quinta-feira, 13 de agosto de 2026

JUSTIÇA ELEITORAL MANDA RETIRAR PUBLICAÇÕES CONTRA PRISCILA E MIRA PERFIS LIGADOS AO PSB

A disputa eleitoral em Pernambuco ganhou mais um capítulo na Justiça — e, desta vez, com determinação para tirar do ar conteúdos considerados falsos e ofensivos contra a vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD).

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que o Instagram remova publicações que faziam acusações contra Priscila envolvendo repasses destinados à Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns. A decisão foi assinada pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo.

Além da retirada do conteúdo, a Justiça determinou que a Meta forneça informações capazes de identificar os responsáveis pelos perfis @caboarretado, @sensocriticol e @oprecodofeijao. Os administradores deverão ser identificados e, posteriormente, prestar esclarecimentos à Justiça Eleitoral.

Nas publicações, Priscila era acusada de transformar o Governo de Pernambuco em uma espécie de “escritório de negócios”. O problema, segundo o entendimento apresentado na decisão, é que a crítica política teria ultrapassado a linha do debate eleitoral e entrado no terreno da desinformação e do ataque pessoal.

Na avaliação do magistrado, a liberdade de expressão não dá salvo-conduto para a divulgação de informações falsas e ofensivas à honra de candidatos. A decisão aponta ainda que os conteúdos teriam como objetivo produzir um “rebaixamento moral” da candidata e comprometer a integridade do debate eleitoral.

E há um detalhe importante nessa história: os repasses questionados à unidade de saúde ocorreram em 2025, quando Priscila estava no exercício do cargo de governadora. A defesa sustenta que não existe irregularidade nos pagamentos, destacando que o hospital presta serviços à rede estadual de saúde há mais de 55 anos e atravessou nada menos que 15 governos diferentes.

Ou seja: transformar um repasse para uma instituição que há décadas presta serviço ao Estado em munição eleitoral pode até render postagem, curtida e compartilhamento. O problema começa quando a narrativa construída nas redes sociais não sobrevive ao confronto com os fatos — e acaba chegando à Justiça.

A decisão também aumenta a pressão sobre os perfis que vêm sendo associados a uma suposta estrutura de ataques políticos nas redes. O jurídico do PSD já havia denunciado a existência de um chamado “gabinete do ódio”, apontando supostos vínculos entre esses perfis e pessoas ligadas ao entorno político do candidato João Campos (PSB).

É importante registrar que a referência a esses vínculos consta como acusação apresentada pelo PSD e não significa, por si só, que os responsáveis pelos perfis tenham sido judicialmente reconhecidos como integrantes de qualquer estrutura ligada à campanha de João Campos.

O episódio, porém, expõe uma realidade cada vez mais evidente da eleição de 2026: a guerra política deixou de acontecer apenas nos palanques, debates e programas eleitorais. Ela também está sendo travada nos bastidores das redes sociais, onde perfis anônimos ou de difícil identificação podem disparar acusações em velocidade muito maior do que a capacidade de resposta dos adversários.

Agora, a Justiça Eleitoral quer saber quem está por trás de algumas dessas páginas.

E quando o juiz manda o Instagram abrir a caixa-preta dos perfis, a brincadeira das redes sociais deixa de ser tão divertida para quem estava acostumado a atacar escondido atrás de uma tela.

No ambiente eleitoral, crítica faz parte da democracia. Acusação sem prova, porém, pode acabar virando processo. E, neste caso, já virou.

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