sábado, 25 de abril de 2026

JOÃO CAMPOS TENTA REPOSICIONAR O PSB, MAS ENFRENTA O PESO DO PASSADO E FERIDAS INTERNAS DO PARTIDO

Desde que lançou sua pré-candidatura, João Campos (PSB) vem adotando um discurso cuidadosamente calibrado para tentar reposicionar a imagem do partido em Pernambuco. Em meio a críticas recorrentes da oposição, que insiste em associar o Partido Socialista Brasileiro a um ciclo de desgaste e “atraso”, o gestor recifense busca construir uma narrativa de renovação, apresentando-se como símbolo de uma nova fase da legenda no estado.

A estratégia, no entanto, encontra obstáculos que vão além do embate externo. Embora João Campos mantenha índices positivos de avaliação na capital pernambucana, sua tentativa de se consolidar como uma “nova cara” do PSB esbarra em um elemento incontornável: sua trajetória política é diretamente vinculada às gestões anteriores que comandaram Pernambuco por mais de uma década. Filho do ex-governador Eduardo Campos, ele também foi chefe de gabinete de Paulo Câmara e herdeiro político de uma estrutura que moldou o partido no estado.

Esse vínculo, ao mesmo tempo em que fortalece sua base, também dificulta o discurso de ruptura. Nos bastidores, interlocutores da política pernambucana avaliam que há uma contradição entre a tentativa de renovação e a continuidade simbólica que João representa dentro do PSB. A leitura é de que o prefeito carrega não apenas o legado administrativo, mas também as decisões políticas que marcaram o grupo ao longo dos anos.

Outro ponto sensível está na dinâmica interna da legenda. Desde que assumiu protagonismo, João Campos promoveu mudanças significativas na composição de forças do partido, afastando figuras consideradas da “velha guarda” — nomes historicamente ligados ao ciclo político iniciado por Eduardo Campos. Esse movimento, embora visto por aliados como necessário para reorganizar o grupo, gerou insatisfações silenciosas.

Entre os quadros que perderam espaço ou protagonismo, destacam-se lideranças como Aluísio Lessa, Milton Coelho, Gonzaga Patriota e Tadeu Alencar. Muitos desses nomes tiveram papel relevante na construção e consolidação do PSB no estado, participando de gestões e articulações que deram sustentação política ao grupo por anos.

Nos corredores da política, comenta-se que parte dessas lideranças vive hoje um período de distanciamento, descrito por aliados como uma espécie de “geladeira política”, marcada por ausência de protagonismo e espaço nas decisões estratégicas. O sentimento de mágoa, ainda que raramente exposto publicamente, é apontado como um fator que pode influenciar o ambiente interno da sigla.

Além disso, episódios recentes envolvendo disputas internas e decisões controversas — como a condução de candidaturas e alianças — também alimentam questionamentos sobre a capacidade do partido de manter coesão em um momento de reconfiguração política.

Diante desse cenário, o desafio de João Campos vai além da construção de imagem perante o eleitorado. Ele precisa equilibrar a narrativa de renovação com a herança política que carrega, ao mesmo tempo em que administra tensões internas e busca evitar fissuras que possam comprometer a unidade do PSB em Pernambuco.

No campo eleitoral, analistas avaliam que a força do prefeito do Recife ainda reside na combinação entre sua popularidade local e o capital político herdado. No entanto, a consolidação de um novo ciclo dependerá de sua habilidade em lidar com o passado sem ser aprisionado por ele — um movimento delicado em um partido onde história e presente seguem profundamente entrelaçados.

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