quarta-feira, 24 de junho de 2026

FORRÓBOM, BOM CONSELHO: QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ! ESVAZIAMENTO, FALTA DE TRANSPARÊNCIA E A POLÍTICA DO "EU" TRANSFORMAM UMA DAS MAIORES FESTAS DO AGRESTE EM RETRATO DE DECADÊNCIA

O que aconteceu com o ForróBom? Essa é a pergunta que tomou conta das ruas de Bom Conselho após mais uma noite de festa marcada por público reduzido, críticas à organização e um cenário que há poucos anos seria inimaginável para quem conheceu a grandiosidade do evento. Imagens de drone recebidas pela reportagem escancaram uma realidade difícil de contestar: espaços vazios, circulação tímida e uma festa que parece cada vez mais distante dos tempos em que colocava Bom Conselho entre os principais destinos juninos de Pernambuco.

A cena é ainda mais impactante porque não se trata de uma festa qualquer. O ForróBom já foi motivo de orgulho para a população, movimentou a economia local, atraiu visitantes de várias regiões e ajudou a consolidar a identidade cultural do município. Hoje, porém, o que se vê é uma celebração que parece perder força a cada ano, enquanto cidades vizinhas avançam, ampliam seus polos, fortalecem suas grades artísticas e atraem multidões.

Enquanto o público faltava, sobravam reclamações.

Barraqueiros, ambulantes e comerciantes que investiram dinheiro próprio apostando na movimentação da festa amargaram prejuízos. Muitos compraram mercadorias, contrataram ajudantes e montaram estruturas esperando repetir o sucesso de anos anteriores. Encontraram, porém, um fluxo de pessoas muito abaixo do necessário para garantir sequer o retorno do investimento.

A pergunta inevitável surge: quem vai pagar essa conta?

Porque o prejuízo não fica apenas com quem vendeu pouco. Ele também pode estar sendo pago pelo contribuinte. Até agora, os valores gastos com o ForróBom seguem envoltos em uma névoa de silêncio. A população não sabe claramente quanto custou a estrutura, quanto foi destinado às atrações, quanto foi investido em divulgação e qual o impacto real desse gasto para os cofres públicos. O Portal da Transparência não apresenta as informações que deveriam estar facilmente acessíveis para qualquer cidadão.

E quando falta transparência, sobra desconfiança.

Afinal, se o evento foi um sucesso, por que os números não aparecem? Se os investimentos deram resultado, por que tanta resistência em apresentar os dados? São questionamentos legítimos de uma população que financia a máquina pública e tem o direito de saber como cada centavo está sendo utilizado.

Mas talvez o problema vá além da festa.

Nos bastidores políticos da cidade, cresce a avaliação de que Bom Conselho vem sofrendo os efeitos de uma gestão excessivamente centralizadora. A impressão é que tudo precisa girar em torno da figura do prefeito Edézio. Tudo precisa ter uma única assinatura, uma única imagem, um único protagonista. E quando uma administração passa a concentrar esforços em promover uma pessoa em vez de fortalecer instituições, eventos e políticas públicas, os resultados costumam aparecer rapidamente.

O ForróBom parece ser um exemplo claro dessa lógica.

Uma festa que deveria ser do povo passou a transmitir a sensação de ser um palco político cuidadosamente montado para destacar uma gestão. Só que existe um detalhe impossível de controlar: o público. E o público respondeu da forma mais dura possível. Simplesmente não apareceu na quantidade esperada.

As imagens aéreas falam mais alto que qualquer discurso oficial. Não há edição, narrativa ou marketing capaz de esconder áreas vazias onde antes havia multidões. Não há postagem institucional capaz de substituir a realidade registrada pelas câmeras. O drone mostrou o que muitos tentam minimizar: um dos maiores símbolos culturais de Bom Conselho atravessa uma crise evidente de público e de identidade.

Enquanto isso, cidades vizinhas transformam seus festejos em vitrines de desenvolvimento econômico, atração turística e valorização cultural. Bom Conselho, infelizmente, parece caminhar na direção oposta, vendo sua principal festa perder relevância justamente sob uma gestão que prometia fortalecimento e protagonismo.

A população agora espera explicações. Quer saber quanto foi gasto, quem decidiu, quais critérios foram adotados e quais medidas serão tomadas para evitar que o ForróBom continue encolhendo diante dos olhos de todos.

Porque uma coisa é certa: as imagens que chegaram à nossa redação não mostram apenas uma praça com pouco público. Elas revelam algo muito maior. Revelam uma festa que já foi gigante e que hoje luta para não se tornar símbolo de desperdício, vaidade administrativa e desconexão com a realidade da própria população.

O ForróBom já foi motivo de orgulho regional. Hoje, infelizmente, corre o risco de virar estudo de caso sobre como transformar uma tradição consolidada em um evento incapaz de empolgar até mesmo a sua própria cidade.

E diante das imagens do esvaziamento, a pergunta permanece sem resposta:o dinheiro público foi investido para fortalecer a cultura ou para alimentar uma narrativa que a realidade insistiu em desmentir? Segue imagens do drone que falam por si só...








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