sexta-feira, 26 de junho de 2026

PESQUEIRA MERGULHA NA ROTINA DO MEDO COM QUARTO HOMICÍDIO EM MENOS DE DUAS SEMANAS

O que antes era encarado como um episódio isolado de violência passou a desenhar um cenário preocupante em Pesqueira. Em menos de duas semanas, quatro homicídios foram registrados no município, transformando a insegurança em parte da rotina dos moradores e ampliando a cobrança por respostas efetivas das autoridades. A sequência de crimes, cometidos em diferentes bairros e sob circunstâncias distintas, tem provocado apreensão, mudado hábitos da população e colocado a segurança pública no centro das discussões.

A mais recente ocorrência foi registrada na manhã da quinta-feira (25), na Travessa Major Planta, no bairro Centenário, na localidade conhecida como Beira da Linha, nas proximidades da Igreja de São Sebastião. O assassinato aconteceu em plena luz do dia e mobilizou equipes da Polícia Militar, do Instituto de Criminalística e moradores da região, que acompanharam, mais uma vez, uma cena marcada pela violência.

A vítima foi identificada inicialmente como Wesley, embora moradores também o conhecessem pelo nome de Adriano. Segundo informações preliminares, ele era natural de Toritama e residia em Pesqueira havia alguns meses.

As primeiras informações apontam que Wesley foi morto com golpes de faca. Um detalhe observado pelos policiais chamou atenção: o homem foi encontrado segurando uma pequena faca em uma das mãos, circunstância que levanta a hipótese de que tenha tentado reagir ou se defender durante o ataque. A confirmação dessa dinâmica, porém, dependerá da conclusão da perícia e das investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Enquanto a área permanecia isolada para os trabalhos periciais, um novo elemento surgiu e poderá contribuir para o esclarecimento do caso. A mãe do suposto autor compareceu ao local e prestou informações que agora fazem parte das investigações.

Segundo Dona Maria, como foi identificada, Wesley havia passado os últimos dias em sua residência. Ela relatou que o homem saiu por volta das 23h da noite anterior para comprar bebida alcoólica e não retornou. A declaração que mais surpreendeu moradores foi a de que o principal suspeito do crime seria seu próprio neto, um adolescente de apenas 14 anos. A informação, no entanto, ainda não foi oficialmente confirmada pela Polícia Civil, que mantém as investigações em andamento e ainda não divulgou detalhes sobre motivação ou autoria.

O assassinato reacendeu um sentimento que já vinha crescendo na cidade: o de que a violência deixou de ser um fato esporádico para se tornar uma preocupante rotina.

A preocupação da população tem fundamento. Antes mesmo deste caso, Pesqueira ainda estava abalada por uma sequência de homicídios registrada entre os dias 14 e 21 de junho.

O primeiro crime ocorreu no dia 14, quando Carlos Bezerra da Silva, de 35 anos, que trabalhava como segurança, foi morto no Centro da cidade. Conforme as investigações, criminosos chegaram em um veículo Hyundai HB20 e efetuaram disparos de espingarda calibre 12. A vítima morreu antes da chegada do socorro.

Dois dias depois, em 16 de junho, Mauro Alexandre Alves Lira, de 46 anos, foi executado dentro de um bar no bairro Central. Testemunhas relataram momentos de desespero quando homens armados invadiram o estabelecimento e abriram fogo. Mauro ainda teria reagido, atingindo um dos suspeitos, mas acabou perseguido pelas ruas próximas e morto durante a tentativa de fuga.

Na sequência, em 19 de junho, o empresário Flaviano Roberto da Silva, de 37 anos, proprietário da Pousada Bom Tempo, foi assassinado em frente ao próprio estabelecimento. Segundo informações divulgadas na época, dois homens chegaram em uma motocicleta e efetuaram diversos disparos contra a vítima, fugindo logo após o crime.

Agora, com a morte de Wesley, Pesqueira contabiliza quatro homicídios em um intervalo inferior a duas semanas, uma estatística que acende um alerta sobre o avanço da violência no município.

A sucessão de assassinatos tem provocado mudanças no cotidiano dos moradores. Há relatos de pessoas evitando permanecer nas ruas durante a noite, comerciantes preocupados com a redução da circulação de clientes e famílias apreensivas diante da sensação de vulnerabilidade. Nas redes sociais, multiplicam-se manifestações de indignação, tristeza e cobranças por uma resposta mais firme das forças de segurança.

Embora cada homicídio possua características próprias e seja investigado individualmente, a repetição dos casos em um espaço tão curto de tempo alimenta a percepção de que a criminalidade vem impondo um clima permanente de tensão à cidade.

Enquanto a Polícia Civil busca esclarecer os quatro assassinatos, cresce também a expectativa por ações que reforcem o policiamento, acelerem as investigações e restabeleçam a sensação de segurança. Para a população, mais do que elucidar cada crime, o desafio das autoridades é interromper uma sequência de mortes que tem colocado Pesqueira entre o medo diário e a esperança de que a paz volte a fazer parte da rotina do município.

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