A leitura feita por um aliado próximo da governadora é direta e carregada de simbolismo histórico. Para ele, Raquel já figura entre os governadores mais bem avaliados que Pernambuco já teve, superando com margem confortável ex-chefes do Executivo estadual como Paulo Câmara, Miguel Arraes e Joaquim Francisco. A comparação com Paulo Câmara, inclusive, é usada como argumento central para sustentar a tese de uma reeleição praticamente contratada: em janeiro de 2018, Paulo registrava apenas 35% de aprovação e, mesmo assim, conseguiu vencer o pleito naquele ano, encerrando o processo eleitoral com cerca de 55%. “Se ele foi reeleito nessas condições, imagine Raquel Lyra, que já parte de 61%”, provocou.
Na avaliação desse mesmo interlocutor, o atual índice não representa um teto, mas sim um piso. A expectativa é de que a governadora chegue ao mês de outubro com índices próximos a 70% de aprovação, impulsionada por entregas administrativas, maior visibilidade de ações estruturantes e pela consolidação de sua imagem como gestora técnica e firme. Esse cenário, segundo ele, tornaria a disputa eleitoral quase plebiscitária, com chances reais de vitória ainda no primeiro turno, independentemente de quem venha a ser o adversário.
O argumento se ancora em uma lógica clássica da política eleitoral brasileira: eleições de reeleição tendem a funcionar como um julgamento popular da gestão. Quando o governante é bem avaliado, a recondução ao cargo costuma ser consequência natural. “Reeleição tem um forte caráter plebiscitário. Se o governante é aprovado, é reeleito; se não é, perde. Por que com Raquel Lyra seria diferente?”, questiona o aliado, resumindo o sentimento que hoje predomina no entorno do Palácio do Campo das Princesas.
Com a oposição ainda em fase de reorganização e sem um nome consolidado capaz de polarizar com força, Raquel Lyra avança com o ativo mais valioso em qualquer disputa eleitoral: aprovação popular elevada e percepção positiva da gestão. Se os números se confirmarem nos próximos levantamentos, a eleição de Pernambuco tende menos a uma disputa aberta e mais a um referendo sobre o atual governo. E, até aqui, o veredito das pesquisas tem sido amplamente favorável à governadora.
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