sábado, 4 de abril de 2026

GEOGRAFIA DO PODER NA ALEPE SE CONSOLIDA APÓS JANELA PARTIDÁRIA E REDESENHA FORÇAS POLÍTICAS EM PERNAMBUCO

A poucos minutos do encerramento da janela partidária deste sábado, o cenário político na Assembleia Legislativa de Pernambuco já se apresenta praticamente definido, revelando uma nova correlação de forças que promete impactar diretamente o jogo político estadual nos próximos meses. O período, conhecido por permitir que deputados mudem de partido sem sofrer sanções por infidelidade partidária, foi marcado por movimentações intensas, articulações de bastidores e mudanças estratégicas que redesenharam o mapa de poder na Casa de Joaquim Nabuco.

O dado que mais chama atenção é o equilíbrio numérico entre duas forças de peso: o PSD, legenda da governadora Raquel Lyra, e a federação formada por PT, PV e PCdoB, ambos com oito parlamentares cada. Esse empate, no entanto, não traduz exatamente igualdade de influência, já que o alinhamento com o Palácio do Campo das Princesas tende a pesar nas votações mais estratégicas.

Enquanto isso, a Federação União Progressista desponta como a maior bancada da Alepe, reunindo 12 deputados — sendo 11 do PP e um do União Brasil. Integram o grupo nomes como Kaio Maniçoba, Cleiton Collins, Dannilo Godoy, Gleide Ângelo, Francis Hacker, Joel da Harpa, Adalto Santos, Junior de Tércio, Henrique Filho, Claudiano Martins, Romero Albuquerque e Antonio Coelho, formando um bloco robusto e com forte capilaridade política em diversas regiões do estado.

Já a federação PT/PV/PCdoB reúne cinco parlamentares do PT — João Paulo, Rosa Amorim, Doriel Barros, Dani Portela e João Paulo Costa — e três do PV: Gilmar Junior, João de Nadegi e Joaquim Lira, compondo uma bancada com forte perfil de oposição e atuação em pautas sociais.

O PSD, por sua vez, chega com Antonio Moraes, Socorro Pimentel, Débora Almeida, Izaías Régis, Joãozinho Tenório, Aglaison Victor, Romero Sales Filho e William Brígido, consolidando-se como uma das principais forças governistas na Assembleia.

O PSB mantém sete deputados: Simone Santana, Sileno Guedes, Waldemar Borges, Francismar Pontes, Eriberto Filho, Diogo Moraes e Rodrigo Farias, preservando uma bancada experiente e com tradição no cenário político estadual.

O crescimento do Podemos chama atenção. A sigla passa a contar com Luciano Duque, Gustavo Gouveia, Wanderson Florêncio, Fabrizio Ferraz, Edson Vieira, Jeferson Timóteo e Mário Ricardo, após articulações de última hora que garantiram musculatura política ao partido.

Já o PL permanece com três representantes: Alberto Feitosa, Abimael Santos e Nino de Enoque. O MDB conta com Álvaro Porto e Jarbas Filho, enquanto o Republicanos fica com apenas um nome, Junior Matuto, legenda ligada ao ex-ministro Sílvio Costa Filho. O Novo, por sua vez, passa a ter representação com o deputado Renato Antunes.

As mudanças de última hora foram decisivas para esse desenho final. O Podemos foi diretamente beneficiado com a chegada de Jeferson Timóteo e Mário Ricardo, enquanto o Republicanos sofreu perdas importantes. Já o movimento de Romero Albuquerque, que deixou o PSB para se filiar ao PP poucos dias após ter ingressado na legenda socialista, simboliza o grau de imprevisibilidade e estratégia que marcou essa janela partidária.

Com a nova configuração definida, a Alepe inicia a próxima semana com um cenário político redesenhado, onde cada voto ganha peso e cada articulação pode ser determinante. Mais do que números, o novo quadro revela um ambiente de intensa disputa por espaço, influência e protagonismo no rumo político de Pernambuco.

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