Na semana passada, em Brasília, Raquel sentou à mesa com o presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho. No encontro, que ocorreu longe dos holofotes, a governadora colocou claramente sobre a mesa a possibilidade de o ex-prefeito de Petrolina disputar uma vaga ao Senado Federal integrando seu palanque. O gesto foi interpretado como uma tentativa direta de atrair Miguel para o seu campo político e, ao mesmo tempo, neutralizar movimentos que vinham sendo feitos pelo dirigente em direção ao prefeito do Recife, João Campos, principal adversário potencial da governadora no cenário estadual.
A ofensiva não parou por aí. Nesta segunda-feira (9), Raquel Lyra teve nova conversa agendada, desta vez com o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente estadual do Progressistas e figura central na federação. A expectativa do Palácio do Campo das Princesas é ambiciosa: convencer tanto o PP quanto o União Brasil a fecharem questão em torno do seu projeto de reeleição, com as duas vagas ao Senado ocupadas por nomes da federação, garantindo unidade, estrutura e discurso afinado durante a campanha.
A governadora sabe que, além da força eleitoral, o tempo de televisão será decisivo. Em um cenário de disputa dura, o guia eleitoral tende a ser o principal instrumento para apresentar resultados, defender decisões de governo e consolidar a imagem de uma gestão que, segundo aliados, vive um momento de crescimento na avaliação popular e na intenção de voto. Ter uma federação robusta ao seu lado significaria não apenas mais minutos na TV, mas também maior poder de reação diante dos ataques que inevitavelmente surgirão.
Nos bastidores, Raquel também trabalha para administrar as tensões internas da federação. Miguel Coelho, apesar dos acenos recentes a João Campos — inclusive com registros públicos ao lado do prefeito no último fim de semana —, tem adotado um discurso cauteloso. Ele afirma que defende a união de forças com o PP e que não pretende atropelar ninguém nas negociações, deixando subentendido que um entendimento com a governadora não está descartado, desde que a federação seja contemplada de forma equilibrada na composição da chapa.
O tempo, porém, joga contra a indefinição. O calendário eleitoral impõe dois marcos decisivos: o fim da janela partidária, em 4 de abril, e o período das convenções, que vai de julho a agosto. Esses prazos funcionam como um funil político, pressionando lideranças e partidos a tomarem decisões estratégicas que irão moldar o desenho final da disputa em 2026.
Diante desse cenário, Raquel Lyra aposta na articulação direta, no diálogo e na construção de uma chapa ampla para consolidar sua base e reduzir espaços para adversários. As próximas semanas prometem ser decisivas, não apenas para definir nomes ao Senado, mas para indicar com clareza quais forças estarão alinhadas em torno do projeto de continuidade do atual governo. Em Pernambuco, o jogo já começou — e os movimentos iniciais mostram que ninguém pretende ficar parado.
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