Com o reajuste, o chamado diesel A, que é o combustível produzido nas refinarias da estatal e vendido diretamente às distribuidoras, passará a custar R$ 3,65 por litro. Antes da chegada aos postos, esse combustível ainda passa por um processo de mistura obrigatória com biodiesel — atualmente em proporção de 15% — dando origem ao diesel B, que é o produto final comercializado para transportadoras, agricultores e demais consumidores.
Considerando essa mistura, o impacto efetivo do aumento tende a ser um pouco menor, ficando em cerca de R$ 0,32 por litro, o que levará o diesel B a um preço médio aproximado de R$ 3,10 por litro nas distribuidoras, antes de chegar aos postos.
O reajuste acontece apenas um dia após o governo federal anunciar medidas para tentar conter a escalada dos preços do combustível. Entre as principais ações está a decisão de zerar os tributos federais PIS e Cofins sobre o diesel, medida que busca aliviar o impacto do aumento no bolso dos consumidores, especialmente caminhoneiros, transportadoras e setores produtivos que dependem fortemente do combustível.
Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, o aumento poderia ter sido ainda maior caso o pacote anunciado pelo governo não tivesse sido implementado. Durante coletiva de imprensa, ela explicou que o reajuste poderia chegar a R$ 0,70 por litro, mas acabou sendo reduzido graças à combinação de medidas fiscais e incentivos voltados à cadeia produtiva do combustível.
Apesar da alta no diesel, a Petrobras informou que o preço da gasolina será mantido no nível atual, ao menos por enquanto. A decisão foi tomada após avaliação das condições do mercado e do comportamento das cotações internacionais do petróleo.
Nos últimos dias, o barril de petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 no mercado internacional, pressionando as companhias petrolíferas a reverem suas políticas de preços. Esse cenário global tem impacto direto nas contas das refinarias brasileiras, que precisam equilibrar custos de produção, importação e competitividade com o mercado externo.
De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, mesmo com o aumento anunciado, o preço do diesel no Brasil ainda permanece significativamente abaixo da paridade internacional. Atualmente, a defasagem chega a cerca de 72%, o que significa que o combustível vendido pela Petrobras estaria aproximadamente R$ 2,34 mais barato por litro em comparação com os preços praticados no exterior.
A situação é semelhante no caso da gasolina, cuja diferença em relação ao mercado internacional é estimada em 43%, ou cerca de R$ 1,10 por litro abaixo do valor externo.
A estatal também destacou que, apesar do reajuste anunciado agora, o diesel ainda apresenta uma redução acumulada relevante nos últimos anos. Considerando a inflação do período, o combustível registra queda de aproximadamente 29,6% desde dezembro de 2022.
Mesmo assim, especialistas alertam que o aumento pode gerar reflexos indiretos em toda a economia. O diesel é o principal combustível utilizado no transporte de cargas no Brasil e qualquer alteração de preço costuma influenciar custos logísticos, fretes e, consequentemente, o valor final de diversos produtos consumidos pela população.
Por isso, o comportamento do combustível nas próximas semanas será acompanhado de perto por setores como transporte, agronegócio e comércio, que dependem diretamente da estabilidade dos preços para manter custos operacionais sob controle.
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