sexta-feira, 17 de abril de 2026

BASE GOVERNISTA NA ALEPE DISPENSA BLOCOS E REFORÇA ESTRATÉGIA DE AUTONOMIA PARA GARANTIR MAIORIA NAS COMISSÕES

Em um movimento estratégico que redesenha a dinâmica interna da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), os partidos que compõem a base do Governo decidiram, nesta sexta-feira (17), abrir mão da formação de blocos parlamentares. A decisão foi anunciada pela líder do Governo na Casa, deputada Socorro Pimentel (PSD), e reflete uma leitura política de que, neste momento, a atuação independente das siglas fortalece a presença governista nos espaços mais decisivos do Legislativo: as comissões.

A articulação vinha sendo analisada nas últimas semanas, especialmente após a janela partidária, que promoveu uma reconfiguração significativa das bancadas. Havia a possibilidade concreta de formação de um bloco envolvendo o PSD, o Podemos e a federação formada por PT, PV e PCdoB. A intenção seria ampliar o controle sobre colegiados estratégicos e consolidar maioria nas votações. No entanto, o cenário atual levou a uma mudança de rota.

O PSD, partido da governadora Raquel Lyra, emerge como um dos protagonistas desse novo arranjo, contando agora com uma bancada de nove parlamentares — número que garante peso político relevante por si só. O Podemos, por sua vez, protagonizou um salto expressivo, saindo de nenhuma representação para sete deputados estaduais, consolidando-se como uma força emergente dentro da Casa.

Já a federação PT-PV-PCdoB passou a contar com oito parlamentares, embora, na prática, cinco deles já acompanhem de forma recorrente as pautas do Governo. Mesmo assim, o grupo optou por manter independência formal, evitando vinculação direta em blocos. Movimento semelhante foi adotado pela Federação União Progressista, que reúne 11 deputados, dos quais 10 integram a base governista, mas também preferem atuar sem composição formal.

Outro ponto que chama atenção é o isolamento de siglas menores. O partido Novo, representado por um único parlamentar, decidiu não se alinhar ao PL, que possui três deputados, mas apenas um atua de forma consistente na oposição. Esse cenário evidencia uma fragmentação organizada, onde cada legenda busca preservar sua identidade política, ao mesmo tempo em que mantém alinhamento estratégico com o Governo.

Na avaliação de Socorro Pimentel, a decisão fortalece a base aliada de forma mais eficiente do que a formação de blocos tradicionais. Segundo a parlamentar, o novo formato amplia a autonomia dos partidos e permite uma integração mais fluida entre os deputados, sem as amarras formais de blocos parlamentares.

A líder governista destacou ainda que o PSD, por já ocupar posição de destaque como uma das maiores bancadas da Alepe, possui condições de garantir presença robusta nas comissões sem necessidade de alianças formais. Esse fator foi determinante para a escolha do modelo adotado.

Nos bastidores, a leitura é de que a estratégia também reduz possíveis tensões internas, já que evita disputas por protagonismo dentro de blocos e distribui o poder de forma mais pulverizada, mas ainda alinhada ao Palácio do Campo das Princesas.

O objetivo central permanece claro: assegurar uma maioria sólida e funcional para aprovação de projetos considerados prioritários para o desenvolvimento de Pernambuco. Com uma base numericamente expressiva e politicamente alinhada, o Governo aposta que a independência formal das siglas não comprometerá a governabilidade, mas, ao contrário, poderá torná-la mais eficiente.

A nova configuração marca uma fase de adaptação pós-janela partidária e indica que, mais do que a soma de forças em blocos, o Governo aposta agora na articulação direta e na coesão de interesses como pilares de sustentação no Legislativo estadual.

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