A divulgação da pesquisa Datafolha nesta quinta-feira caiu como uma bomba no núcleo político da oposição ao governo da governadora Raquel Lyra. O resultado, que reforçou o crescimento da gestora estadual e mostrou uma mudança importante no cenário político pernambucano, provocou uma reação imediata nos bastidores do PSB e expôs um clima de tensão, correria e desespero que até então vinha sendo escondido atrás de discursos públicos de tranquilidade.
Aliados que até poucos dias atrás eram ignorados, deixados de lado e até tratados com frieza pela coordenação política oposicionista começaram a receber convites emergenciais para entrar em grupos estratégicos de whatsapp umcriados às pressas. Lideranças do interior relatam que figuras consideradas “sem importância” passaram, de uma hora para outra, a ser lembradas por coordenadores influentes que agora tentam reorganizar a tropa diante do impacto causado pela pesquisa.
O que mais chamou atenção nos bastidores foi a mudança brusca de comportamento de personagens conhecidos pelo tom arrogante e pelo famoso “salto alto” político. Até a manhã desta quinta-feira, muitos aliados reclamavam da dificuldade até mesmo de conseguir resposta de integrantes da coordenação oposicionista. Depois da divulgação dos números, o cenário mudou completamente. Telefonemas começaram a ser disparados em ritmo frenético. Coordenadores antes inacessíveis passaram a procurar prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças regionais numa operação de emergência para tentar conter o desgaste político.
Rápido feito cometa, grupos foram criados, aliados esquecidos foram reintegrados e antigos escanteados passaram a ser tratados como peças fundamentais num verdadeiro movimento de “contra-golpe” político para evitar que o impacto da pesquisa se transformasse em efeito dominó dentro da oposição.
A avaliação interna é de que o resultado da pesquisa acendeu um alerta vermelho dentro do PSB. A leitura feita nos bastidores é que o crescimento de Raquel Lyra deixou de ser tratado como algo pontual e passou a ser visto como uma ameaça concreta ao projeto político oposicionista para 2026.
Paralelamente ao movimento de reorganização interna, outro fenômeno ganhou força nas redes sociais: uma verdadeira ofensiva digital contra o Datafolha. Em grupos políticos, perfis ligados à oposição começaram a espalhar cards, vídeos e montagens tentando descredibilizar o instituto de pesquisa. A operação foi tão intensa e coordenada que aliados do governo compararam o movimento a um “ataque de drones”, numa referência à avalanche de publicações disparadas quase simultaneamente para tentar enfraquecer a repercussão dos números.
A estratégia, no entanto, acabou produzindo efeito contrário nos bastidores políticos. Para muitos observadores, o volume de ataques e a agressividade das reações revelaram exatamente o tamanho do incômodo provocado pela pesquisa. O que era para parecer controle político acabou transmitindo sensação de nervosismo e insegurança.
Enquanto isso, no campo governista, a leitura é de que a pesquisa consolidou uma virada importante na narrativa política estadual. O clima é de confiança crescente entre aliados da governadora, principalmente após meses de críticas e tentativas da oposição de construir um cenário de desgaste irreversível do governo.
Nos corredores da política pernambucana, uma frase passou a circular com força nesta quinta-feira: “o salto alto desapareceu”. E desapareceu rápido. O problema para a oposição é que, quando o discurso muda da soberba para o telefone desesperado, a política percebe. E Pernambuco também.
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