O anúncio, tratado pela gestão como um grande feito administrativo, rapidamente se transformou em frustração coletiva. A cidade esperou 28 anos por uma oportunidade de renovação do quadro efetivo e recebeu, em troca, um edital tímido, acanhado e incapaz de atender às reais necessidades da máquina pública.
49 VAGAS PARA UMA CIDADE INTEIRA: A CONTA NÃO FECHA
O número de vagas ofertadas não resiste a qualquer análise minimamente responsável. Educação, Saúde e Administração seguem historicamente sobrecarregadas, dependentes de contratoshn 1hh c temporários e indicações políticas, enquanto o concurso entrega uma quantidade simbólica de oportunidades, incapaz de reduzir a precarização do serviço público.
Na prática, o edital mais parece cumprir uma formalidade legal do que resolver problemas estruturais. Para quem aguardou quase 30 anos, o recado é claro: a gestão não planejou, não projetou e não teve coragem de enfrentar o problema de frente.
SALÁRIOS MODESTOS, TAXAS ALTAS E A ILUSÃO DO “MARCO HISTÓRICO”
Os salários oferecidos variam entre cerca de R$ 2 mil e pouco mais de R$ 3,7 mil, valores que mal acompanham o custo de vida atual. Para piorar, as taxas de inscrição chegam a patamares elevados para a realidade econômica do município, afastando justamente quem mais precisa da estabilidade de um cargo público.
Chamar isso de “concurso histórico” soa ofensivo para uma população que convive com desemprego, subemprego e a eterna dependência do poder público local.
UMA GESTÃO QUE ACORDA TARDE E ENTREGA MIGALHAS
O histórico recente só agrava o cenário. Um concurso anterior em gestão do mesmo grupo chegou a ser anunciado e depois cancelado, alimentando expectativas e frustrações. Agora, a gestão tenta posar de eficiente com um edital reduzido, lançado como se fosse um grande favor à cidade.
Não é. É pouco. É tarde. E é insuficiente.
PROPAGANDA ELEITOREIRA NÃO SUBSTITUI PLANEJAMENTO
O concurso, do jeito que foi apresentado, soa mais como peça de marketing administrativo do que como política pública. Serve para fotos, discursos e redes sociais, mas não altera a realidade de uma prefeitura que segue inchada de contratos temporários e carente de profissionais efetivos em áreas essenciais.
Enquanto municípios vizinhos avançam com concursos robustos, Terezinha parece ter parado no tempo — não por falta de demanda, mas por falta de vontade política e visão administrativa.
A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: 28 ANOS PARA ISSO?
Depois de quase três décadas, a população esperava mais do que 49 vagas. Esperava planejamento, ousadia e compromisso com o futuro da cidade. O que recebeu foi um edital pequeno, tímido e desproporcional ao tempo de espera.
No fim das contas, o concurso público de Terezinha entra para a história — não como símbolo de avanço, mas como retrato fiel de uma gestão que pensa pequeno, age tarde e entrega pouco.
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