Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro afirmou que Lula evitaria essa classificação por medo de “proteger a sua base eleitoral de criminosos e a si próprio”. A fala, rapidamente compartilhada por aliados e críticos, ganhou novo contorno quando Weintraub decidiu entrar no debate, direcionando o foco não ao atual governo, mas ao passado recente da gestão Bolsonaro.
Sem rodeios, o ex-ministro rebateu o deputado lembrando que o próprio Jair Bolsonaro teve a oportunidade de adotar a medida durante seu mandato. “Teu pai podia ter decretado”, escreveu Weintraub, desmontando o argumento de que a responsabilidade seria exclusiva do governo atual. A resposta ganhou ainda mais peso quando o ex-ministro acusou Eduardo Bolsonaro de mentir e revelou que o tema já havia sido levado diretamente ao ex-presidente.
Segundo Weintraub, em 2021 ele conversou com Jair Bolsonaro sobre o risco de o Brasil caminhar para um “narcoestado” e sobre a possibilidade de enquadrar facções criminosas como grupos terroristas. De acordo com o ex-ministro, a reação foi de desinteresse. “Nem quis ouvir”, afirmou, sugerindo que o assunto não avançou por falta de vontade política dentro do próprio governo bolsonarista.
O tom da resposta foi além da crítica política e entrou no campo pessoal. Ao chamar Eduardo Bolsonaro de “mentiroso”, Weintraub encerrou a publicação com uma frase irônica que rapidamente viralizou: “Vocês só mentem. Se chorar, manda áudio”. A expressão, comum na linguagem das redes sociais, foi interpretada como um deboche direto e um sinal claro de rompimento com parte do discurso adotado pela família Bolsonaro.
O episódio revela não apenas uma disputa de narrativas sobre segurança pública, mas também fissuras internas em um campo político que, até pouco tempo, se apresentava de forma mais coesa. Ao expor conversas de bastidores e cobrar coerência do discurso bolsonarista, Weintraub desloca o debate da crítica ao governo Lula para a cobrança de ações concretas que não foram tomadas quando Bolsonaro estava no poder.
Enquanto isso, a polêmica reacende uma discussão complexa e sensível: a eficácia e as implicações legais e diplomáticas de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Mais do que uma divergência sobre políticas públicas, o embate público entre Weintraub e Eduardo Bolsonaro evidencia que, no campo da direita, a disputa agora também é por memória, responsabilidade e protagonismo político.
Nenhum comentário:
Postar um comentário