações. Para esse grupo, antecipar cobranças e condicionar apoios antes mesmo de a chapa estar desenhada revela mais insegurança do que força. Um aliado resumiu o sentimento com sarcasmo: “Parece alguém com pressa de chegar a um destino que ainda nem foi definido”.

A crítica vai além do episódio isolado. Lideranças socialistas avaliam que esse comportamento é recorrente e acaba enfraquecendo o próprio discurso do ex-prefeito. A ansiedade, segundo eles, passa a imagem de um projeto pessoal que busca se encaixar em qualquer construção viável, desde que garanta protagonismo imediato. Não à toa, há quem recorde que Eduardo Campos, ainda em vida, via com cautela alianças baseadas mais na conveniência do momento do que em projetos sólidos de longo prazo.

João Campos, por sua vez, é descrito por aliados como alguém que observa o movimento com tranquilidade. A avaliação interna é de que o prefeito do Recife segue focado no calendário político, sem se deixar contaminar por pressões públicas ou recados enviesados. Para esse grupo, o tempo continua sendo o maior aliado de quem lidera um projeto consistente, enquanto a pressa costuma expor fragilidades.

O tom mais duro veio de um aliado próximo ao núcleo socialista, que ironizou de forma direta a trajetória partidária de Miguel Coelho. “Ele não tem partido, aliás, nunca teve”, disparou, em referência às mudanças de legenda e à dificuldade de associar o ex-prefeito a uma identidade política clara. Na visão dessa ala, Miguel fala alto no Vale do São Francisco, mas o eco regional não seria suficiente para sustentar uma ambição de alcance estadual.

Apesar das críticas e do sarcasmo, o reconhecimento existe. O grupo de João Campos admite que Miguel Coelho é, sim, uma liderança relevante no Sertão do São Francisco, com influência consolidada em Petrolina e municípios do entorno. O problema, segundo essa leitura, é a limitação desse capital político. Fora do Sertão, dizem, sua densidade eleitoral é reduzida, o que enfraquece a narrativa de protagonismo estadual que ele tenta sustentar.

Assim, o episódio do “recadinho” acabou reforçando, entre socialistas, a percepção de que Miguel Coelho tenta se colocar como peça central de um jogo em que, para o PSB, ele ainda ocupa posição periférica. Mais do que um aviso estratégico, a fala foi tratada como um movimento apressado — e, nos bastidores do partido do prefeito do Recife, virou motivo de ironia e menosprezo quanto ao real peso eleitoral do ex-prefeito no cenário pernambucano.

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