As declarações foram feitas nesta quarta-feira (10), após um encontro promovido pelo PSB com lideranças sindicais no bairro da Soledade, região central do Recife. O evento reuniu representantes de diversas categorias e serviu também como espaço para que João Campos comentasse os recentes movimentos políticos envolvendo a sucessão estadual.
A controvérsia teve início após entrevista concedida por Wellington Dias ao jornal O Globo, na qual o ministro sugeriu a possibilidade de um “palanque duplo” do presidente Lula em Pernambuco, cenário que abriria espaço para apoio simultâneo à governadora Raquel Lyra (PSD) e ao próprio João Campos. A declaração provocou repercussão imediata nos bastidores políticos e alimentou especulações sobre uma eventual indefinição do PT em relação à disputa estadual.
Ao comentar o assunto, João Campos minimizou o impacto da fala do ministro e ressaltou que a relação entre PSB e PT permanece fortalecida. Segundo ele, a parceria construída entre as duas legendas vai muito além das eleições e tem sido baseada em diálogo permanente, confiança política e alinhamento de projetos.
“O cenário está muito bem resolvido. A relação é a melhor possível. Sempre disse que existe uma relação verdadeira, orgânica e construída ao longo do tempo, não apenas uma aproximação eleitoral”, afirmou o socialista.
João destacou ainda que o PSB trabalhou ativamente para consolidar a base de apoio ao presidente Lula em Pernambuco desde a campanha presidencial de 2022, fortalecendo a presença do governo federal no estado e contribuindo para a manutenção da aliança entre as duas siglas.
Questionado sobre a possibilidade de solicitar ao presidente Lula uma manifestação pública ou até mesmo um vídeo declarando apoio à sua pré-candidatura para encerrar qualquer dúvida sobre o tema, João Campos descartou completamente essa hipótese. Segundo ele, não houve qualquer pedido nesse sentido porque o assunto já teria sido resolvido internamente entre as direções nacionais dos partidos.
O pré-candidato explicou que o PSB apresentou formalmente ao PT a importância estratégica das disputas estaduais para o partido, especialmente nos estados considerados prioritários. Da mesma forma, o PT também definiu seus próprios focos eleitorais em âmbito nacional, em um processo de negociação que, segundo João, já foi concluído há bastante tempo.
“O PSB apontou oficialmente ao PT as candidaturas aos governos estaduais como uma prioridade nacional. O PT também apresentou suas prioridades. Isso é algo que já está resolvido e não é uma discussão de hoje”, enfatizou.
Ao comentar especificamente as declarações de Wellington Dias, João Campos afirmou ter recebido a explicação de que a entrevista refletia uma avaliação pessoal do ministro e não uma posição oficial do governo federal ou da direção nacional petista. Por isso, classificou o episódio como um fato isolado, sem capacidade de gerar desgaste entre os aliados.
“Não vi como algo grave. Foi uma posição completamente isolada. Sem problema”, declarou.
A fala de João Campos ocorre em um momento de intensa movimentação política em Pernambuco. Com a corrida eleitoral ganhando força, as articulações envolvendo apoios partidários e alianças nacionais tornam-se cada vez mais relevantes. Ao adotar um discurso de pacificação, o socialista busca transmitir segurança à sua base política e reforçar a percepção de que mantém uma relação sólida com o presidente Lula e com os setores do PT que compõem a sustentação do governo federal.
Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que a rápida reação das lideranças do PSB e do PT ajudou a esfriar a polêmica e evitar que o episódio ganhasse proporções maiores. Com isso, a estratégia agora é concentrar esforços na construção da pré-campanha e no fortalecimento das alianças que deverão definir o cenário eleitoral pernambucano nos próximos meses.
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