A CPI foi proposta pelo vereador Thiago Medina (PL), que sustenta haver indícios de possível favorecimento indevido em concurso público municipal. O foco da apuração é a nomeação do advogado Lucas Vieira Silva, que havia sido aprovado originalmente na 63ª colocação. Três anos após a realização do certame, ele apresentou diagnóstico de transtorno do espectro autista e passou a figurar como primeiro colocado na cota destinada a candidatos PCD.
O caso gerou intensa controvérsia jurídica e política. Após questionamentos e repercussão pública, o prefeito João Campos decidiu anular a nomeação de Lucas e efetivar o primeiro colocado geral do concurso, Marko Venicio dos Santos Batista. Ainda assim, parlamentares da oposição defendem que os fatos precisam ser esclarecidos de forma mais aprofundada, por meio de uma investigação conduzida pelo Legislativo municipal.
A adesão de Flávia de Nadegi chamou atenção nos bastidores. Embora seja filiada ao PV, partido que integra federação com PT e PCdoB — legendas que compõem a base do governo federal e têm alinhamento com o PSB em diversos cenários — a vereadora se distanciou recentemente da base governista no Recife. No episódio do impeachment, ela optou pela abstenção, sinalizando independência em relação ao Palácio do Capibaribe. Agora, ao assinar o pedido de CPI, reforça o bloco que pressiona por esclarecimentos.
Com a nova adesão, os vereadores que já subscreveram o pedido de CPI são: Thiago Medina, Alef Collins, Felipe Alecrim, Gilson Machado Filho, Eduardo Moura, Davi Muniz, Fred Ferreira, Alcides Teixeira Neto, Paulo Muniz, Rúben e Flávia de Nadegi.
Nos corredores da Câmara, a contagem de assinaturas virou pauta central. A oposição trabalha para conquistar os dois apoios restantes e formalizar a instalação da comissão, enquanto a base governista atua para conter o avanço da articulação. Caso seja instaurada, a CPI terá poderes para requisitar documentos, convocar depoimentos e analisar todo o trâmite administrativo da nomeação.
O episódio amplia o embate político entre governo e oposição no Legislativo recifense e mantém o tema no centro do debate público, mesmo após o arquivamento do pedido de afastamento do prefeito.
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