quarta-feira, 10 de junho de 2026

JOÃO PAULO REAGE A ATAQUES DE JÚNIOR DE TÉRCIO E ELEVA TOM DO DEBATE NA ALEPE: “PRECISA DE TRATAMENTO PARA DEIXAR DE VER SEXO ANAL COMO PROBLEMA”


O clima de tensão política tomou conta da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) nesta terça-feira (9), após uma sequência de discursos que provocou um dos confrontos verbais mais duros do ano entre parlamentares da base conservadora e da esquerda pernambucana. O deputado estadual João Paulo (PT) respondeu de forma contundente às declarações feitas anteriormente pelo deputado Júnior de Tércio (PP), que havia associado o Partido dos Trabalhadores e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho.

Durante seu pronunciamento, João Paulo classificou as acusações como graves e sem fundamento, afirmando que o caso já foi encaminhado à direção nacional do PT, que decidiu recorrer à Justiça para que o parlamentar progressista apresente provas das declarações feitas na tribuna.

Segundo o petista, o debate político precisa ser travado dentro dos limites democráticos e com responsabilidade. Ele ressaltou que a legenda optou por buscar os meios legais para contestar as acusações e responsabilizar quem propaga informações que considera ofensivas e inverídicas.

O discurso ganhou um tom ainda mais contundente quando João Paulo abordou temas frequentemente criticados por setores conservadores, especialmente a cannabis medicinal e questões relacionadas à sexualidade. O parlamentar afirmou que Júnior de Tércio demonstra resistência a pautas que, segundo ele, já vêm sendo discutidas amplamente pela ciência e pela medicina moderna.

Ao defender a regulamentação da cannabis medicinal em Pernambuco, João Paulo destacou que milhares de famílias aguardam a ampliação do acesso ao tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Ele lembrou que foi autor de iniciativas legislativas voltadas à pesquisa e ao desenvolvimento de medicamentos à base da planta e argumentou que o tratamento tem contribuído para melhorar a qualidade de vida de pacientes com epilepsia, câncer, Alzheimer e outras enfermidades.

Na parte mais polêmica de sua fala, o deputado afirmou que o colega parlamentar deveria buscar acompanhamento psicanalítico para rever posições que considera preconceituosas. João Paulo declarou que Júnior de Tércio precisa “deixar de tratar o sexo anal como problema”, ampliando o tom crítico em relação ao posicionamento ideológico do adversário político.

O petista também acusou o parlamentar do PP de tentar introduzir questões relacionadas à homossexualidade no debate político de forma indireta e preconceituosa, classificando sua postura como incompatível com uma sociedade plural e democrática.

A reação da bancada de esquerda não ficou restrita a João Paulo. A deputada Dani Portela (PSOL) também utilizou a tribuna para rebater as declarações do parlamentar conservador. Em um discurso marcado por críticas severas, ela classificou a fala de Júnior de Tércio como um discurso de ódio e intolerância.

Dani afirmou que o deputado utiliza sua condição de líder religioso para promover ataques políticos e ideológicos. Em um dos momentos mais fortes de sua intervenção, declarou que, caso Jesus Cristo retornasse aos dias atuais, não apoiaria atitudes como as adotadas pelo parlamentar. A deputada ainda o definiu como “lobo em pele de cordeiro” e “falso profeta”, acusando-o de explorar pautas religiosas para obter projeção política.

A parlamentar também sugeriu que o deputado estaria perdendo espaço dentro dos segmentos mais conservadores da direita pernambucana e questionou sua atuação legislativa na Alepe, afirmando que sua participação parlamentar tem sido limitada.

O episódio evidencia o aprofundamento da polarização ideológica dentro da Assembleia Legislativa de Pernambuco, onde debates sobre segurança pública, religião, costumes, direitos civis e políticas de saúde vêm ocupando espaço cada vez maior nas discussões parlamentares. O embate desta terça-feira mostrou que, além das divergências partidárias tradicionais, temas ligados à moral, comportamento e liberdade individual continuam alimentando confrontos intensos entre representantes de diferentes correntes políticas no Estado.

Com a judicialização anunciada pelo PT e a repercussão das declarações nas redes sociais e nos bastidores políticos, a expectativa é de que o episódio continue gerando desdobramentos nos próximos dias, ampliando ainda mais a tensão entre os grupos que disputam protagonismo no cenário político pernambucano.

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