segunda-feira, 1 de junho de 2026

A TENTATIVA DE SEMEAR A DISCÓRDIA NÃO ESCONDE A NOVA REALIDADE POLÍTICA DE PERNAMBUCO

Por Greovário Nicollas

A política pernambucana vive um dos seus momentos mais interessantes dos últimos anos. O cenário que durante muito tempo parecia amplamente favorável ao projeto liderado pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, passou por uma transformação significativa, e os números mais recentes das pesquisas eleitorais deixaram claro que a disputa pelo Governo de Pernambuco está longe de estar definida. Mais do que isso: em alguns levantamentos divulgados recentemente, a governadora Raquel Lyra aparece à frente de João Campos, invertendo completamente uma lógica que parecia consolidada há cerca de um ano.

Tal mudança ajuda a explicar a movimentação observada nos bastidores da política estadual e em parte da imprensa alinhada ao grupo adversário. De ontem para hoje, alguns blogs conhecidos por sua proximidade política com João Campos passaram a direcionar esforços para tentar criar a impressão de que existem divisões e conflitos dentro da base da governadora. O alvo preferencial tem sido o União Brasil, partido que reúne algumas das mais importantes lideranças políticas de Pernambuco e que tem desempenhado papel estratégico na sustentação do projeto político liderado por Raquel Lyra.

A estratégia parece clara: tentar implodir por dentro aquilo que não conseguem enfraquecer por fora. Ao invés de discutir o crescimento da governadora nas pesquisas ou analisar os motivos que levaram a essa mudança de cenário, determinados setores preferem investir em especulações, interpretações forçadas e narrativas que buscam transmitir uma suposta crise interna em um grupo que, até aqui, segue demonstrando unidade política e capacidade de articulação.

O problema é que a realidade tem sido mais forte do que qualquer narrativa. Enquanto alguns tentam fabricar conflitos, o Governo de Pernambuco continua executando uma agenda intensa de entregas em todas as regiões do Estado. São investimentos em infraestrutura, saúde, educação, segurança pública, abastecimento de água, mobilidade e desenvolvimento regional. Da Região Metropolitana ao Sertão, a presença do governo tem se tornado cada vez mais perceptível para a população.

Segundo fontes palacianas, o volume de ações já apresentado sequer representa o auge do planejamento da gestão. Nos bastidores do Palácio do Campo das Princesas, a avaliação é de que a avalanche de entregas ainda está apenas começando e que os próximos meses serão marcados por um ritmo ainda mais acelerado de investimentos e inaugurações.

É justamente nesse contexto que a aprovação da gestão vem se transformando em reconhecimento popular. E o reconhecimento, como a política ensina, costuma se transformar em voto. O resultado desse processo aparece nas pesquisas. Quem há pouco mais de um ano observava uma vantagem expressiva, que em determinados cenários se aproximava dos 50 pontos percentuais, agora enfrenta uma realidade completamente diferente: a de ter sido ultrapassado por aquela que muitos insistiam em subestimar.

Para João Campos e seus aliados, a mudança de cenário representa um desafio enorme. Afinal, trata-se de um projeto político construído sobre a expectativa de uma trajetória praticamente sem obstáculos rumo ao Governo do Estado. A renúncia ao comando de uma prefeitura gigantesca e politicamente estratégica como o Recife foi uma aposta alta. E ver esse projeto encontrar dificuldades justamente quando a disputa começa a ganhar forma certamente provoca inquietação entre os seus apoiadores.

Talvez por isso alguns aliados pareçam ter entrado em verdadeiro curto-circuito político. Em vez de apresentar propostas ou explicar por que o favoritismo diminuiu e, em alguns levantamentos, se transformou em desvantagem, optam por buscar conflitos onde eles não existem. Tentam semear a discórdia, provocar desgastes e alimentar rumores na esperança de frear um crescimento que vem sendo sustentado por resultados concretos da gestão estadual.

Mas a política costuma reservar ironias. Muitas vezes, a munição preparada para atingir o adversário acaba sendo disparada contra os próprios pés. E é exatamente essa sensação que fica quando se observa o comportamento de setores que, diante da nova realidade eleitoral, parecem mais preocupados em atacar do que em compreender o que está acontecendo diante dos olhos de todos.

A eleição de 2026 ainda está distante e muita coisa pode acontecer. Porém, uma verdade já se impõe no cenário político pernambucano: o jogo virou. E para aqueles que acreditavam que a disputa estava decidida antes mesmo de começar, essa talvez seja a notícia mais difícil de aceitar.

Greovário Nicollas.

Nenhum comentário: