"Em 2020 nós fomos considerados o pior Estado do Brasil para se fazer negócios, era um ambiente hostil. Pernambuco ainda é um Estado muito pobre, mas mudamos a visão de mundo e sabemos que os caminhos para a gente superar esses desafios está na cooperação com o setor produtivo", disse, citando relatório do Banco Mundial.
Priscila Krause representou a governadora Raquel Lyra na cerimônia de posse da nova Diretoria e Conselho Fiscal do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado de Pernambuco (Sescap-PE). O evento foi realizado no auditório do JCPM Trade Center, no Pina, Recife.
Apesar de não haver atualização dos números do Banco Mundial, alguns resultados mostram que o Estado avançou desde a publicação do relatório em 2021.
Pernambuco registrou o maior crescimento do PIB estadual em 15 anos em 2024 (4,7% segundo o último dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE); a taxa de desemprego caiu de 14,9%, em dezembro de 2022, para 8,8% ao fim de 2025; e o saldo de empregos formais a partir de 2023 chegou a 190 mil vagas, mais do que os 172 mil gerados nos 12 anos anteriores somados, segundo dados do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged).
O Estado também reduziu em 41% o índice de pobreza (Instituto de Gestão Pública de Pernambuco - IGPE) e diminuiu em 29% as internações por desnutrição na comparação com 2022 (Sistema de Informações Hospitalares, do Ministério da Saúde). "Agora a gente vê e sente mudança real na vida das pessoas", comentou.
As iniciativas do Estado
Dentre as iniciativas de facilitação e de melhoria para no ambiente de negócios está o Programa Coopera, iniciativa da Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz) voltada para a conformidade tributária e a autorregularização voluntária de pendências fiscais.
Lançado em 2023, o Coopera representa uma modernização na relação entre o fisco e os contribuintes, com o objetivo de incentivar a conformidade tributária de forma voluntária, oferecer transparência e ferramentas para o acompanhamento e correção de pendências antes de multas ou fiscalizações mais rigorosas.
"Aquele ditado que diz, quando o governo não atrapalha, já ajuda. Isso não é para nós. O Estado não pode ser um elemento que atrapalhe a atividade econômica, mas responsável por direcionar o desenvolvimento e por atrair investimentos, principalmente no momento da nova economia, onde a gente passa por transição energética com sustentabilidade. A gente precisava restabelecer a confiança e a cooperação entre o poder público e o setor produtivo", declarou.
"É claro que a gente precisa dos impostos para investir R$ 2 bilhões na Segurança, R$ 5,5 bilhões na Educação, fazer o maior investimento da história recente na Saúde de Pernambuco, onde a gente tem as maiores reformas que os nossos hospitais estão passando, sem fechar o serviço. A gente precisa dos impostos para isso, mas a gente precisa fazer de uma maneira justa, de uma maneira honesta."
Modernização de processos
A atual gestão tem priorizado a modernização, digitalização e desburocratização da Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe), alinhada ao Programa Pernambuco Digital. As mudanças permitiram que Pernambuco desse um dos maiores saltos qualitativos no ranking nacional de abertura de empresas, saindo da 16ª colocação para o quinto lugar entre os melhores Estados.
"Na comparação do primeiro semestre de 2022 com o primeiro semestre de 2026, a gente sai de uma abertura de 9.800 pessoas jurídicas para 15.514. Isso reflete muito a nossa atividade econômica nesse momento."
A vice-governadora lembrou, ainda, dos investimentos da Jucepe em Inteligência Artificial para agilizar as análises numa iniciativa que será somada à entrada de 35 novos analistas que passaram por seleção simplificada. Atualmente o órgão tem 19 desses profissionais.
Mais pessoal e tecnologia vão reforçar as iniciativas de desburocratização de processos na máquina pública. No início de maio a governadora Raquel Lyra instituiu, através do decreto 60.588/26, o Comitê de Simplificação e Melhoria do Ambiente de Negócios do Estado de Pernambuco, conhecido como Comitê Permanente de Simplificação.
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) também foi citada por Priscila Krause como um exemplo de nítida melhoria na simplificação da relação com a iniciativa privada.
"A CPRH é um exemplo clássico daquilo que era entrave. Com a mesma equipe, com a prata da casa, a gente transformou o processo. Saímos de uma média de quase 150 dias para uma licença ambiental para 30 dias. E eu posso o processo está, inclusive, mais rigoroso do ponto de vista de cumprimento das normas do que quando se passava quase 150 dias para emitir uma licença. Não é por acaso que estamos colhendo frutos. Arrumar a casa dá trabalho."
Fotos: Américo Nunes / VG
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