Por Edney Souto - Blog do Edney
A corrida pelo Governo de Pernambuco ganhou um novo desenho nesta semana com a definição do prefeito de Ipojuca, Carlos Santana (Republicanos), em apoio à governadora Raquel Lyra (PSD). Com a decisão, todos os 184 prefeitos do estado já declararam publicamente seu alinhamento na disputa estadual.
No mapa municipal, Raquel Lyra aparece com uma vantagem expressiva. A governadora reúne 144 prefeitos, o equivalente a 78,3% das prefeituras pernambucanas. Do outro lado, o ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo, João Campos (PSB), conta com o apoio de 40 gestores municipais, correspondendo a 21,7% dos municípios.
Vantagem numérica não conta toda a história
Apesar da ampla vantagem de Raquel no número de prefeitos, o cenário muda quando o critério analisado é a população administrada por cada grupo.
Os municípios que estão alinhados à governadora concentram aproximadamente 6,1 milhões de habitantes, o equivalente a 64,3% da população de Pernambuco. Já as cidades sob comando de prefeitos aliados de João Campos somam cerca de 3,39 milhões de moradores, representando 35,7% da população estadual.
A diferença, portanto, continua favorável a Raquel, mas é menor quando comparada ao número de prefeituras.
Um dos principais fatores para essa redução da distância está justamente no peso eleitoral da capital pernambucana. Recife, administrada pelo prefeito Victor Marques (PCdoB), aliado de João Campos e importante reduto eleitoral do socialista, concentra cerca de 1,59 milhão de habitantes.
O peso das grandes cidades
O cenário revela uma característica importante da eleição de 2026: ter mais prefeitos não significa necessariamente controlar a maior parcela do eleitorado.
Raquel construiu uma ampla rede de apoio municipal, alcançando praticamente quatro em cada cinco prefeituras de Pernambuco. João Campos, por sua vez, possui uma base numericamente menor, mas com presença estratégica em municípios populosos, especialmente na Região Metropolitana do Recife.
Na prática, o desafio de ambos será transformar o apoio político dos prefeitos em votos efetivos nas urnas. Para Raquel, a missão é fazer com que a força territorial construída ao longo da pré-campanha se converta em vantagem eleitoral. Para João Campos, o caminho passa por potencializar sua presença nas cidades mais populosas e ampliar a transferência de votos de suas principais lideranças.
NA LUPA: o mapa dos prefeitos mostra uma Raquel Lyra muito mais forte no quesito capilaridade política. João Campos, entretanto, não está fora do jogo: sua concentração em municípios de grande eleitorado, principalmente Recife, mantém a disputa competitiva. No fim das contas, a eleição não será vencida pelo número de prefeitos, mas pela capacidade de cada grupo transformar alianças municipais em votos.
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