A confusão começou pouco depois que o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), anunciou o resultado da votação que incluía a aprovação de 87 requerimentos entre os quais estava o pedido de quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido publicamente como “Lulinha”, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A inclusão do nome de Lulinha nas investigações, motivada por suspeitas de envolvimento em esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários que estão sob investigação da CPMI, provocou forte reação entre parlamentares aliados ao governo federal.
Assim que a apuração foi proclamada, membros da base governista — entre eles deputados como Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP) — partiram em direção à mesa diretora da comissão em protesto, contestando a forma como a votação simbólica foi conduzida e acusando a oposição de “golpe” no processo de análise dos requerimentos. A tensão escalou rapidamente. Houve empurra-empurra entre parlamentares, gritos que ecoaram pelo plenário e tentativas de intervenção de outros congressistas para evitar que o confronto físico avançasse ainda mais.
Em um dos episódios mais criticados do tumulto, o deputado **Rogério Correia acabou atingindo com um soco o deputado Luiz Lima (NOVO-RJ), segundo relatos posteriores ao episódio e confirmados pelo próprio parlamentar agredido, o que deve desencadear representação no Conselho de Ética da Câmara e pedidos de expulsão da CPMI para o petista. Correia admitiu depois da confusão que a ação ocorreu num momento em que ele se sentiu empurrado por colegas, mas isso não diminuiu a gravidade da situação.
A sessão foi suspensa por cerca de quinze minutos na tentativa de restabelecer a ordem e permitir que os trabalhos da comissão pudessem prosseguir. A transmissão ao vivo da TV Senado foi interrompida por alguns instantes, e a própria instrução dos debates teve de ser reajustada após a intervenção dos vereadores e senadores presentes para acalmar os ânimos.
Nos bastidores, aliados do governo argumentaram que a votação dos requerimentos em bloco — ou seja, analisando todos os pedidos ao mesmo tempo — prejudicou a análise individual de cada item e favoreceu a aprovação de medidas polêmicas como a quebra de sigilos antes de um debate mais aprofundado. Por outro lado, integrantes da oposição defenderam a necessidade de avançar nas investigações rapidamente e responsabilizar qualquer pessoa, independentemente de vínculos políticos, apontada por indícios de envolvimento em fraudes que teriam gerado prejuízos bilionários ao INSS e aos aposentados brasileiros.
O episódio expôs a fragilidade do colegiado diante de tensões partidárias em um momento em que a comissão se aproxima de conclusões importantes sobre irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários. Até o momento, não há previsão de novas sanções formais por parte da presidência da CPMI, mas a repercussão política promete se estender ao longo dos próximos dias, com governistas e opositores reforçando versões divergentes sobre o que consideram legítimo no procedimento de investigação parlamentar.
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