quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

LEITURA ERRADA DA PESQUISA REAL BIG DATA PODE INDUZIR FALSA SENSAÇÃO DE EMPATE PARA O SENADO

Pesquisa ou narrativa? Leitura distorcida tenta minimizar liderança clara no Senado

A divulgação da Pesquisa Real Big Data de hoje expõe mais do que números e isto está na cara do leitor. A referida pesquisa expõe a forma como determinados levantamentos vêm sendo usados para construir narrativas convenientes e confundir a percepção do eleitor. Quando se analisa o conteúdo com rigor e não com interesse o que se vê é bem diferente do discurso de “disputa embolada” que parte da mídia tenta empurrar.

MARÍLIA LÍDER ABSOLUTA- Os dados apresentados mostram Marília Arraes com 27% das intenções de voto, liderando com folga. Em seguida aparecem Humberto Costa com 21% e Anderson Ferreira também com 21%, enquanto Eduardo da Fonte registra 13%. Esse percentual de Eduardo da Fonte está subestimado pela inclusão do nome de Anderson Ferreira que pelo visto disputa a Câmara Federal. Há ainda 10% de nulos/brancos e 8% de indecisos. Isso não é empate técnico na liderança. Isso é liderança objetiva seguida de um segundo bloco competitivo. Chamar isso de “quadro embolado” é, no mínimo, leitura forçada. É preciso dizer com clareza: a forma como alguns comentam pesquisas hoje parece menos análise e mais tentativa de enquadramento político.

Outro ponto que levanta forte suspeita de incoerência é a composição do cenário testado. Simulações eleitorais não são neutras, elas influenciam percepção de viabilidade. Inserir nomes que não são candidatos confirmados ao Senado e, ao mesmo tempo, diluir nomes com maior capilaridade eleitoral, altera o efeito psicológico do resultado. Tecnicamente pode ser permitido. Politicamente, é questionável. Comunicacionalmente, é poderoso.

MANCHETES QUE INDUZEM - O eleitor comum não acompanha nota metodológica ele vê manchete. E manchete mal construída vira ferramenta de indução. Vale lembrar um dado essencial que muitos comentários ignoram: a eleição para o Senado permite dois votos por eleitor. Isso muda completamente a leitura percentual. Comparar esses números com lógica de eleição majoritária de voto único é erro básico ou escolha conveniente. Quando a leitura da pesquisa contraria os próprios números, o problema não está na matemática, está na narrativa.

Perguntas precisam ser feitas sem rodeios:

• Por que transformar liderança clara em “empate”?
• Por que certos nomes entram no cenário e outros perdem espaço?
• Quem ganha quando o eleitor é levado a acreditar que não há favorito?
• A quem interessa a confusão interpretativa?

Pesquisa séria informa. Leitura dirigida manipula percepção. O eleitor não precisa apenas de números, precisa de interpretação honesta. E hoje, mais do que nunca, é necessário desconfiar não só dos dados, mas principalmente de quem os traduz ao público. Democracia não se protege suavizando distorções. Se protege enfrentando-as de frente. Infelizmente a divulgação da pesquisa de hoje está equivocada. E muito!

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