sexta-feira, 6 de março de 2026

CRISE NA CÂMARA DO RECIFE: OPOSIÇÃO REAGE AO ARQUIVAMENTO DA CPI DO CONCURSO E AMEAÇA IR À JUSTIÇA

O embate político em torno do pedido de instalação da CPI do concurso público ganhou novos capítulos na Câmara Municipal do Recife. O presidente da Casa, vereador Romerinho Jatobá (PSB), convocou sessão extraordinária para esta quinta-feira (5), às 10h, com o objetivo de submeter ao plenário os recursos apresentados pela oposição contra o arquivamento da proposta de investigação que mira a gestão do prefeito João Campos (PSB).

A movimentação ocorre após a Comissão de Legislação e Justiça (CLJ) rejeitar um dos recursos protocolados pela bancada oposicionista. O pedido, apresentado pelo vereador Paulo Muniz (PL), recebeu parecer contrário do relator Carlos Muniz (PSB), que defendeu a manutenção da decisão da presidência da Casa. O parecer foi apresentado nesta quarta-feira (4) e acabou referendando o arquivamento determinado por Romerinho.

O líder do bloco de oposição, Felipe Alecrim (Novo), reagiu de forma contundente. Segundo ele, o grupo pretende judicializar a questão por meio de mandado de segurança, questionando a legalidade do arquivamento da CPI. A estratégia sinaliza que o impasse deve ultrapassar os limites do Legislativo municipal e chegar ao Judiciário.

A sequência de acontecimentos teve início na terça-feira, quando Romerinho Jatobá assinou o ato que arquivou o pedido de instalação da comissão parlamentar de inquérito e determinou sua publicação no Diário Oficial. No mesmo dia, a oposição protocolou recurso contestando a decisão e alegando que o requerimento atendia aos critérios regimentais necessários para abertura da investigação.

Ainda na terça-feira, em sessão extraordinária da CLJ, o presidente do colegiado, vereador Rinaldo Junior, que também lidera o PSB na Casa, designou Carlos Muniz como relator do recurso. A indicação foi aprovada com apoio de Samuel Salazar (MDB), líder do governo, e Gilberto Alves (PRD).

Na manhã seguinte, durante reunião ordinária da comissão, o relator apresentou parecer pela rejeição do recurso, acolhendo integralmente a decisão da presidência da Câmara. A posição foi confirmada publicamente por Rinaldo Junior em entrevista concedida ao programa Debate, da Rádio Jornal, onde afirmou que o parecer “negou o pedido de recurso” e manteve o entendimento de Romerinho Jatobá.

Com a convocação da sessão extraordinária, o plenário passa a ser o próximo palco da disputa. A votação dos recursos poderá consolidar o arquivamento definitivo da CPI ou abrir uma nova frente de questionamentos políticos e jurídicos. Enquanto a base governista sustenta que todos os trâmites regimentais foram respeitados, a oposição insiste na tese de que houve cerceamento do direito de investigação.

O caso intensifica a tensão entre governo e oposição na Câmara e coloca o debate sobre transparência e fiscalização no centro da agenda política do Recife. A depender do desfecho da sessão e de eventual decisão judicial, o episódio pode se transformar em um dos principais embates institucionais do ano na capital pernambucana.

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