quarta-feira, 18 de março de 2026

BOMBA - ESQUECERAM DE AVISAR A HUMBERTO E O SENADOR NÃO ENGOLE CHAPA “PRONTA” DE JOÃO CAMPOS, CLIMA AZEDA NA ESQUERDA

O que parecia um movimento estratégico já sacramentado nos bastidores virou, na prática, um ruído político daqueles que ecoam longe. A montagem da chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos, que teria Marília Arraes e Humberto Costa como candidatos ao Senado e Carlos Costa na vice, foi anunciada nos bastidores e amplamente repercutida — mas com um detalhe nada pequeno: esqueceram de combinar com Humberto.

Fontes diretas de Brasília, ligadas ao núcleo do senador petista, foram categóricas ao informar que ele não apenas rejeita a formatação como também não foi sequer comunicado oficialmente sobre a composição. A reação, longe de ser protocolar, expõe um incômodo profundo com o que está sendo tratado como tentativa de imposição.

Nos corredores da política, o gesto foi interpretado como um erro de cálculo de João Campos, que, ao tentar costurar uma aliança ampla, acabou atravessando o próprio campo aliado. Humberto, considerado o maior cacique do PT em Pernambuco, não costuma aceitar movimentos unilaterais — muito menos quando envolvem seu nome em decisões já “fechadas” sem diálogo prévio.

A situação ganha contornos ainda mais delicados porque o prefeito já vinha acumulando tensões em outras frentes. O episódio recente envolvendo o deputado Eduardo da Fonte, colocado em rota de colisão no xadrez político, agora se soma a esse novo impasse. Resultado: o que era para ser articulação virou um cenário de desgaste simultâneo.

Dentro do PT, o clima é de desconfiança. Lideranças veem a movimentação como atropelo político e questionam a condução das negociações. A avaliação é de que não se trata apenas de nomes, mas de respeito à construção coletiva — algo que, neste caso, claramente não aconteceu.

Nos bastidores, a frase que mais se repete é direta e sem rodeios: “tentaram empurrar a chapa goela abaixo”. E, ao que tudo indica, não colou. Humberto Costa não só resiste como deixa claro que não entra em jogo combinado sem sua participação.

Agora, João Campos se vê diante de uma encruzilhada política. Se recuar, admite fragilidade na articulação. Se insistir, pode aprofundar o racha com o PT — justamente o partido que é peça-chave em qualquer projeto majoritário no estado.

No fim das contas, a tentativa de antecipar o jogo acabou criando um problema maior do que o que se pretendia resolver. E a lição, velha conhecida da política, volta à tona com força: antes de anunciar, é bom avisar.

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