De acordo com apuração da jornalista Andreza Matais, fontes da Polícia Federal confirmaram que os registros disponíveis indicam apenas que houve comunicação entre Moraes e Vorcaro em determinados horários, sem qualquer acesso ao teor das mensagens. Sem o conteúdo, afirmam investigadores, não é possível estabelecer interpretações, muito menos apontar eventuais ilícitos. Para fins de investigação criminal, a inexistência do material impede qualquer análise concreta sobre o que teria sido tratado no diálogo.
A discussão ganhou repercussão após reportagem publicada pelo jornal O Globo relacionar anotações encontradas no celular de Vorcaro com os horários em que ocorreram trocas de mensagens entre ele e o ministro do STF. As anotações estavam registradas em um bloco de notas do aparelho, mas sem indicação de destinatário ou qualquer elemento que vinculasse diretamente os textos a Moraes.
Segundo investigadores ouvidos na apuração, a associação feita pela reportagem teria sido baseada apenas na coincidência de horários entre as mensagens enviadas ao ministro e os registros escritos no bloco de notas. Para a Polícia Federal, esse tipo de interpretação é considerado frágil do ponto de vista investigativo, pois parte de uma inferência sem comprovação material.
Dentro da corporação, a avaliação é de que deduções desse tipo lembram práticas criticadas no passado durante a Operação Lava Jato, quando determinadas conclusões teriam sido construídas a partir de suposições e conexões indiretas. O atual comando da Polícia Federal tem defendido uma postura mais rigorosa quanto à necessidade de provas concretas antes de qualquer conclusão investigativa.
Os documentos que registram apenas os horários das comunicações estão atualmente restritos a três instâncias: a própria Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa do banqueiro. Já a CPMI do INSS possui apenas dados armazenados na nuvem extraídos do celular de Vorcaro, material que não inclui qualquer troca de mensagens entre ele e o ministro do Supremo.
Nos arquivos que chegaram à CPMI constam apenas textos soltos registrados no bloco de notas do aparelho, sem identificação de remetente ou destinatário. Nesses mesmos registros aparecem também menções a outras figuras públicas, como o senador Irajá Abreu, do PSD do Tocantins, e ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda. No entanto, segundo investigadores, não há qualquer evidência de que os textos estejam relacionados a essas pessoas ou a qualquer tipo de conversa específica.
Diante desse cenário, o entendimento predominante entre os investigadores é de que, sem acesso ao conteúdo das mensagens e sem elementos que estabeleçam vínculo direto entre as anotações e interlocutores identificados, não há base técnica para sustentar suspeitas ou apontar a existência de crime. A análise oficial, portanto, permanece restrita aos registros objetivos existentes, sem espaço para conjecturas.
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