segunda-feira, 2 de março de 2026

COLUNA POLÍTICA | O FIM DO CICLO DE UM VELHO COMUNISTA | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

O CICLO CHEGA AO FIM: FREIRE SAI DO CIDADANIA E DEIXA PARTIDO EM CAOS
Na lupa implacável da política brasileira em 2026, Roberto Freire, aos 82 anos, fecha um capítulo épico de 64 anos de militância. O "velho líder comunista" anuncia saída do comando do Cidadania em meio a racha judicial, dois congressos rivais e uma implosão que ameaça a sobrevivência da sigla. De Recife ao Planalto, sua trajetória reflete as viradas da esquerda para o centro-direita – mas agora, o partido sangra em disputas que evocam o outono de um patriarca. 

AS ORIGENS NO PARTIDÃO E A DITADURA

Filho de operários em Recife (1943), Freire entra no PCB em 1962 como estudante de Direito na UFPE. Militante ao lado de Gregório Bezerra, constrói bases no Nordeste sob a ditadura militar. Eleito deputado estadual pelo MDB em 1974 e federal pelo PMDB em 1978, acumula quatro mandatos até 1994, navegando a transição democrática com astúcia. 

RUPTURA COMUNISTA E NASCIMENTO DO PPS

Em 1992, rompe com o PCB ortodoxo e funda o PPS (hoje Cidadania), rejeitando o "socialismo real". Assume presidência nacional por 30 anos ininterruptos até 2023. Critica Lula e PT, posicionando-se como terceira via: apoia FHC (reeleição 1998), Marina Silva (2010) e Aécio Neves (2014). 

AVENTURAS PRESIDENCIAIS E MINISTÉRIOS

Ousado em 1989, candidata-se à Presidência pelo PCB (0,5% dos votos). Em 1998, vice de Ciro Gomes (10,97%). Líder do governo Itamar Franco na Câmara (1992-94) e ministro da Cultura no governo Temer (2016-18). Senator por PE (1995-2003), vira referência em social-democracia.  

DOMÍNIO ABSOLUTO E CRISES INTERNAS (2023-2025)
Licenciado em 2023 por decisão interna, Comte Bittencourt assume até liminar judicial devolvê-lo ao cargo no fim de 2025 – brecha por "falha técnica" em ata de licença. Freire silencia opositores em reuniões virtuais, impede chapas rivais e convoca congresso para 24/02/2026, gerando revolta de 69 dos 101 diretores.  

A SUCESSÃO POLÊMICA COM ALEX MANENTE

Em março 2026, Freire indica deputado Alex Manente (SP), aliado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), como sucessor em congresso extraordinário em São Bernardo do Campo (quarta-feira). Mas maioria do Diretório convoca outro para sexta, alegando falta de quórum (apenas 22 de 102 em reunião anterior). Ruptura "transformista" à direita, sem debate programático. 

IMPLOSÃO, MELANCOLIA E O FUTURO INCERTO

Freire encerra com nota amarga no X: "Pela última vez, como presidente do meu único partido desde 1962". Oposição, liderada por Comte e Luzia Ferreira, judicializa no TJDF e busca federação com PSB – inviabilizada por Freire, que flerta com Republicanos. Jarbas Soares é convidado a filiar-se. Partido em encruzilhada: federação, fusão ou extinção? O patriarca sai, mas deixa o palácio em ruínas.  

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