segunda-feira, 6 de abril de 2026

APÓS 32 ANOS NO PSB, MILTON COELHO MUDA DE RUMO, ADERE AO PT E REPOSICIONA TABULEIRO POLÍTICO EM PERNAMBUCO

A política pernambucana ganha um novo capítulo com a decisão de Milton Coelho de encerrar uma longa trajetória no Partido Socialista Brasileiro e ingressar no Partido dos Trabalhadores, movimento que não apenas marca uma inflexão pessoal em sua carreira, mas também sinaliza mudanças estratégicas no cenário eleitoral de 2026. Após 32 anos de militância no PSB, legenda à qual esteve profundamente ligado desde os primeiros passos na vida pública, o ex-secretário nacional anunciou sua desfiliação por meio de uma carta dirigida ao prefeito do Recife e presidente nacional da sigla, João Campos.

No documento, Milton Coelho tratou a saída como o encerramento de um ciclo político construído com lealdade e compromisso, destacando o vínculo histórico com lideranças que ajudaram a moldar o PSB em Pernambuco e no Brasil. Entre os nomes lembrados, estão Miguel Arraes e Eduardo Campos, referências centrais na construção do projeto socialista no estado, além de Carlos Siqueira. Ao se despedir, ressaltou o sentimento de dever cumprido e a importância da história construída ao longo de mais de três décadas.

A trajetória de Milton dentro do PSB foi marcada por protagonismo e forte inserção nas estruturas partidárias. Ele ocupou posições estratégicas tanto no âmbito municipal quanto estadual, tendo sido presidente e secretário-geral do diretório do Recife e também do diretório de Pernambuco. Sua atuação ultrapassou as fronteiras locais ao integrar o diretório nacional desde 2001 e exercer função relevante na executiva da legenda, o que consolidou sua imagem como um dos quadros mais experientes e articulados do partido.

Além da atuação partidária, acumulou experiências expressivas na gestão pública. Foi deputado federal, vice-prefeito do Recife entre 2009 e 2012 e desempenhou papéis centrais em governos estaduais, como secretário de Governo durante a gestão de Eduardo Campos e secretário de Administração no período do governo de Paulo Câmara. Mais recentemente, ocupava o cargo de secretário Nacional de Inclusão Socioprodutiva, Artesanato e Microempreendedor Individual, ampliando sua atuação para o cenário federal.

A filiação ao Partido dos Trabalhadores ocorre em um momento de intensa reorganização política em Pernambuco, com os partidos já posicionando suas peças para a disputa eleitoral de 2026. A chegada de Milton Coelho é interpretada como um movimento estratégico do PT para fortalecer sua base no estado, incorporando um nome com experiência administrativa, trânsito político e histórico de diálogo com diferentes correntes.

Com a nova filiação, Milton Coelho se prepara para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, apostando na bagagem acumulada ao longo de sua carreira e na capacidade de construir pontes dentro de um cenário político cada vez mais competitivo. Sua mudança de partido também reforça a tendência de realinhamentos que vêm sendo observados nos bastidores, onde lideranças tradicionais buscam novos espaços e protagonismo em meio às transformações do quadro político estadual e nacional.

A saída de um quadro histórico do PSB e sua migração para o PT não apenas simbolizam o fim de uma longa jornada partidária, mas também evidenciam como as alianças e estratégias estão em constante movimento, redesenhando forças e antecipando disputas que prometem ser decisivas para o futuro político de Pernambuco.

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