Carol de Toni vinha se consolidando como um dos principais nomes da direita catarinense, com forte atuação no Congresso e presença constante em debates nacionais. Internamente, porém, esbarrou em uma barreira que se tornou intransponível: a decisão da cúpula do PL de priorizar outros arranjos políticos para o Senado, incluindo alianças nacionais e a preferência por nomes ligados diretamente ao núcleo mais próximo da família Bolsonaro. O recado foi claro nos bastidores: não haveria espaço para mais de um projeto competitivo dentro da legenda.
A deputada reagiu com pragmatismo. Em vez de aceitar um rebaixamento político ou disputar uma eleição proporcional, optou por romper e buscar outro caminho. A desfiliação revela não apenas insatisfação pessoal, mas também uma leitura estratégica de cenário. Pesquisas internas e levantamentos já divulgados indicam que Carol de Toni possui densidade eleitoral suficiente para sustentar uma candidatura ao Senado fora do PL, algo raro em um sistema político ainda fortemente dependente das estruturas partidárias.
O movimento também escancara uma contradição do próprio PL: ao mesmo tempo em que se apresenta como o principal abrigo da direita no país, a legenda enfrenta dificuldades para acomodar lideranças regionais competitivas quando estas entram em rota de colisão com decisões tomadas em Brasília. Em Santa Catarina, estado historicamente conservador, a saída de Carol de Toni pode enfraquecer o partido no médio prazo e abrir espaço para novas composições à direita.
Nos bastidores, o nome da deputada já é disputado por diferentes siglas, todas interessadas em capitalizar seu capital eleitoral e seu discurso alinhado a pautas conservadoras. A mudança de partido, longe de representar um recuo, tende a reforçar sua imagem de independência política e de enfrentamento às decisões impostas de cima para baixo. Para parte do eleitorado, isso pode soar como coerência; para outra, como ousadia.
O fato é que a decisão de Carol de Toni transforma a corrida pelo Senado em Santa Catarina em uma disputa muito mais fragmentada e imprevisível. Ao sair do PL, ela não abandona o campo ideológico que a projetou, mas redefine as regras do jogo, obrigando adversários e antigos aliados a recalcular estratégias. Em um cenário já marcado por nomes fortes e alianças complexas, a deputada surge agora como um fator de desequilíbrio capaz de mudar rumos e surpreender nas urnas.
Mais do que uma simples troca de legenda, a saída de Carol de Toni simboliza um alerta: em 2026, candidaturas competitivas não aceitarão facilmente ser engolidas por acordos nacionais. E Santa Catarina pode se tornar um dos palcos mais emblemáticos dessa disputa silenciosa por poder, espaço e protagonismo.
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