O cenário, embora revele divergências naturais dentro de uma federação partidária, também expõe a disposição de diálogo entre as lideranças. Ivan Moraes afirmou publicamente que espera a construção de um consenso programático, destacando a boa relação que mantém com Alfredo Gomes e reconhecendo o trabalho desenvolvido pelo reitor à frente da UFPE. Segundo ele, o momento exige maturidade política e unidade no campo progressista.
“A gente espera que haja um consenso, uma composição, mas que a Rede e o deputado Túlio Gadêlha me apoiem para governador. Agora, eles têm o direito de lançar um pré-candidato. O reitor Alfredo tem feito um belo trabalho na UFPE e Paulo Rubem é uma referência histórica para todo mundo que caminha no campo progressista”, declarou Ivan, demonstrando confiança de que as negociações avancem para um acordo nos próximos dias.
Além da disputa pelo Governo do Estado, a federação também vive movimentações em torno da vaga ao Senado. A Rede lançou o nome do ex-deputado Paulo Rubem Santiago como pré-candidato, enquanto o Psol já trabalha com a vereadora Jô Cavalcanti na corrida pela Casa Alta. A definição dessas candidaturas também deverá passar pelo mesmo processo interno de negociação.
O presidente da Federação Rede-Psol em Pernambuco, Jerônimo Galvão, ressaltou que os partidos possuem autonomia para apresentar pré-candidaturas e explicou que a definição ocorrerá por meio do chamado “Consenso Progressivo”, mecanismo interno que orienta as decisões conjuntas da federação. Ele antecipou que o Psol defenderá o nome de Ivan Moraes nas tratativas e destacou que, caso não haja entendimento, a escolha poderá ser definida no voto — cenário no qual o Psol possui maioria.
Apesar da sinalização de Alfredo Gomes sobre uma nova rodada de conversas entre dirigentes e pré-candidatos na próxima segunda-feira, Jerônimo afirmou que, até o momento, não houve formalização desse contato. Ainda assim, a expectativa é de que as negociações se intensifiquem nos próximos dias.
Nos bastidores, o clima é de cautela, mas também de estratégia. A federação busca evitar rupturas que possam fragilizar o campo progressista em Pernambuco. A construção de uma candidatura única é vista como fundamental para ampliar competitividade no cenário estadual, especialmente diante de um ambiente político marcado por polarizações e rearranjos partidários.
Com nomes consolidados e trajetórias reconhecidas na política e na academia, a definição dentro da Rede-Psol promete movimentar o debate político nas próximas semanas. O desfecho das negociações poderá redesenhar o tabuleiro eleitoral pernambucano e indicar o grau de coesão da federação em seu primeiro grande teste rumo às urnas.
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